"Uma rotina trágica que se repete e pouco foi feito para alterar". A afirmação é da professora e pesquisadora de Jornalismo Eveline Baptistella, de 44 anos, que mora atualmente em Tangará da Serra (a 257 km de Cuiabá), sobre os deslizamentos e enchentes que atingem Petrópolis (RJ), sua cidade natal.
Recentemente ela perdeu a prima, Leila Chagas, de 67 anos, que morreu em um dos deslizamentos. O corpo de Leila desapareceu nos escombros e foi encontrado no último sábado (19).
A filha da vítima e marido só não foram atingidos porque não chegaram em casa devido ao temporal.
“Eles estão vivos, mas perderam tudo”, disse a pesquisadora ao MidiaNews.
A Prefeitura de Petrópolis classificou o caso como a maior catástrofe da história desde os temporais em 1988, quando 171 pessoas morreram na cidade.
Petrópolis está localizada no norte do Rio de Janeiro, na região serrana. O Município é conhecido por seus casarões e palácios da época do Brasil Colônia e está cercado de morros.
Embora essa tragédia seja a que tenha mais chamado a atenção nacional, Eveline, que cresceu na cidade, lembra que os deslizamentos e enchentes são frequentes na região.
“É um problema socioambiental. Eu vejo essas tragédias desde que eu era criança”, disse.

Os deslizamentos e enchentes ocorreram depois de uma forte chuva na terça-feira (15). Caíram 260 milímetros de água em apenas seis horas. O volume acumulado foi maior do que era esperado para todo o mês de fevereiro.
Foram mais de 10 dias de buscas, resgate e limpezas urbanas feitas na cidade. Até esta sexta-feira (25), o Corpo de Bombeiros do Rio confirmou 217 mortos e procurava por outras 13 vítimas.
Baptistella acompanhou o problema quando estava na faculdade e estagiava nos veículos de comunicação cobrindo os deslizamentos que ocorriam na cidade. Ela destacou que pouca coisa mudou desde então.
Para a pesquisadora, mais ações devem ser feitas para retirar pessoas carentes de situações precárias de moradias e mais atenção precisa ser dada à questão ambiental, já que o excesso de chuva também é um reflexo das mudanças climáticas.
“Acontece que é preciso de investimento para lotar as famílias mais pobres em moradias dignas. Esses lugares não tem condições, são lugares de riscos”, pontuou.
“Precisamos parar de desmatar. A gente não pode usar o meio ambiente como a gente quer. É preciso uma estrutura de grade para lidar com os morros; lidar com isso e pensar no meio ambiente”, completou.
Fernando Frazão/Agência Brasil
Após os estragos, moradores carentes buscam o básico para se manterem
A situação de desastres tem mobilizado diversos setores para colaborar com os sobreviventes da tragédia. São grupos governamentais, privados e do terceiro setor que se dedicam a ajudar pessoas, com a substância básica de alimentos, roupas e moradias e no resgate dos animais, que também foram atingidos pelo desastre.
Como ajudar
A Prefeitura de Petrópolis está recebendo diretamente doações de alimentos, kits de higiene e transferências bancárias.
São aceitos pelo município cesta básica já montada (25kg); kit de higiene pessoal (com desodorante, absorvente, sabonete etc.); kit de limpeza (com desinfetante, saco de lixo, luvas descartáveis, detergente, esponja etc.); kit com amenidades (com biscoitos, guloseimas, brinquedos, jogos infantis etc.); fraldas geriátricas; toalhas novas; roupas de cama e travesseiros novos; roupa íntima nova (infantil, feminina e masculina).
Doações em dinheiro podem ser feitas por transferência pela Agência 0080-9, conta 96011-X. No Pix, pode ser realizado pelo CNPJ 29.138.344/0001-43.
O grupo Fazemos a Diferença está trabalhando com o recolhimento e distribuição de produtos de higiene. O coletivo está arrecadando vassouras, sacos de lixo, pano de chão, esponja, bombril, água sanitária, entre outros. Doações são aceitas via Pix pela chave [email protected].
O Grupo de Resgate de Animais em Desastre (Grad), que já atuou na tragédia de Marina, Brumadinho e durante as queimadas no Pantanal, agora socorre os animais em Petrópolis. O Grad recebe doações pelo Pix 04.085.146/0001-38.
Já o grupo SOS Serra apoia famílias em necessidade, por meio de doações desde 2021. Os colaboradores já arrecadaram e distribuíram colchonetes para desabrigados, alimentos e bebidas e a doação de vestimentas. As colaborações podem ser feitas via Pix por meio do celular (24) 99303-8885.
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