Cuiabá, Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019
"FORMIGA NA BOCA"
09.02.2019 | 10h30 Tamanho do texto A- A+

Testemunha da Sangria diz ter sofrido ameaças via WhatsApp; veja

"O seu está guardado", diz uma das mensagens; dois dias após a operação ser deflagrada

Alair Ribeiro/MidiaNews

Operação foi deflagrada pela Defaz em dezembro do ano passado

CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

O ex-diretor administrativo da empresa ProClin, Marco Aurélio Carvalho Cortes, registrou um boletim de ocorrência denunciando uma ameaça recebida por mensagem de WhatsApp, após a deflagração da Operação Sangria. 

 

A mensagem foi recebida no fim da tarde de 6 de dezembro, dois dias após ser deflagrada a primeira fase da operação. A ação policial apurou irregularidades em contratos de prestação de serviços médicos hospitalares referentes ao grupo de empresas Proclin, Prox e Qualycare.

 

Na mensagem, o interlocutor questiona: "Você acha que vai ficar barato para você? Quem abre a boca demais acorda com formiga na boca".

 

Em seguida, Marco Aurélio questiona: "Quem?". E o interlocutor encerra: "Estou na frente do edifício Alvorada. Conhece? O seu tá guardado se continuar a falar".

Reprodução

Ameaça - Sangria

Mensagem de WhatsApp anexada ao processo relativo à Operação Sangria

 

O boletim de ocorrência foi confeccionado na Polícia Civil no dia 7 de dezembro e consta na ação penal resultante da operação, oferecida pelo Ministério Público Estadual no dia 28 de janeiro e acatada pela Justiça três dias depois.

 

Em depoimento à Delegacia Fazendária, no dia 21 de dezembro, o ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Huark Douglas Correia - um dos alvos da operação -, foi questionado sobre a ameaça pelo WhatsApp. Em resposta, alegou que as mensagens não foram enviadas do celular dele.

 

"Respondeu que não, que esse número de telefone não pertence ao interrogando, e que o maior interessado em lhe prejudicar seria ele mesmo Marco Aurélio Cortes”, diz trecho do depoimento.

 

O ex-secretário de Saúde conta que ficou sabendo que Marco Aurélio Cortes saiu do grupo de empresas “porque ouviu dizer que ele tinha caráter duvidoso”.

 

“Mas pelo que sabe não foi feito uma apuração sobre sua conduta enquanto trabalhou na empresa. Que não chegou a fazer qualquer tipo de ameaça à pessoa de Marco Aurélio Cortes”, consta no depoimento.

 

Testemunha do processo

 

Cortes foi uma das principais testemunhas do caso. Em depoimento prestado à Delegacia Fazendária, por exemplo, ele relatou ter efetuado um pagamento periódico de R$ 20 mil em propina ao ex-secretário de Estado de Saúde, Jorge Lafetá. 

   

Ele ainda contou que os pagamentos mais robustos eram referentes aos contratos da ProClin e Qualycare – ambas do grupo das quais Huark seria um dos sócios ocultos - com os hospitais São Benedito, na Capital, e Metropolitano, em Várzea Grande.

  

Operação Sangria

 

A primeira fase da operação foi desencadeada no dia 4 de dezembro, apenas com o cumprimento de mandados de busca e apreensão.

 

A segunda fase foi deflagrada no dia 18 de dezembro e cumpriu oito mandados de prisão.

 

Os mandados foram expedidos após a Defaz constatar que o grupo teria destruído provas e apagado arquivos de computadores para dificultar as investigações, além de ter feito ameaças a testemunhas.

 

Foram presos o ex-secretário municipal de Saúde, Huark Douglas Correa - que seria o líder do esquema; Luciano Correa Ribeiro; Fábio Liberalli Weissheimer e sua mãe Celita Natalina Liberalli; Adriano Luiz Sousa; Kedna Iracema Fonteneli Servo e Fabio Alex Taques Figueiredo. O acusado Flávio Alexandre Taques da Silva, foi preso dias depois. No entanto, todos já encontram-se em liberdade.

 

Na semana passada, a Justiça acatou a denúncia e transformou o grupo em réu. Eles respondem à ação penal pela acusação de integrar organização criminosa e embaraço à investigação.

 

O grupo é suspeito de monopolizar os serviços da Saúde no Estado há 14 anos, por meio de influência política e econômica, oferecendo propinas, fraudando processos licitatórios e superfaturando contratos administrativos.

 

Leia mais sobre o assunto:

 

Testemunha diz que ex-secretário recebia R$ 20 mil por contrato

 

Ex-secretário de Saúde, sócio e mais 5 são presos em operação

 

 




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