Cuiabá, Segunda-Feira, 20 de Maio de 2019
EDUARDO PÓVOAS
24.04.2019 | 07h45 Tamanho do texto A- A+

As barcas “pêndulo” e “gasolina”

A travessia se fazia em cinco ou dez minutos com o rio cheio e mais correntoso

Nas primeiras décadas do século, muitas coisas davam notas pitorescas à Cuiabá.

 

Uma delas era a barca “Pêndulo” que fazia a travessia do Rio Cuiabá, ligando o primeiro (a cidade propriamente dita) e o segundo distrito (o bairro do porto) ao terceiro distrito, que era Várzea Grande.

 

Ali se fazia travessia de automóveis, e até mesmo carroças que se destinavam a Livramento, Poconé e até Cáceres.

 

A barca como simplesmente a chamavam, funcionava entre o Mercado do segundo distrito (Mercado do Peixe ainda existente) e uma rampa que existia especialmente construída para ela, ao lado do Clube Náutico. Era montada sobre dois flutuantes e segura a um grosso cabo de aço que ia de um lado ao outro do rio. Tinha uma cobertura e banco para passageiros na parte traseira e na dianteira descoberta reservada a veículos e cargas.

 

Poderia a Prefeitura proporcionar a saudosistas como eu, nos 300 anos da cidade, a oportunidade de rever essa cena da travessia para Várzea Grande e a chegada da carne que abastecia a cidade por uma réplica dessas embarcações, terminando com um rasqueado espetacular na Orla do Porto

A grande demora era para carregar e descarregar a barca, pois a travessia se fazia em cinco ou dez minutos com o rio cheio e mais correntoso.

 

Seu proprietário era o Coronel Benedicto Leite de Figueiredo, mas conhecido como Coronel Didito, simpático e chefe de uma família de projeção social e política em Cuiabá.

 

Seus empregados que manobravam a barca recebiam ordens de José Felix preto sério e bom como poucos. O Cel. Didito e José Felix divertiam com seus vastíssimos repertórios os passageiros.

 

Na margem direita do rio, em frente ao Clube Náutico tinha um banco da areia que vez ou outra, a barca encalhava e necessário se fazia os tripulantes se jogarem no rio e com pás remover a areia que prendia a barca.

 

Na cheia era o inverso. Às vezes o cabo não aguentava a barca e se rompia, descendo rio abaixo com gente, carros e carroças. 

 

Quem da beira do rio sobe a Avenida 15 de novembro logo após as costas do Atacadão, encontra a direita uma rua que dava entrada ao antigo bairro Ana Poupino, e logo após tinha uma ponte de madeira que se chamava Ponte do Matadouro, que dava acesso ao primeiro matadouro municipal, que existiu em Cuiabá. Anos mais tarde foi fechado e demolido, construindo-se outro na margem direita do rio próximo hoje da Sadia.

 

Desse novo matadouro saia as cinco da tarde uma barquinha de madeira rebocada por uma pequena lancha (Gasolina como a chamavam), trazendo a carne abatida para o abastecimento da cidade.

 

Poderia a Prefeitura proporcionar a saudosistas como eu, nos 300 anos da cidade, a oportunidade de rever essa cena da travessia para Várzea Grande e a chegada da carne que abastecia a cidade por uma réplica dessas embarcações, terminando com um rasqueado espetacular na Orla do Porto. Que tal?

 

Tudo isso faz parte da poesia e do encantamento de uma cidadezinha de pouco mais de trinta mil habitantes na qual todos se conheciam, todos se estimavam e,  o espirito de solidariedade era uma realidade.

 

Só quem viveu aqui sabe que Cuiabá te hipnotiza de amor.

 

EDUARDO PÓVOAS é odontólogo.




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