Cuiabá, Domingo, 21 de Abril de 2019
CUIDANDO DO CAIXA
11.01.2015 | 10h00 Tamanho do texto A- A+

Paulo Brustolin anuncia quatro pilares para atuação na Sefaz

Secretário de Fazenda afirma que é possível potencializar arrecadação e prega austeridade em gastos

Tony Ribeiro/MidiaNews

O secretário de Estado de Fazenda, Paulo Brustolin, que afirmou já ter encontrado "esqueletos" da gestão Silval Barbosa

RAMON MONTEAGUDO E DOUGLAS TRIELLI
DA REDAÇÃO
Assim que foi anunciado como futuro secretário de Fazenda, em dezembro, o executivo Paulo Brustolin decretou que iria "sentar em cima do caixa" do Estado. Agora, já na função, ele começou a implementar uma  série de medidas para, ao mesmo  tempo, potencializar a arrecadação mas, sobretudo, tornar os gastos públicos mais eficientes.

"Iremos trabalhar quatro grande pilares na Sefaz: fazer uma revisão nos processos e sistemas e gerenciamento; investir os recursos públicos com austeridade; revisar as contas do Estado; e elaborar um cenário, do ponto de vista legal, para que o empresário tenha mais segurança de investir em Mato Grosso", afirmou, em entrevista exclusiva ao MidiaNews.

Logo nos primeiros dias de trabalho, Brustolin tomou um "susto": descobriu que havia apenas R$ 84 mil de saldo na Conta Única do Estado. "Fiquei bastante surpreso. Mas, minha primeira medida foi comunicar ao governador, baixar a cabeça e trabalhar para mudar a situação", disse.

"O valor ideal para se ter na Conta Única seria de aproximadamente R$ 500 milhões. Seria o mínimo. Um Estado que fatura até R$ 15 bilhões não pode ter recursos em caixa tão baixos"


Ele falou também sobre o bloqueio de R$ 64 milhões, pelo Banco do Brasil, de pagamentos feitos nos últimos dias de gestão de Silval Barbosa (PMDB).

“Vamos avaliar e estudar caso a caso, porque ali dentro tem pagamentos de empresas com idoneidade, empresas sérias, em que o serviço foi feito, e o contrato está correto. O que não podemos é nos comprometer em fazer esses pagamentos sem um levantamento”, afirmou.

Outras auditorias estão sendo comandadas por Brustolin. “O que podemos afirmar é que já encontramos vários esqueletos da gestão passada”, resumiu.

O secretário, que comandará um Orçamento de R$ 13 bilhões para 2015, afirmou também que não há previsão orçamentária para a conclusão de todas as obras da Copa do Pantanal.

Confira os principais trechos da entrevista com o secretário de Fazenda, Paulo Brustolin:

MidiaNews - O senhor poderia explicar a questão do estorno, feito pelo do Banco do Brasil, de R$ 70 milhões pagos nos últimos dias da gestão Silval Barbosa (PMDB)? O que, de fato, aconteceu?

Paulo Brustolin -
O que aconteceu foi que entre os dias 29, 30 e, principalmente, no dia 31 de dezembro, o Banco do Brasil recebeu ordens de pagamento para determinadas empresas, sendo que as do dia 31 vieram com data do dia 30. No dia 31, o Banco do Brasil estava fechado e existe uma formalidade material para que os pagamentos sejam realizados. Você manda o arquivo de modo eletrônico para que o banco pague, mas tem que fazer uma formalidade material para que esses pagamentos ocorram. Ou seja, o secretário-adjunto do Tesouro, ou o secretário de Fazenda, assinam. Ocorre que, já no dia 31, à meia-noite, os ordenadores de despesas não tinham mais senha para o sistema Fiplan. Portanto, no dia 2, o Banco do Brasil não recebeu a materialidade para realizar o pagamento. Em suma, foram enviados aqueles pagamentos de forma equivocada, faltando materialidade para o pagamento ser realizado. O governador Pedro Taques assumiu no dia 1º de janeiro e  essa materialidade não pôde ser materializada no dia 2. Então, o Banco do Brasil se viu obrigado a fazer o estorno, porque a administração passada não deu todo o requisito formal para que aquele pagamento fosse realizado.

MidiaNews - Houve falha nos processos, ilegalidades?

Paulo Brustolin - Foi um processo feito pela metade; um processo muito corrido... E com esse dinheiro saindo da Conta Única do Estado, sem essa materialidade, ele estaria saindo de maneira irregular, sob pena de responsabilização do Banco do Brasil. Então, eles entenderam que deveriam devolver esse recurso, que é de R$ 64 milhões.

MidiaNews - Diante disso, como fica a situação?

Paulo Brustolin -
Agora, com o Governo de posse dessa situação, foi determinada uma auditoria sobre esses pagamentos, sobre todas essas empresas, checando contratos e fazendo uma avaliação de tudo. Vamos avaliar e estudar caso a caso. Porque há pagamentos de empresas com idoneidade, empresas sérias, em que o serviço foi devidamente prestado e o contrato está correto. O que não podemos é nos comprometer em fazer esses pagamentos sem um levantamento criterioso.

MidiaNews - Há suspeitas de irregularidades?

Paulo Brustolin -
Não necessariamente suspeitas. Não quero fazer juízo de valor. Mas, nós precisamos cumprir a legalidade para fazer esses pagamentos. A ideia é auditar caso a caso e, se estiver tudo correto, vamos honrar os pagamentos. Agora, pagamentos com problemas, com indícios de irregularidade, serão dados os destinos adequados dentro do Estado.

MidiaNews - Como está essa auditoria?

Tony Ribeiro/MidiaNews

"Foi determinada uma auditoria sobre esses pagamentos, sobre todas essas empresas, checando contratos e fazendo uma avaliação de tudo"


Paulo Brustolin -
O trabalho já começou, tenho acompanhado junto com o adjunto do Tesouro, Carlos Rocha, com o Auditor Geral do Estado, Ciro Rodolfo Gonçalves, e uma equipe de alto nível que está cuidado deste assunto. Até me pediram para mostrar a lista das empresas, mas há todo um aspecto jurídico nisso, não posso expor essas empresas assim, sendo leviano. Mas vamos analisar caso a caso e, quem estiver com tudo correto, irá receber seu pagamento.

MidiaNews - O comentário é que parte desses valores eram de repasses "fundo a fundo", do Governo Federal, que são depositados automaticamente aos municípios. E que, se o Governo não repassar imediatamente esses recursos, poderá incorrer em apropriação indébita.

Paulo Brustolin -
Foram vários lotes repassados. Para se ter uma ideia, tinham lotes sendo repassados às 22 horas do dia 30, pela gestão anterior. Então, é possível que possa existir um caso desses, não posso afirmar com certeza. Mas, caso exista uma situação dessas, o Governo está trabalhando para deixar tudo dentro da legalidade, tudo totalmente em dia. Não faz parte da política do Governo Pedro Taques ficar com um real de qualquer município. Até porque uma das nossas preocupações é que os municípios recebam em dia.

MidiaNews - O senhor mostrou o extrato da Conta Única do Estado, com saldo de R$ 84 mil deixado pelo ex-governador Silval Barbosa. Ele contestou essa informação, dizendo que, em várias outras contas do Governo, tinham valores que somavam mais de R$ 800 milhões.

Paulo Brustolin -
O nosso objetivo não é polemizar com a posição do ex-governador. O que já dissemos foi que existe a Conta Única do Governo, que é a Fonte 100 do Banco do Brasil. Às 9h45 de segunda-feira, dia 5 de janeiro, foi tirado o extrato dessa conta, que já divulgamos. Ficou demonstrado que tínhamos um saldo de R$ 84.903,03. E qualquer coisa diferente disso, qualquer ilação, qualquer declaração diferente disso, não é deste governo. O nosso governo prestou contas e mostrou o real valor que tinha lá.

MidiaNews - Foi inesperado encontrar esse valor, de R$ 84 mil, na conta do Estado? Qual foi sua reação?

Paulo Brustolin -
Eu fiquei bastante surpreso. Mas, como secretário de Fazenda, e representando os interesses do Estado, minha primeira medida foi comunicar ao governador, baixar a cabeça e trabalhar para mudar a situação. E é o que temos feito todos os dias. Temos trabalhado, em algumas ocasiões, até às 23 horas na Sefaz. E vamos trabalhar com muita austeridade, muita seriedade. Estamos trabalhando ao longo desses 90 dias para criar um 'colchão amortecedor' dentro do caixa do Governo.

MidiaNews - Qual o valor mínimo desse "colchão"?

"Se o Estado tiver somente R$ 1 para investir, esse dinheiro terá que chegar à ponta. E isso significa, também, combate à corrupção."

Paulo Brustolin -
O valor ideal para se ter na Conta Única seria de aproximadamente R$ 500 milhões. Seria o mínimo. Um Estado que fatura até R$ 15 bilhões não pode ter recursos em caixa tão baixos. Até sob pena de comprometer a liquidez e uma série de outras questões. Então, assumimos o Estado em uma situação, respeitamos a gestão anterior, e por isso não queremos polemizar este assunto. Mas, daqui para frente, faremos uma gestão forte de austeridade. Essa vai ser a marca deste Governo; essa foi uma  determinação expressa do governador Pedro Taques.

MidiaNews - O ex-governador também disse que havia deixado R$ 4,5 bilhões, por meio de convênios e financiamentos. E que esses recursos já estão disponíveis. Procede?

Paulo Brustolin -
Nós estamos fazendo uma auditoria em todos os convênios. Já tivemos reuniões em que discutimos a forma como o Estado controla os convênios, e isso é uma coisa importante. Vejo que todos os convênios do Estado precisam ter um controle bem alinhado. Já existe um sistema de controle, mas ele não está 100% confiável. E é preciso ter o controle milimétrico disso, porque muitos desses convênios têm contrapartida do Estado. Ou seja, existem saldos nas contas de convênios, mas uma conta de convênio tem que ter uma contrapartida para ser utilizado. Então, por isso temos uma preocupação de auditar os convênios, estamos olhando isso com lupa. Dentro da Sefaz, por exemplo, estamos olhando, na nossa unidade orçamentária, do maior para o menor. Precisamos, também, dimensionar quais os convênios temos em aberto, quais os saldos, e se esses recursos condizem com a realidade. Agora, esses ditos R$ 4,5 bilhões em saldos de convênios nós não verificamos, não.

MidiaNews - O país vive em meio a um cenário macroeconômico bastante desfavorável, com inflação em alta, queda de arrecadação e um crescimento do PIB praticamente nulo. O que o Mato Grosso pode esperar nesse contexto?

Paulo Brustolin -
Realmente, o cenário macroeconômico não é fácil. O mundo vem vivendo, ao longo dos anos, uma turbulência que se iniciou lá nos Estados Unidos, com a crise em 2008, 2009, e que acabou seguindo para a Europa. Tivemos a crise da Grécia, de Portugal, da Espanha, da Itália, e de alguns países da Europa que tiveram grandes dificuldades. Já o Brasil não sofre um grande impacto dessa crise graças a uma série de políticas internas. Porém, temos uma situação de grandes indicadores represados. Temos a inflação represada em várias áreas, como energia e combustível. Então, vejo 2015 como um ano que teremos que ter bastante austeridade. Tem que ser um ano não somente para a área pública, mas, também, para a privada. É um ano de buscar melhorar a produtividade no país, buscar fazer um pouco mais com menos, essa é a ideia. E do ponto de vista de contas públicas, não é só Mato Grosso, são todos os Estados e a própria União que deverão trabalhar com mais austeridade. Todos somos obrigados a apertar os cintos. O próprio ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, alertou que a previsão de crescimento do PIB é de 0,2%. Então, não podemos esperar um excelente ano de 2015, mas acredito que se bem gerido, o Brasil irá iniciar um novo ciclo de crescimento.

"As medidas implantadas no primeiro dia de gestão já estão surtindo efeito. E a ideia é manter em funcionamento todos os serviços essenciais do Estado"


MidiaNews - Há uma expectativa muito grande da sociedade, em função do que foi pregado pelo governador Pedro Taques, durante sua campanha eleitoral, de se obter melhorias consideráveis que reflitam na vida dos cidadãos. Diante deste contexto crítico, o que poderá, de fato, ser feito?

Paulo Brustolin -
Acredito na grande capacidade de trabalho da equipe que o governador Pedro Taques montou. Temos um time de primeira. Acredito muito no planejamento, que está sendo estabelecido para o Estado. Na Fazenda, temos quatro grandes pilares, por exemplo, que queremos trabalhar. O primeiro será fazer uma revisão na parte de processos e sistemas e gerenciamento, que é importantíssimo para dar segurança aos recursos que o Governo arrecada. O segundo, é aquilo que o Pedro tem falado desde a campanha, e tem servido de lema para todos os secretários: precisamos investir os recursos públicos com austeridade. Se o Estado tiver somente R$ 1 para investir, esse dinheiro terá que chegar à ponta. E isso significa, também, combate à corrupção. O Estado precisa trabalhar aplicando o recurso com muita cautela, com muita segurança.

O terceiro será fazer uma revisão das contas do Estado. Já determinei uma auditoria no Tesouro. O decreto nos dá a possibilidade de auditoria de até 24 meses, mas estamos fazendo uma auditoria focada nos últimos acontecimentos e em processos. O quarto é o pilar que todo empresário espera, que é elaborar um cenário do ponto de vista legal, para que o empresário tenha mais segurança de investir em Mato Grosso. Já falei várias vezes que temos um verdadeiro arcabouço de regras, uma legislação muito complexa. Então, queremos reescrever o código tributário, revisar todo esse normativo jurídico para dar mais segurança aos investimentos em Mato Grosso. Fazendo com que o empresário que esteja em São Paulo, e queira vir investir aqui, gerando empregos, ajudando o Estado a crescer, tenha um ambiente de negócios positivo. Precisamos, no médio prazo, ter um projeto grande em termos de agregar valor. Isso significa termos centro de pesquisas e desenvolvimento. Não podemos ser um Estado unicamente centrado em commodities; e estamos avançando nisso. Vejo que Mato Grosso tem um potencial gigante, mas que precisa de um bom planejamento estratégico, e precisa aplicar os recursos públicos com o máximo de seriedade.

MidiaNews - O Orçamento do Estado prevê R$ 1,8 bilhão de investimentos para 2015. Como implementar políticas públicas, e dar essa dinamicidade ao Estado, com poucos investimentos?

Paulo Brustolin -
Precisamos trabalhar na questão da receita, revisaremos alguns incentivos fiscais e trabalharemos com austeridade na questão do gastos públicos. E, aí, entra a revisão de contratos, a melhor eficiência da máquina. Para isso, todos os secretários estão empenhados em fazer revisão nas suas pastas. Além disso, temos os decretos do governador, ele teve coragem de já no início cortar na carne, são vários cargos comissionados que deixarão de existir, de modo a reduzir a máquina. Todo governador que tem coragem vai fazer isso. Mas, acima de tudo isso, precisamos revisar a estrutura da dívida do Estado, e este será um trabalho que também cabe a mim. Hoje, 23% da dívida de Mato Grosso estão dolarizadas. E, em um cenário de instabilidade, o dólar tende a subir, porque o mundo inteiro busca o dólar como segurança e, por isso, Mato Grosso está exposto. Então, já estamos conversando com várias instituições, vamos começar a conversar com o Governo Federal, para que possamos ter uma composição da dívida mais adequada. Porque o custeio da dívida vai consumir mais de R$ 1 bilhão. E Mato Grosso precisa fazer uma revisão disso e cuidar para não ficar exposto da forma como estamos. O que posso dizer é que existe uma preocupação do Governo Pedro Taques em trabalhar esses três grandes pilares que podem garantir o equilíbrio fiscal.

MidiaNews - O senhor acredita que seja possível melhorar a capacidade de arrecadação do Estado?

Tony Ribeiro/MidiaNews

"Estamos trabalhando ao longo desses 90 dias para criar um colchão amortecedor dentro do caixa do Governo"


Paulo Brustolin -
Acredito. Sou um homem otimista e a minha vida inteira, em todas as dificuldades, me mantive otimista. E vejo Mato Grosso com uma grande potencialidade. Do ponto de vista de maturidade, ainda é um Estado em crescimento em relação a outros, que estão em estágio de maturidade ou declínio. Aqui estamos em estágio de crescimento. São vários os setores de negócio que têm capacidade enorme ainda. Há  muito a ser feito em várias áreas.

MidiaNews - Há algum risco de a folha salarial dos servidores públicos ficar comprometida com essa situação crítica das finanças?

Paulo Brustolin -
Existe um compromisso prioritário para o Governo Pedro Taques que é o respeito ao servidor público. O próprio governador é um servidor público de carreira e o primeiro objetivo do grupo é manter os salários em dia. Disso não abrimos mãos e vamos fazer de tudo para cumprir isso. Nós estamos trabalhando e, ao longo desses primeiros dias de governo, o Estado vem reagindo. As medidas implantadas no primeiro dia de gestão já estão surtindo efeito. E a ideia é manter em funcionamento todos os serviços essenciais do Estado, com prioridade às áreas que cuidam de gente, como saúde, educação e segurança pública.

MidiaNews - Existe preocupação em relação à inadimplência, fraudes e sonegação em Mato Grosso?

Paulo Brustolin -
Existe essa preocupação. E essa preocupação deve se dar em qualquer instituição, seja estadual ou privada. Por isso, enfatizei que estamos fazendo uma auditoria no Tesouro. Não visando abrir uma "caixa-preta", mas algo que possa nos orientar de forma proativa, para saber quais os controles que preciso melhorar, quais são os pontos em que podemos ter uma vulnerabilidade. E esse governo atuará próximo a instituições como o Ministério Público e a Auditoria Geral do Estado. E essa é a ideia, de construirmos juntos. Então, precisamos checar processos, verificar o que está acontecendo e melhorar cada vez mais nesse sentido para evitar problemas. Mas, uma vez verificadas as irregularidades, nós não fugiremos de cumprir todo o nosso papel legal. Esse governo será marcado pela legalidade.

MidiaNews - Há uma outra questão polêmica, relacionada aos fundos existentes em Mato Grosso. Muitos foram usados indevidamente, sendo creditados diretamente na Conta Única do Estado e usados, por exemplo, para pagamento de folha salarial, o que é inconstitucional. Como ficará essa situação?

Paulo Brustolin -
O que posso falar, neste momento, é que conduziremos esta gestão dentro da legalidade. Por exemplo, se existe um dinheiro de um fundo carimbado, esse dinheiro não será usado de forma indevida. Sobre gestões passadas, recebemos o Tesouro no dia 2, quando assumimos de fato a gestão, e estamos fazendo uma auditoria em várias áreas da secretaria, inclusive

"Nós estamos fazendo uma auditoria em todos os convênios. Agora, esses ditos R$ 4.5 bilhões em saldos de convênios nós não verificamos, não."

nos convênios, para que possamos responder para a sociedade com clareza como está isso. Prefiro falar somente após a auditoria completa, até para não falar nada de forma leviana.

MidiaNews - Em relação ao Fethab (Fundo Estadual de Transporte e Habitação), existe uma lei determinando a destinação de 50% aos municípios. Recentemente houve uma decisão judicial contra essa destinação. Como fica essa questão, já que esse fundo arrecada, em média, R$ 900 milhões por ano?

Paulo Brustolin -
O meu posicionamento é legalista e vou respeitar o que a lei determinar. Durante meu mandato à frente da Sefaz, irei cumprir a lei estritamente. A minha equipe técnica, os secretários adjuntos, todos tem o recado de trabalhar dentro da legalidade. Possíveis distorções serão apuradas, levantadas e encaminhadas aos órgãos competentes. Quanto ao Fethab, acredito que é muito importante para o desenvolvimento do Estado, estando dentro do caixa do Estado ou na dos municípios. Mas compete à Secretaria de Fazenda apenas cumprir a lei. O que a Justiça determinar, nós cumpriremos.

MidiaNews - As dívidas de financiamentos relacionados à Copa do Mundo são preocupantes? Qual é o montante total?

Paulo Brustolin -
Isso nos preocupa, sim. A Secretaria de Assuntos Estratégicos, do Gustavo Oliveira, tem todo esse levantamento, já bem aproximado dos valores. Mas é preocupante porque não temos uma previsão orçamentária para terminar essas obras. Então, veja a importância dos três pilares que disse: o pilar da receita, o pilar da austeridade, e o pilar da revisão do impacto do custeio da dívida. Com esse tripé bem gerenciado é que teremos capacidade de investimento.

MidiaNews - Então, provavelmente não haverá como terminar essas obras?

Paulo Brustolin -
Na totalidade, não temos previsão orçamentária. Então, serão definidas prioridades.

MidiaNews - O VLT seria uma dessas prioridades?

Paulo Brustolin -
Creio que a Sefaz não é a secretaria mais adequada para responder sobre o VLT. Tem todo um estudo na Secretaria de Assuntos Estratégicos. Mas posso dizer que se for determinado que o VLT é um projeto prioritário para o Estado, nós concentraremos todos os esforços nele. Então, isso dependerá muito do alinhamento das secretarias.

MidiaNews - A dívida total do Estado está estimada em R$ 6,4 bilhões. Como avançar com esse peso nas costas?

Paulo Brustolin -
Ainda temos o déficit estimado com os restos a pagar, que poderá chegar a R$ 1 bilhão. Esses levantamentos ainda estão sendo feitos. Quando a auditoria concluir seus trabalhos teremos a certeza. Mas isso influência bastante o orçamento do Estado. O que podemos afirmar é que já encontramos vários esqueletos da gestão passada ao longo do tempo. Por exemplo, a Unemat, estava com a luz atrasada, com água atrasada, telefone atrasado, internet cortada e com refeição cortada. E, nesta segunda-feira (12), começam  as aulas para a comunidade indígena. Tivemos que garantir que, na segunda, a

"Vejo Mato Grosso com uma grande potencialidade. Do ponto de vista de maturidade, ainda é um Estado em estágio de crescimento em relação a outros "

Unemat esteja em pleno funcionamento. Outra situação que encontramos é o Mato Grosso Saúde, em que os fornecedores estão desde setembro com o pagamento em aberto.

MidiaNews - No caso da Unemat, a gestão anterior deixou de repassar R$ 2,4 milhões em dezembro.

Paulo Brustolin -
Exato. A reitora e o vice-reitor estiveram aqui colocando a situação de caos em que se encontravam as contas da Universidade e impedindo, inclusive, o funcionamento na próxima segunda-feira. Mas ela estará funcionando porque tivemos essa medida emergencial.

Não sei precisar o exato número do que não foi repassado. O que posso dizer é que tínhamos conta de água, luz e telefone sem pagar há mais de três meses. E isso está acontecendo, como temos analisado, em várias áreas do Estado, como segurança, por exemplo. Mas nós estamos fazendo esse levantamento de tudo o que foi liquidado e não pago em todas as secretarias, que são os restos a pagar do governo 2014.

MidiaNews - Qual a sua avaliação sobre a eficácia da Lei Kandir. O senhor acredita que é viável para Mato Grosso continuar com a desoneração do agronegócio, sem que o Governo Federal respeite as contrapartidas previstas, como o fundo de compensação e o Fex (Fundo de Fomento às Exportações)?

Paulo Brustolin -
A Lei Kandir é objeto de discussão antiga e é uma discussão que passa por um ente federativo. Existe, hoje, no Brasil um jogo de forças em que, na minha opinião como cidadão, alguns Estados se sobrepõem em relação a outros. Acredito que Mato Grosso precisa lutar para defender os seus interesses e eu, enquanto secretário da Fazenda, vou lutar para defender esses interesses. Por exemplo, com relação a alguns fundos para o setor, como o Fex. Temos um recurso de 2014 que não entrou e que deverá entrar em 2015, que são aproximadamente R$ 300 milhões. Não entrou e provavelmente foi por uma dificuldade no fechamento das contas públicas do Governo Federal. No ano passado eles aprovaram uma lei, a toque de caixa, no Congresso, porque o Governo não conseguiu cumprir o planejado. Mas nós, aqui em Mato Grosso, pretendemos trabalhar de forma forte com a Lei de Responsabilidade Fiscal.


Tony Ribeiro/MidiaNews

"Tenho um pouco de sonhador, mas tenho um pouco de realizador. E aceitei esse desafio porque acredito que é possível."

MidiaNews - Qual sua opinião sobre os  polêmicos incentivos fiscais em Mato Grosso? Há distorções? A estimativa é de que Estado tenha deixado de arrecadar R$ 1 bilhão em 2014.

Paulo Brustolin -
Gostaria de ressaltar que é a Fazenda que recebe os reflexos de incentivos mal dados. Então, estamos trabalhando em conjunto com o secretário de desenvolvimento econômico, Seneri Paludo. Não sou contra esses incentivos. Mas, sim, que haja critérios claros. Precisamos desenvolver o Estado nas regiões com o ponto de vista estratégico, a indústria também precisa ter o seu incentivo fiscal, porque a grande maioria dos empreendimentos têm um custo afundado. Então, o que sou contra são aqueles incentivos fiscais que não cumprem o seu papel social e, para isso, estamos tomando medidas, fazendo revisões.

MidiaNews - O senhor é oriundo da iniciativa privada. Como recebeu o convite para assumir a Secretaria de Fazenda?

Paulo Brustolin -
Eu falei para a minha família que via a possibilidade, com o Governo Pedro Taques, de uma grande mudança no Estado de Mato Grosso, por meio de uma equipe que trabalha com ética, com transparência e em prol do cidadão. Como o governador Taques fala: cuidando de gente. E eu saí de uma posição muito confortável como executivo, porque precisava estar, neste momento, do lado do governador. Acredito no projeto do Taques. Há vinte anos escolhi Mato Grosso para viver e chegou a hora de dar a minha contribuição ao Estado. Sei dos riscos que corro, sei das dificuldades que vou enfrentar - e que já estou enfrentando. Mas a vontade é muito grande de fazer, de realizar, de ajudar a construir uma sociedade melhor. E o nosso governador conseguiu montar uma equipe que está com esse espírito. Queremos criar um ambiente competitivo para o Estado, fazê-lo crescer, dar um salto de qualidade, trabalhar pela moralidade da coisa pública. Acredito que isso é possível. Tenho um pouco de sonhador, mas também de realizador... E aceitei esse desafio porque acredito que é possível. Enquanto eu tiver a certeza que estamos neste caminho, o governador Pedro Taques poderá contar 100% comigo. Porque é um projeto de governo no qual pretendo me orgulhar no futuro.



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COMENTÁRIOS
14 Comentário(s).

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GEPETO  20.01.15 10h30
Quer aumentar a arrecadação, basta cobrar quem deve ICMS, a Prefeitura está protestando os inadimplentes "maus"Os micro empresários se matam para pagar os impostos, e no entanto quem sonega são os grandes. É bom tirar um extrato dos inadimplentes, tem muito dinheiro parado por aí.
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pedro  18.01.15 22h04
pedro, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas
Marcelo de Menezes  15.01.15 11h42
Tiver o prazer e honra de ser comandado pelo secretário. Tenho absoluta certeza que o Estado tem muito a ganhar com sua competência, ética e transparencia.
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victor vinicius  14.01.15 14h27
Gostaria de saber do Secretario porque até o momento os valores de despesas e receitas não aparecem no FIPLAN, essa ferramente que os cidadãos usam para saber onde são aplicados os valores pagos em impostos.
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paulo amaral de souza  13.01.15 21h54
Se for olharas contas de convênio vai ver que não existe toda esta dinheirama, porque o que está no FIPLAN é tudo furado, tem conta que tem saldo no FIPLAN, mas no banco mesmo não tem nada, são feitos pagamentos através de Ordem Bancária do Sistema SINCONV do Governo Federal, mas que não está regularizado no Sistema FIPLAN ou seja, não foi uma Ordem de Pagamento(de regularização) no FIPLAN, então quem consulta só o FIPLAN parece que tem saldo na conta corrente(contabilidade) no entanto, no banco(extrato bancário) o dinheiro já era, e muitas vezes não está nem registrado na conciliação bancária.
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