Cuiabá, Sexta-Feira, 6 de Março de 2026
DESLIZAMENTOS E MORTES
27.02.2022 | 11h42 Tamanho do texto A- A+

Nascida em Petrópolis, moradora de MT lamenta rotina trágica

Eveline Baptistella perdeu uma prima nos temporais que atingiram a cidade fluminense neste mês

Agência Brasil

Desastre de Petrópolis deixou mais de 200 mortos

Desastre de Petrópolis deixou mais de 200 mortos

DAVI VITTORAZZI
DA REDAÇÃO

"Uma rotina trágica que se repete e pouco foi feito para alterar". A afirmação é da professora e pesquisadora de Jornalismo Eveline Baptistella, de 44 anos, que mora atualmente em Tangará da Serra (a 257 km de Cuiabá), sobre os deslizamentos e enchentes que atingem Petrópolis (RJ), sua cidade natal.

 

Recentemente ela perdeu a prima, Leila Chagas, de 67 anos, que morreu em um dos deslizamentos. O corpo de Leila desapareceu nos escombros e foi encontrado no último sábado (19).

 

A filha da vítima e marido só não foram atingidos porque não chegaram em casa devido ao temporal.

 

“Eles estão vivos, mas perderam tudo”, disse a pesquisadora ao MidiaNews

 

A Prefeitura de Petrópolis classificou o caso como a maior catástrofe da história desde os temporais em 1988, quando 171 pessoas morreram na cidade.

 

Petrópolis está localizada no norte do Rio de Janeiro, na região serrana. O Município é conhecido por seus casarões e palácios da época do Brasil Colônia e está cercado de morros. 

 

Embora essa tragédia seja a que tenha mais chamado a atenção nacional, Eveline, que cresceu na cidade, lembra que os deslizamentos e enchentes são frequentes na região.

 

“É um problema socioambiental. Eu vejo essas tragédias desde que eu era criança”, disse.

É um problema socioambiental. Eu vejo essas tragédias desde que eu era criança

 

Os deslizamentos e enchentes ocorreram depois de uma forte chuva na terça-feira (15). Caíram 260 milímetros de água em apenas seis horas. O volume acumulado foi maior do que era esperado para todo o mês de fevereiro.

 

Foram mais de 10 dias de buscas, resgate e limpezas urbanas feitas na cidade. Até esta sexta-feira (25), o Corpo de Bombeiros do Rio confirmou 217 mortos e procurava por outras 13 vítimas.

 

Baptistella acompanhou o problema quando estava na faculdade e estagiava nos veículos de comunicação cobrindo os deslizamentos que ocorriam na cidade. Ela destacou que pouca coisa mudou desde então.

 

Para a pesquisadora, mais ações devem ser feitas para retirar pessoas carentes de situações precárias de moradias e mais atenção precisa ser dada à questão ambiental, já que o excesso de chuva também é um reflexo das mudanças climáticas.

 

“Acontece que é preciso de investimento para lotar as famílias mais pobres em moradias dignas. Esses lugares não tem condições, são lugares de riscos”, pontuou.

 

“Precisamos parar de desmatar. A gente não pode usar o meio ambiente como a gente quer. É preciso uma estrutura de grade para lidar com os morros; lidar com isso e pensar no meio ambiente”, completou.

 

Fernando Frazão/Agência Brasil

Pessoas Petrópolis

Após os estragos, moradores carentes buscam o básico para se manterem

A situação de desastres tem mobilizado diversos setores para colaborar com os sobreviventes da tragédia. São grupos governamentais, privados e do terceiro setor que se dedicam a ajudar pessoas, com a substância básica de alimentos, roupas e moradias e no resgate dos animais, que também foram atingidos pelo desastre. 

 

Como ajudar

 

A Prefeitura de Petrópolis está recebendo diretamente doações de alimentos, kits de higiene e transferências bancárias.

 

São aceitos pelo município cesta básica já montada (25kg); kit de higiene pessoal (com desodorante, absorvente, sabonete etc.); kit de limpeza (com desinfetante, saco de lixo, luvas descartáveis, detergente, esponja etc.); kit com amenidades (com biscoitos, guloseimas, brinquedos, jogos infantis etc.); fraldas geriátricas; toalhas novas; roupas de cama e travesseiros novos; roupa íntima nova (infantil, feminina e masculina).

 

Doações em dinheiro podem ser feitas por transferência pela Agência 0080-9, conta 96011-X. No Pix, pode ser realizado pelo CNPJ 29.138.344/0001-43.

 

O grupo Fazemos a Diferença está trabalhando com o recolhimento e distribuição de produtos de higiene. O coletivo está arrecadando vassouras, sacos de lixo, pano de chão, esponja, bombril, água sanitária, entre outros. Doações são aceitas via Pix pela chave [email protected].

 

 

O Grupo de Resgate de Animais em Desastre (Grad), que já atuou na tragédia de Marina, Brumadinho e durante as queimadas no Pantanal, agora socorre os animais em Petrópolis. O Grad recebe doações pelo Pix 04.085.146/0001-38. 

 

Já o grupo SOS Serra apoia famílias em necessidade, por meio de doações desde 2021. Os colaboradores já arrecadaram e distribuíram colchonetes para desabrigados, alimentos e bebidas e a doação de vestimentas. As colaborações podem ser feitas via Pix por meio do celular (24) 99303-8885. 

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