Cuiabá, Segunda-Feira, 22 de Abril de 2019
GILSON NUNES
08.02.2019 | 07h51 Tamanho do texto A- A+

A forma ilícita

O Brasil entrou na onda dos novos tempos e tornou-se moda falar em crise

Quando é que percebemos que a forma é ilícita? Quando deparamos com a necessidade de transmitir aquilo que não é correto, onde vai prevalecer a mentira, a malandragem, o uso inadequado da mídia imoral, e, enfim, fazer aquilo que o subconsciente e o coração não querem. A pergunta é capciosa, mas a resposta simples e objetiva.

 

O mundo de hoje anda nas nuvens. Para se ter uma ideia, basta observarmos o jovem de hoje em dia: ele adota, como moda, calças jeans rasgadas, beber energético para ficar ligado, antenado, etc... Mas, o que a ele importa, é fazer com que a sua cabeça viaje por sonhos lunáticos coloridos, ilusórios, e, muitas vezes, febris. Qual é o mundo que eles querem afinal?  Nada a acrescentar. Pior: nada de real, de palpável, de lógico ou de preocupação com o amanhã, uma vez que o hoje é só fantasia. 

 

A ideia é colocar o pensamento em total atividade. Vibrar com as conquistas, e erguer a cabeça enquanto o desconforto da derrota incomodar o cérebro. Todavia, viver o hoje é o mesmo que tornar presente o ontem, sem subestimar o futuro. A verdade do pensamento é o esteio da performance que o bem-querer deseja, prega e, se duvidar, suplica.

 

Na fase adulta, a forma ilícita é cruel. Não há sonhos lunáticos. Não há pormenores na clave de sol, nem na clave da lua. Há sim, a falta de um olhar para o futuro, aonde o conjunto da obra não visa o comunitário, o social de forma igualitária. A transparência não é refletida no espelho aonde a luz não enxerga os olhos da sociedade. 

 

Na fase adulta, a forma ilícita é cruel. Não há sonhos lunáticos. Não há pormenores na clave de sol, nem na clave da lua

Os pés no chão da lucidez consiste em saber ouvir o outro. O “dar e receber” mútuo é o mesmo saber se emocionar com as alegrias e com as tristezas que continuamente o cotidianamente convoca. Portanto, por que usar de formas ilícitas para tentar se dar bem, à frente dos outros? As frases “... aqui se faz, aqui se paga”, ou, para quem é espirita, “Não existe outro inferno, senão aquele que se busca para si mesmo”, deixaram de ser filosofia ou pensamentos doutrinários, para serem um conselho de vida que encaixa em todas as pessoas de todos os signos.  

 

Desde que a palavra “transparência” passou a ser a bíblia dos malfeitores, dos indignos, dos intransigentes, arrogantes e oportunistas, pilantras, a transformação do mundo tem perdido sua lógica para alimentar o rancor, o tédio, a decepção e buscar outros conceitos dos quais se possa conviver e acreditar. Por falar em acreditar, a palavra ilícita ocorre em ambientes escusos, escuros, aonde o ambiente não consta no mapa da verdade.

 

A verdadeira transparência que se prega nos dias de hoje é o substrato do cinismo, do falso moralismo, e da falta de personalidade de uma minoria sorridente, porém, inconveniente. A forma ilícita é mais visível nos ambientes aonde os capítulos do script enfatizam que os protagonistas do teatro são personagens obcecados pelo poder. Para eles o motivo da transformação faz parte da modernidade de um mundo que se desglobaliza. “Meu Deus, perdoai-os, eles não sabem o que fazem”.  

 

O Brasil entrou na onda dos novos tempos, e tornou-se moda falar em crise, sem a mínima responsabilidade de seus atores, fazendo ilustrar a paródia, interpretando a onda do desdém, diminuindo o “outro” com a desculpa de atender o contexto da qual a bandeira desconhece.

 

GILSON NUNES é jornalista.

 




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