O Brasil lidera o ranking quando o assunto é cirurgia plástica por razões estéticas. Uma pequena mudança aqui, outra grande ali. Opções de intervenções e procedimentos não faltam no mercado.
Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), em 2019, o país ficou em 1° lugar no ranking com 1,5 milhão de procedimentos cirúrgicos com fins estéticos, equivalente a 13,1% do total realizado em todo o mundo naquele ano.
Com as partes íntimas, essa realidade não é muito diferente. Nota-se, além do crescimento no número de procedimentos realizados na região, uma mudança no perfil das mulheres que o procuram.
Segundo Rejane Itaborahy, de 48 anos, ginecologista com atuação em uroginecologia, a mulher de hoje está em busca da "vulva perfeita". E, diferente do que se pode imaginar, essa é uma expectativa delas e não, necessariamente, dos parceiros.

“Nenhuma delas fala que o marido faz comentários nesse sentido. Não é uma coisa que parte pra agradar parceiros: marido, namorado, noivo. É uma coisa que é delas”, conta a especialista.
Tamanha é a fixação na busca pela perfeição que os olhos se tornam quase uma régua impiedosa que não deixa nada passar.
“Eu não estou exagerando não. Já tive que corrigir a assimetria de 1 milímetro nos lábios internos de uma vulva”, compartilha a profissional.
Confira os principais trechos da entrevista:
MidiaNews - A maior parte dos procedimentos que realiza são por razões estéticas ou de saúde?
Rejane Itaborahy - A grande maioria das mulheres [que realizam procedimentos] não tem nenhum problema de saúde, não tem absolutamente nada de errado. Hoje eu diria que a mulher está um pouco mais focada nessa questão da vulva sendo bonita. A gente observa um perfil um pouquinho diferente. É aquela mulher que, não é que está feia [a vulva] ou exagerada, que os pequenos lábios estão sobrando, não é nem isso. Mas ela quer que [a vulva] tenha aquela simetria perfeita. Hoje observo que as mulheres buscam a perfeição da vulva. Antigamente os procedimentos íntimos eram desconhecidos. Hoje já são objetos de desejo de muitas.
MidiaNews - Qual é o procedimento mais procurado pelas suas pacientes?
Rejane Itaborahy - Cirúrgico é a ninfoplastia ou labioplastia, que é a redução dos lábios internos para que eles realmente sejam pequenos [menores que os lábios externos].
E o laser íntimo para a melhora do trofismo (nutrição e desenvolvimento saudável dos tecidos e músculos) e da elasticidade vaginal, até a proposta de melhora de incontinência - que na verdade entra como coadjuvante. Ele [o laser] sozinho eu não acho que tenha um resultado satisfatório.

Hoje eu diria que é o laser íntimo e a labioplastia disparado (ela atende inclusive pacientes do exterior), mas temos de tudo.
MidiaNews - A reconstituição de hímen é uma cirurgia muito procurada pelas mulheres? É um procedimento simples?
Rejane Itaborahy - Não sei te dizer se outros colegas têm pacientes com o perfil diferente do meu. Mas acho que a minha paciente é tão cabeça boa com relação à sexualidade que não tenho procura por essa cirurgia. Não tenho paciente encanada a ponto de querer [reconstruir o hímen], porque isso não tem propósito nenhum. Minhas pacientes querem ter a vulva bonita, mas elas não estão preocupadas de que ‘tem que ser virgem’, ‘tem que deixar de ser virgem’, ‘tem que ter hímen’.
É um procedimento simples. O hímen na verdade é uma pele que recobre a entrada da vagina e ela se rompe de maneiras variadas. Tem mulher até que não se rompe, é mais elástico. Mas é algo que eu nem sei te falar com detalhes, nunca me interessei.
MidiaNews - E o clareamento genital e anal. Há muita procura por este tratamento? Como é feito?
Rejane Itaborahy - Há várias opções de clareamento, com laser ou com produto. A gente tem opções de aplicação no consultório, que fica ali 5 ou 10 minutos. Depois tem que lavar rápido porque é um pling, se não aquilo vai acabar esfoliando muito. Depois tem um produtinho associado que ela [a mulher] compra [e aplica].
Você tem também o que os dermatos chamam de drug delivery (procedimento que consiste em facilitar o caminho para que determinadas substâncias consigam penetrar nas camadas mais internas da pele). A gente faz isso na vulva. Passamos o laser, que faz aquelas texturizações e aí você passa um produto clareador.
É simplérrimo, mas não é uma coisa que a paciente vai fazer uso uma semana e vai notar. Ela vai ter que ter um pouquinho de paciência e vai ter que ter um cuidado eterno. É um esforço contínuo, porque todos os fatores que fizeram a pele escurecer, muitas vezes continuam na vida daquela mulher.
A procura é média. Ao serem orientadas e verem o cuidado investido, muitas mulheres desistem de realizar o procedimento. Acho que as pacientes estão buscando sempre soluções bem imediatistas. Então aquele tratamento que dá uma solução imediata, ‘fiz e pronto, vou sair por aquela porta boa’, esse tratamento tem mais procura.
MidiaNews - Quais os benefícios?
Rejane Itaborahy - Na questão do benefício estético ela vai se sentir mais bonita, mais confiante e isso é interessante. Há casos em que a insatisfação não está propriamente naquela parte do corpo - a região íntima - e sim em outras áreas da vida. Por isso é preciso investigar se de fato o procedimento é aquilo que resolverá a insatisfação da paciente.

Gosto muito do laser vaginal para a paciente que já está se aproximando daquela fase de menopausa em que a vagina já tem uma secura, [...] fica desconfortável. Hoje as opções que a gente tem pra isso é creminho com hormônio. Uma paciente que tem câncer de mama nem usar ela pode. A mulher quando tem que fazer um tratamento de uma semana [com cremes] já é horrível, fica aquele negócio escorrendo, sempre melado. Imagina um tratamento eterno, porque a manutenção é duas vezes na semana.
MidiaNews - Existe algum risco para as pacientes que realizam os procedimentos nessa região do corpo?
Rejane Itaborahy - O laser eu não vejo forma dele causar nenhum tipo de risco. O laser que eu estou falando é aquele íntimo para a lubrificação da mucosa. Já a questão da ninfoplastia é um pouquinho controversa, porque hoje o que a gente fala é que nada disso altera em nada a sensibilidade. Mas tem uma médica americana (a profissional participou de um evento com ela) que está empenhada em fazer algumas considerações em livros de anatomia em medicina. Acredito que as novas edições devem ter alguma mudança com relação da posição, ali de enervação de clitóris.
Ela alega que em algumas mulheres - embora eu nunca tenha visto isso - quando você mexe ali em cima, no capuz do clitóris, você poderia sim ter alteração de sensibilidade. Isso tem que ser muito bem comunicado à paciente e a gente realmente não vê esse tipo de comunicação.
Eu nunca vi acontecer em pacientes minhas, em procedimentos meus [essa hipersensibilidade]. Mas hoje eu menciono para a paciente que poderia existir um risco de alteração de sensibilidade, sim. Acho importante a paciente estar ciente e consentir isso. A gente não pode garantir que não vai acontecer.
MidiaNews - Quais são as maiores reclamações mencionadas nos consultórios?
Rejane Itaborahy - Eu observo que as reclamações são com relação a promessas que não são reais. Promessas e a expectativa muito além do que o método consegue trazer.
[O laser vaginal] Indicam para todo mundo e muitas vezes não vai resolver. Por exemplo, o que que a gente traz com o laser? A gente traz mais colágeno. Mulheres muito jovens não se beneficiam. Uma mulher no pós-parto - na casa dos 30 anos - que percebe uma certa frouxidão vaginal e quer fazer o laser para ficar melhor... Gente, ela não tem nada para rejuvenescer (mesmo que tecnicamente o termo não possa ser usado). Ela na verdade precisa de uma fisioterapia para fortalecimento muscular. Se houver ruptura, isso é cirúrgico, mas não é laser. O que o laser dá pra ela, ela tem de sobra.
MidiaNews - E a motivação é um desejo próprio ou há uma considerável influência externa?
Rejane Itaborahy - Nenhuma delas fala que o marido faz comentários nesse sentido, de que está feio. Não é uma coisa que parte pra agradar parceiros - marido, namorado, noivo. Não parte deles esse tipo de comentários é uma coisa que é delas. Eu nunca peguei uma paciente que disse: 'Ai é porque meu parceiro está comentando tal coisa’. É uma coisa que é delas, do público feminino mesmo.
MidiaNews - Qual é o tempo de recuperação após uma intervenção?
Rejane Itaborahy - Depende, o laser vaginal é super rápido e ela volta a fazer tudo no mesmo dia. Mas relação sexual, que é um atrito maior, o ideal é que seja em uma semana.
No caso da labioplastia, como envolve corte do lábio, o recomendado seria um mês sem relação sexual. Na verdade, nas primeiras duas semanas - depende muito da paciente - o ideal é que ela não faça muita coisa. É uma cirurgia pequena, mas o lábio está interno na vulva, então se ficar sentada demais vai incomodar.
MidiaNews - Pela sua experiência as pacientes ficam satisfeitas com o resultado ou há um processo de adaptação à nova aparência?
Rejane Itaborahy - Olha, eu vejo muita satisfação, viu! No primeiro mês fica um pouquinho inchado, tanto que eu até aviso. A gente tá operando e já vê inchando. A beleza não vem naquele segundo, mas elas, já estando preparadas, não se assustam com isso e assim que você tem aquele edema, aquele inchaço melhorando, elas já ficam bem satisfeitas. Não é nada que choca muito não, porque você coloca dentro do que dá pra fazer - mostrar o que dá pra fazer -, não acontece de não se identificar.
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3 Comentário(s).
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| América 29.08.21 13h01 | ||||
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| Eloizy Leontino Ferreira 29.08.21 12h44 | ||||
| Melhor médica desta área, Ótima profissional. | ||||
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| Lívia 29.08.21 12h41 | ||||
| Sensacional! Uma das melhores médicas do nosso estado! Atende a paciente com carinho e excelência. | ||||
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