Cuiabá, Quarta-Feira, 24 de Abril de 2019
PERCIVAL PUGGINA
13.04.2019 | 08h34 Tamanho do texto A- A+

"O Brasil entre Armas e Livros"

A esquerda brasileira se acha dona dos direitos autorais sobre a História brasileira

Tão logo teve anunciada sua projeção para o dia 31 de março, o filme 1964 – O Brasil entre armas e livros, produzido pelo Brasil Paralelo, causou enorme indignação em muitos meios de comunicação. Indignação do tipo que faz os dentes rilharem, causa pesadelos e contraturas musculares, dá cefaleia e dor no ciático. Coisa séria mesmo.

 

 

Há muito tempo tem-se a impressão de que a esquerda brasileira é proprietária dos direitos autorais referentes à interpretação e descrição dos acontecimentos históricos em geral e  aquele período em particular.

 

É por não admitirem esse tipo de “invasão de propriedade” que são contra o Escola Sem Partido e a favor do absolutismo monárquico em sala de aula. A história que se conta define o que se pensa sobre o presente e o futuro. Capice?

A simples ideia de que o Brasil Paralelo pudesse aparecer com algo diferente foi vista como usurpação abominável

A simples ideia de que o Brasil Paralelo pudesse aparecer com algo diferente foi vista como usurpação abominável. A Rede Cinemark, que passaria a exibir comercialmente o filme após a estreia nacional, desistiu de fazê-lo.

 

O Globo produziu extensa matéria que mereceria ser estudada em curso de Jornalismo mostrando como se faz uma reportagem para desacreditar seu objeto mediante termos vagos, expressões dúbias, e entre aspas que valem por uma negação do que se destaca. E tudo sem parecer que se está fazendo exatamente isso.

 

Pois bem, no dia 31 de março, a pré-estreia ocorreu em diversas capitais do país. A partir daí tornou-se impossível negar-lhe o apego aos fatos e o desapego às paixões políticas neles envolvidas. É um documentário sobre conteúdo político explosivo, sério e honesto como a esquerda nunca viu.

 

Horas após a rede Cinemark haver suspendido a projeção comercial do filme, a direção do Brasil Paralelo determinou sua disponibilização pelo YouTube. E foi o que se viu: dois milhões de visualizações em 24 horas e 4,8 milhões nesta noite de quarta-feira em que escrevo. A mesma imprensa que se alvoroçou em desacreditar o documentário antes de assisti-lo, agora silencia para não ampliar sua propagação e suas visualizações.  Por quê?

 

Porque o filme é honesto, bate recordes de público, enterra narrativas oportunistas e mentirosas que descolam os acontecimentos de seu tempo histórico e das circunstâncias em que aconteceram.

 

Parabéns à direção do Brasil Paralelo pela decisão e pelo merecido sucesso da obra que produziu. O documentário incomodou duas vezes a Globo. Primeiro pelo que seus palpiteiros supuseram a respeito do filme e, segundo, pelo êxito alcançado. Êxito para o qual, de certo modo, seus detratores contribuíram.

 

PERCIVAL PUGGINA é arquiteto e escritor




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DARWIN DE SOUZA PONTES  13.04.19 14h54
Grande Puggina, um dos melhores representantes atuais no conservadorismo brasileiro contenporâneo! Belo texto sobre a manipulação que tem ocorrido na cultura e história desta nação. O documentário em si Brasil entre armas e livros é uma bela releitura de nossa história, não sobre o olhar parcial e vil daqueles que somente querem defender suas posições sob quaisquer custos, mas sobre o que foi necessário àquele momento de nossa história. Não viramos Cuba, e, com a graça de Deus e o espírito vivificante das novas mídias, não nos tornaremos a Venezuela também. A rede Globo, decerto é, pareada ao PT, o maior mal atualmente no Brasil, mas esse grande povo brasileiro, está despertando, e isso é maravilhoso! Deus abençoe nossa grande nação! Parabenizo o Midianews por replicar o artigo deste conceituado escritor.
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