Recebi documento do Sindicato Rural de Poconé, assinado pelo presidente da entidade. Fala em nome dos pantaneiros. Mostra que está havendo estudos sobre aquele bioma, feitos por ONGs, por grupos de trabalhos especificos ou universidades do país ou do exterior. Fala que não são contra esses estudos sobre o Pantanal. O que pedem é que sejam ouvidos também. Que estão ali por muito tempo e tem experiências para serem trocadas. A base do documento é este: querem ser ouvidos.
Falam que o Pantanal é a casa deles, que nasceram ali. Convivem por mais de 300 anos naquele ambiente. Que apenderam muito em cima de muito sofrimento e crises financeiras. Que a atividade econômica que não destrói o Pantanal é a criação extensiva do gado. Que, mesmo com grande conhecimento local nessa área, foram esquecidos pelos governos e entidades do meio ambiente.
Seu gado, passando por tantas dificuldades, não consegue competir para venda com outros de outros lugares do estado. Que ficaram por fora de todos financiamentos para essa área. Complementam ainda dizendo que as leis ambientais estariam passando por cima deles como se fossem os destruidores do Pantanal.
Falam ainda sobre os incêndios no Pantanal. Insistem que o boi ali é um dos meios para se combater incêndios. Que o mato seco se acumula e se não houver meio de ser consumido, se vier o fogo, a coisa se complica.
Vai em frente com essa questão de incêndio e enumera motivos porque isso ocorre. Que os visitantes do Pantanal, chamam assim, usariam fogo para espantar mosquitos ou desorientar abelhas. Também pescadores locais ou de fora usam fogo em diferentes momentos. Que eles não podem vigiar tudo isso e que uma fagulha pode provocar um grande incêndio e inclusive atingir lugares distantes. Chamam isso de “o perigo do fogo”.
Eles fazem, no final do documento, suas reivindicações. Projeto de educação ambiental para turistas, ribeirinhos e para eles também. Leis ambientais adequadas para o Pantanal e não importadas. Linha de crédito especifica para reposição de rebanho e pastagens. Acesso às pesquisas sobre o Pantanal. Criação do “selo pantaneiro” para a carne bovina dali. Um projeto para proteger o gado como já é feito com o cavalo pantaneiro. Formação de um batalhão do corpo de bombeiros para o Pantanal e com “equipamentos específicos”.
Depois de exposto o que pensam os Pantaneiros é necessário citar um projeto em andamento com a intenção de ouvir os pantaneiros sob a coordenação do Wilson Santos. Já foi ao Pantanal por duas vezes antes e começa uma terceira etapa neste mês ainda.
O que este projeto e outros levantarem junto aos pantaneiros deveria ser mostrado para a sociedade para que, em conjunto, governos, Ongs do Brasil e de fora, Universidades, possam fazer um trabalho de preservação ambiental, social e cultural de algo muito importante para MT e o Brasil. E os pantaneiros deveriam ter sim interesses em serem ouvidos e reclamarem mesmo se isso não ocorrer.
Alfredo da Mota Menezes é analista político.
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