Cuiabá, Quinta-Feira, 25 de Abril de 2019
RENATO FILHO
13.04.2019 | 08h37 Tamanho do texto A- A+

O Datafolha e o pacote de Moro

Instituto formulou perguntas absolutamente dissonantes daquilo que se deseja saber

Não me coloco entre aqueles que veem conspiração em todas as publicações, reportagens ou pesquisas realizadas pelos meios de comunicação críticos do atual governo.


Faz parte da democracia e é função da imprensa publicar sua opinião, a favor ou contra quem quer que seja, inclusive sobre os políticos do momento.


A crítica e a liberdade de expressão são essenciais.


No entanto me pareceu muito fora do contexto a pesquisa Datafolha, mostrada pelo jornal Folha de São Paulo no último dia 10. 


Sob o pretexto de avaliar se os brasileiros apoiam ou não o pacote anticrime do ministro Sergio Moro, o instituto de pesquisas elaborou perguntas absolutamente dissonantes daquilo que se deseja saber.


Por exemplo, a pergunta: "A sociedade brasileira seria mais segura se os policiais matassem mais suspeitos de crimes?", não tem nenhuma relação com o objeto do Pacote. Obviamente que o Ministro não tem a intenção de estimular a matança de bandidos na sua proposta. A ideia é ampliar o principio de excludente de ilicitude em casos específicos. Se o policial cometeu um assassinato não enquadrado nesse excludente, será punido pela Lei. 


A pergunta feita pelo pesquisador, nem de longe, permite concluir se os brasileiros são a favor ou contra a verdadeira proposição.


Outra pergunta: "Policiais deveriam ter mais liberdade para atirar em suspeitos mesmo que isso possa atingir inocentes"?,  também distorce sobremaneira a ideia do pacote Anticrime. Não há, em nenhum ponto da proposta, a determinação para o policial atirar em bandido, caso haja algum civil em risco. Um policial que atinja um civil continuará sujeito às penas da Lei, caso tenha agido contra o protocolo estabelecido pela instituição a que pertence. 


Aqui também a pesquisa não tem nenhuma finalidade: será que existe alguém de bom senso, que seja favorável a expor a risco de morte um inocente?

 

Fico me perguntando: porque um instituto como o Datafolha, com larga experiência na área, faria uma pesquisa tão desconexa do objeto a ser pesquisado?

 

Penso que pode ter sido puramente um erro, que passou despercebido pela edição; pode ter sido desconhecimento real do pacote anticrime, ou, de repente, mais uma manifestação do viés esquerdista que parece prosperar entre os jornalistas deste jornal.  


É bem possível que tenha sido uma atitude proposital com a intenção de induzir a população a rejeitar o pacote do Ministro Moro.

 

Jornais são empresas independentes que podem manifestar-se como bem entender, desde que cumpram as leis. Cabe ao leitor escolher os que lhe parece mais confiável.

 

RENATO FILHO é empresário




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