Cuiabá, Quarta-Feira, 22 de Maio de 2019
SANTA CASA
20.04.2019 | 10h25 Tamanho do texto A- A+

“Se houve desvio, que se puna; o povo não pode ser penalizado”

Ex-deputado Tampinha criticou situação do hospital filantrópico, que está de portas fechadas há mais de um mês

Alair Ribeiro/MidiaNews

O médico ginecologista José Augusto Curvo, o Tampinha

JAD LARANJEIRA E CINTIA BORGES
DA REDAÇÃO

O médico ginecologista e ex-deputado federal José Augusto Curvo, o “Tampinha”, fez duras críticas à situação da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, que está há mais de um mês fechada por falta de recursos.

 

“Se teve má gestão, irregularidade, desvio, nepotismo, o Ministério Público Estadual tem que punir os culpados, mas não pode fechar a porta da Santa Casa, uma instituição que está há mais de 200 anos salvando vidas. Vocês não têm noção de quantas vidas estamos perdendo”, disse Tampinha, que faz parte do corpo clínico do hospital filantrópico.

 

Recentemente, a direção do local finalizou um relatório apontando que a dívida da unidade já chega a R$ 118 milhões - entre fornecedores, funcionários e instituições bancárias - e afirma que não há comom manter o atendimento à população.

 

Eu acho que teve má gestão, mas não deveria fechar a Santa Casa, porque quem está sendo penalizado com isso é a população carente, não é a diretoria

Formado há 45 anos, o médico criticou o ato da direção em fechar as portas da Santa Casa. Segundo ele tal atitude está "matando pessoas".

 

“Eu acho que teve má gestão, mas não deveria fechar a Santa Casa, porque quem está sendo penalizado com isso é a população carente, não é a diretoria. As pessoas carentes que pagam [por essa situação]. Nós estamos deixando 30 leitos de UTI adulto fechados, fora os leitos de infantil e hemodiálise infantil. Estamos vendo um absurdo acontecer, sendo que pouca coisa resolveria”, afirmou.

 

Sempre levantando a bandeira da saúde, Tampinha disputou a eleição para deputado estadual pelo Partido Verde (PV), no ano passado. Ele diz, no entanto, que mesmo distante da política continua tentando ajudar a população diante da situação caótica da Saúde no Estado.

 

“Você não sabe que o tem de pai e mãe doente que me procura chorando, ficam sentados no corredor no Pronto Socorro. Tem criança morrendo, que vem atrás de UTI, aí chega aqui e não consegue internar. Está uma situação absurda”, afirmou.

 

“Aqui em Cuiabá faltam leitos da UTI, mesmo com a Santa Casa funcionando, imagine agora. São menos 30 leitos de UTI na Capital, são 30 pessoas morrendo. As pessoas acham que eu estou fazendo uma tempestade num copo d’água, mas não pode mesmo, uma instituição dessas de mais 200 anos fechar as portas. É a primeira vez que a Santa Casa fecha as portas”, reclamou.

 

O médico ainda diz ser contra o Município assumir a gestão da Santa Casa, apontando que isso não irá resolver o problema de falta de gestão.

 

“Se quiser demitir a diretoria atual, que demita. Ponham um interventor do MPE, mas não deixem que o Município administre lá. Se o Município não está dando conta do Pronto Socorro, das Upas e do São Benedito, vai dar conta da Santa Casa? Sendo que os custos são bem maiores que tudo isso?", questionou.

 

Se quiser demitir a diretoria atual, que demita. Ponham um interventor do MPE, mas não deixem que o Município administre lá

Entenda o caso

 

A Santa Casa de Misericórdia - que tem 202 anos - está de portas fechadas desde o dia 11 de março, por falta de recursos.

 

A diretoria afirmou que a paralisação dos serviços foi motivada, na ocasião, pelo não repasse, por parte da Prefeitura, de R$ 3,6 milhões para custear despesas emergenciais, segundo um acordo que teria sido firmado com a instituição.

 

A unidade filantrópica tem 80% dos leitos destinados ao atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), razão pela qual sobrevive majoritariamente de doações.

 

Os equipamentos do Centro de Nefrologia Pediátrica, por exemplo, foram adquiridos com recursos de emenda parlamentar. 

 

A Prefeitura de Cuiabá, por sua vez, negou por meio de nota, as acusações feitas pela Santa Casa e acusou a instituição de dever R$ 24,8 milhões ao Município.

 

A Procuradoria Geral do Município afirma que o montante devido refere-se a cirurgias eleitvas não executadas (R$ 10,5 milhões), exames de diagnósticos eletivos não cumpridos (R$ 2,9 milhões) e leitos de retaguarda pagos indevidamente (R$ 4,5 milhões).

 

Também são citadas emendas pagas sem contrato (R$ 3,3 milhões) e irregularidades apontadas por uma auditoria do Sistema Único de Saúde (R$ 467 mil).

 

De acordo com a nota, o valor acordado seria mais um repasse feito em antecipação por serviços prestados, mas o Município foi notificado pela Controladoria-Geral do Estado - por solicitação da Delegacia Fazendária (Defaz) - a agir com cautela pois a situação da Santa Casa estaria sendo investigada tanto pela Polícia Civil quanto pelo Ministério Público Estadual.

 

Leia mais sobre o assunto:

 

Relatório aponta que Santa Casa tem dívida de R$ 118 milhões

 

Prefeitura cita Defaz e MPE e diz que Santa Casa lhe deve R$ 24 mi

 

Santa Casa alega calote da Prefeitura e anuncia paralisação

 




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