Cuiabá, Sexta-Feira, 3 de Abril de 2026
"BULLYING" NA ESCOLA
07.11.2013 | 10h55 Tamanho do texto A- A+

Mãe vai à Justiça após filho de 7 anos sofrer agressão

Menino corre risco de perder o ano letivo, pois não quer voltar para escola, no bairro Alvorada

Pedro Alves/MidiaNews

P., vai perder o ano letivo porque não quer mais ser alvo das outras crianças

P., vai perder o ano letivo porque não quer mais ser alvo das outras crianças

DÉBORA SIQUEIRA
DA REDAÇÃO
A recepcionista Marcelle Cristina Nogueira da Costa vai acionar judicialmente o Município de Cuiabá e os pais de duas crianças que, segundo ela, perseguem seu filho desde o início do ano letivo.

Na última terça-feira (5), o menino P., de 7 anos, aluno do 2º ano da Escola Municipal de Educação Básica Marechal Rondon, no bairro Alvorada, quebrou o braço, após ser derrubado por outra criança.

O agressor o puxou pelo pé e o menino caiu sobre o próprio braço. No mesmo dia, antes de a aula começar, ele ainda levou um soco no olho.

Ao ser avisada do ocorrido, a mãe foi para a escola e chamou a Polícia. Para ela, foi a "gota d´água". Para o menino, o caso ultrapassou os limites de tolerância e ele passou a ter aversão ao próprio colégio.

P. vai perder o ano letivo porque não quer mais ser alvo das outras crianças.

“Chega! Não vou deixar maltratarem meu filho. Ele vai perder o ano, mas não posso obrigar meu filho a ir para lá”, disse Marcelle ao MidiaNews.

De acordo com a recepcionista, o menino é uma criança introvertida, quieta e, por isso, acredita ela, é alvo perfeito dos outros meninos, geralmente mais velhos - cerca de dois anos a mais do que ele.

"Desde o início do ano, ele sempre chegava em casa com marcas no corpo. Eu ia à escola, reclamava e nada: falavam que era 'normal', eram brincadeiras. Uma vez, fui buscar meu filho e ele estava todo cuspido e arranhado. Aí foi demais, eu perdi as estribeiras"



“Desde o início do ano, ele sempre chegava em casa com marcas roxas no corpo. Eu ia à escola, reclamava e nada: falavam que era normal, eram brincadeiras. Uma vez, fui buscar meu filho e ele estava todo cuspido e arranhado. Aí foi demais, eu perdi as estribeiras”, disse a mãe.

A direção da Escola Marechal Rondon teria dito a Marcelle que o garoto agressor tinha pais "muito violentos" e que já havia relatado a eles sobre o comportamento violento do filho. Em resposta, o garoto foi para outro turno na mesma escola.

Marcelle contou que o filho sempre reclamava que os colegas o chamavam de "gay", "bichinha" e riam dele porque ele ia de chinelos à escola e tem pavor de tempestades.

“As crianças riem e gritam para ele ‘chuva’, ‘chuva’, pois sabem que ele tem medo”, disse.

Depois que o menino que praticava o bullying voltou a estudar no mesmo período que P., as agressões voltaram, segundo Marcelle.

“A hora do recreio era a pior. Tinha vez que alguns amiguinhos me defendiam, tinha dia que não mexiam comigo, mas, muitas vezes me batiam”, contou o menino ao site.

P. contou que tentava revidar, mas os agressores sempre o enfrentavam em grupo.

“Eu falo para meus filhos não se envolverem em briga, mas eles têm que se defender. Mas, como fazer isso com crianças maiores do que ele?”, questionou a mãe.

Calado e olhando para a tela do notebook, o menino tentava brincar em um jogo com o braço engessado.

Ele ainda tem marcas da agressão no olho, nas pernas e nas costas. Na tarde de terça-feira., P. fez exame de corpo delito no Instituto Médico-Legal (IML).

Marcelle afirmou que não quer deixar o caso impune. Além do exame de corpo de delito, ela registrou boletim de ocorrência por agressão.

“Violência não leva a nada e tem que ser combatida. Quantas vezes eu vinha correndo do serviço - eu saio às 17 horas -, com medo de deixar meu filho mais alguns minutos na escola, sendo alvo de agressores... Ele não merece isso. Essa escola é a pública mais próxima de casa. No ano que vem, eu mudo daqui do bairro e faço esforço de pagar escola particular, onde, pelo menos, você paga e é ouvido”, completou Marcelle.

"Brincadeira" no pátio

A diretora da EMEB Marechal Rondon, Marilza José Lopes Schuinh, mostrou à reportagem o registro no livro escolar de que os pais foram avisados, na hora da entrada, que as aulas encerrariam uma hora mais cedo, na terça-feira.

Segundo ela, professores e diretores fizeram uma reunião após as 16 horas. A escola estaria sem água.

Algumas crianças ficaram brincando no pátio. “Não podemos impedir que as crianças brinquem. Ele (P.) caiu e se machucou. Aparentemente, quebrou o braço, uma funcionária fez compressa de gelo e ligou para a mãe”, disse Marilza Schuinh.

Conforme a diretora, ao chegar à escola, a mãe de P. teria recusado ajuda para levar o menino diretamente para uma unidade de Saúde. “Ela fazia questão de chamar a Polícia. Como a PM não veio, ela foi embora e não quis carona”, afirmou.

A diretora informou que, hoje, a escola atende 250 crianças e que sempre há casos de desentendimentos entre os alunos.

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COMENTÁRIOS
37 Comentário(s).

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Eliane  08.11.13 19h47
É muito bonito jogar toda a responsabilidade sobre a escola! Enquanto a mãe cuida de um na escola tempos 300 crianças, 300 familias... você acham mesmo que todas as familias cuidam dos seus filhos, ou pelo menos vão à escola quando são chamados!!?? Vão até uma escola, conheça a realidade, e depois atirem pedras!
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joao jose reis  08.11.13 13h52
dar pitaco sobre educação todo mundo dá !! o fato é que os educadores precisam serem preparados para lidar com essas situações !! cade o agente de pátio que a rede municipal de educação de cuiaba não tem ??
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Cristiane Cássia Bueno da Rosa  08.11.13 10h59
Nós mães não devemos permitir que a escola seja omissa.É triste ver o que aconteceu com essa criança.A Marceli tem que denunciar todos os responsáveis por essa barbárie,os pais dos agressores e a direção da escola.Algúem tem que ser punido,pq o dano causado a essa criança ficará prá sempre.
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Juliano  08.11.13 09h49
Juliano, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas
Sérgio Arantes Danna  08.11.13 09h32
Não são brincadeiras não Diretora! Os tempos mudaram! Isso é omissão, falta da SUA responsabilidade! A escola tem que punida... as vítimas, criança e mãe, amparadas pela justiça! Ou todo esse blá blá de leis contra esse tipo de opressão na imprensa, todo dia, é mais uma conversa fiada???
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