DÉBORA SIQUEIRA
DA REDAÇÃO
A recepcionista Marcelle Cristina Nogueira da Costa vai acionar judicialmente o Município de Cuiabá e os pais de duas crianças que, segundo ela, perseguem seu filho desde o início do ano letivo.
Na última terça-feira (5), o menino P., de 7 anos, aluno do 2º ano da Escola Municipal de Educação Básica Marechal Rondon, no bairro Alvorada, quebrou o braço, após ser derrubado por outra criança.
O agressor o puxou pelo pé e o menino caiu sobre o próprio braço. No mesmo dia, antes de a aula começar, ele ainda levou um soco no olho.
Ao ser avisada do ocorrido, a mãe foi para a escola e chamou a Polícia. Para ela, foi a "gota d´água". Para o menino, o caso ultrapassou os limites de tolerância e ele passou a ter aversão ao próprio colégio.
P. vai perder o ano letivo porque não quer mais ser alvo das outras crianças.
“Chega! Não vou deixar maltratarem meu filho. Ele vai perder o ano, mas não posso obrigar meu filho a ir para lá”, disse Marcelle ao
MidiaNews.
De acordo com a recepcionista, o menino é uma criança introvertida, quieta e, por isso, acredita ela, é alvo perfeito dos outros meninos, geralmente mais velhos - cerca de dois anos a mais do que ele.

"Desde o início do ano, ele sempre chegava em casa com marcas no corpo. Eu ia à escola, reclamava e nada: falavam que era 'normal', eram brincadeiras. Uma vez, fui buscar meu filho e ele estava todo cuspido e arranhado. Aí foi demais, eu perdi as estribeiras"
“Desde o início do ano, ele sempre chegava em casa com marcas roxas no corpo. Eu ia à escola, reclamava e nada: falavam que era normal, eram brincadeiras. Uma vez, fui buscar meu filho e ele estava todo cuspido e arranhado. Aí foi demais, eu perdi as estribeiras”, disse a mãe.
A direção da Escola Marechal Rondon teria dito a Marcelle que o garoto agressor tinha pais "muito violentos" e que já havia relatado a eles sobre o comportamento violento do filho. Em resposta, o garoto foi para outro turno na mesma escola.
Marcelle contou que o filho sempre reclamava que os colegas o chamavam de "gay", "bichinha" e riam dele porque ele ia de chinelos à escola e tem pavor de tempestades.
“As crianças riem e gritam para ele ‘chuva’, ‘chuva’, pois sabem que ele tem medo”, disse.
Depois que o menino que praticava o bullying voltou a estudar no mesmo período que P., as agressões voltaram, segundo Marcelle.
“A hora do recreio era a pior. Tinha vez que alguns amiguinhos me defendiam, tinha dia que não mexiam comigo, mas, muitas vezes me batiam”, contou o menino ao site.
P. contou que tentava revidar, mas os agressores sempre o enfrentavam em grupo.
“Eu falo para meus filhos não se envolverem em briga, mas eles têm que se defender. Mas, como fazer isso com crianças maiores do que ele?”, questionou a mãe.
Calado e olhando para a tela do notebook, o menino tentava brincar em um jogo com o braço engessado.
Ele ainda tem marcas da agressão no olho, nas pernas e nas costas. Na tarde de terça-feira., P. fez exame de corpo delito no Instituto Médico-Legal (IML).
Marcelle afirmou que não quer deixar o caso impune. Além do exame de corpo de delito, ela registrou boletim de ocorrência por agressão.
“Violência não leva a nada e tem que ser combatida. Quantas vezes eu vinha correndo do serviço - eu saio às 17 horas -, com medo de deixar meu filho mais alguns minutos na escola, sendo alvo de agressores... Ele não merece isso. Essa escola é a pública mais próxima de casa. No ano que vem, eu mudo daqui do bairro e faço esforço de pagar escola particular, onde, pelo menos, você paga e é ouvido”, completou Marcelle.
"Brincadeira" no pátioA diretora da EMEB Marechal Rondon, Marilza José Lopes Schuinh, mostrou à reportagem o registro no livro escolar de que os pais foram avisados, na hora da entrada, que as aulas encerrariam uma hora mais cedo, na terça-feira.
Segundo ela, professores e diretores fizeram uma reunião após as 16 horas. A escola estaria sem água.
Algumas crianças ficaram brincando no pátio. “Não podemos impedir que as crianças brinquem. Ele (P.) caiu e se machucou. Aparentemente, quebrou o braço, uma funcionária fez compressa de gelo e ligou para a mãe”, disse Marilza Schuinh.
Conforme a diretora, ao chegar à escola, a mãe de P. teria recusado ajuda para levar o menino diretamente para uma unidade de Saúde. “Ela fazia questão de chamar a Polícia. Como a PM não veio, ela foi embora e não quis carona”, afirmou.
A diretora informou que, hoje, a escola atende 250 crianças e que sempre há casos de desentendimentos entre os alunos.