Cuiabá, Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019
CANDIDATO AO TCE
11.02.2019 | 18h35 Tamanho do texto A- A+

Juiz cita preparo e não crê que órgão será “puxadinho” da AL

"Penso que o Legislativo terá a maturidade de encampar nomes que tenham aptidão técnica", disse

Reprodução

O juiz Mirko Vicenzo (detalhe), que pleiteia indicação ao Tribunal de Contas

CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

O juiz Mirko Vincenzo Giannotte, da Vara Especializada da Fazenda Pública da Comarca de Sinop (500 km de Cuiabá), confirmou nesta segunda-feira (11) que está articulando sua indicação ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).

 

A vaga – que pertencia ao ex-conselheiro Humberto Bosaipo - estava sub judice desde 2014 e foi "destravada" pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão proferida no último dia 31 de janeiro.

 

Após a decisão, diversos nomes passaram a pleitear a indicação que cabe à Assembleia Legislativa.

 

Não acredito que esteja arraigada essa ideia – que todos falam – de que o TCE será mais uma vez um ‘puxadinho’ da Assembleia”

“Houve uma lembrança ao meu nome, fiquei muito feliz e não poderia ser diferente. A partir daí, entendi que seria válido entrar nessa disputa. De fato, estou na disputa e pretendo que ela seja bastante salutar, igualitária”, disse o magistrado, em entrevista ao MidiaNews.

 

Mirko afirmou que a existência de dois deputados candidatos – Guilherme Maluf (PSDB) e Sebastião Rezende (PSC) – não implica em desvantagem à sua candidatura.

 

“Todos os candidatos são legítimos, desde que obedecidos os ritos da Assembleia. O Brasil vem passando por um processo de depuração enorme e, em Mato Grosso, não é diferente. Então não acredito que esteja arraigada essa ideia – que todos falam – de que o TCE será mais uma vez um ‘puxadinho’ da Assembleia”, afirmou o juiz.

 

Segundo ele, por muito tempo criou-se um estigma de que, por se tratar de uma indicação do Legislativo, a cadeira deveria ser ocupada por um político.

 

“Quando falamos em regras por vaga, durante muito tempo foi traduzido que essa vaga seria de um político. Isso foi interpretado numa mesmice, mas vejo que a Assembleia vai votar um rito – o que já é algo importante – e penso que o Legislativo terá a maturidade de encampar nomes que tenham aptidão técnica”, disse.

 

Mirko admitiu também que já vem mantendo conversas com alguns parlamentares, de modo a trabalhar sua indicação.

 

Penso que o Legislativo terá a maturidade de encampar nomes que tenham aptidão técnica

“A gente recebe não, mas recebeu muitos sim. Estamos trabalhando nosso nome, mas não há nada definido. Me perguntaram se já fiz contagem. Não faço contagem. Antes de mais nada a gente mostra nossas intenções e o que nos levou a embarcar nessa disputa”.

 

Preparo

 

Ao MidiaNews, o juiz Mirko Vincenzo afirmou ainda entender que o cargo de conselheiro do TCE se trata de uma carreira da Magistratura. Haja vista que o Código de Organização Judiciária de Mato Grosso entende por magistrados “desembargadores, juízes de direito e conselheiros do TCE”.

 

Ele afirmou que se sente preparado para ocupar o cargo, especialmente por toda a sua trajetória na Magistratura. Somente na Vara da Fazenda Pública, ela cita dez anos de atuação.

 

“Por onde passei, em todas as comarcas em que estive, fui ordenador de despesas e estive à frente da gestão pública como diretor do Foro. Essa familiaridade com as despesas públicas, evidentemente, tenho. Tenho MBA em Gestão do Poder Judiciário, pela Fundação Getúlio Vargas. Enfim, são coisas que nos gabaritam”, disse.

 

“É uma missão que refleti durante o final de semana e comecei a correr atrás dessa missão”, concluiu.

 

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AUREMÁCIO CARVALHO  12.02.19 09h13
Em Mato Grosso e no Brasil, em geral, a vaga do TCE sempre foi premio de consolação para político fracassado nas urnas ou parentes- mulher, filho/a. Nunca se olhou o critério da competência técnica. Dificilmente, vai mudar. Devia ser preenchida por concurso público de provas e títulos, não por conchavos.
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Nascimento  12.02.19 03h41
Eita empreguinho bom, se até um juiz quer trocar, mesmo perdendo poder.
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Milton Ribeiro  11.02.19 20h28
E preparado, é novo! E capacitadissimo, professor Mirko, estamos torcendo para que isto ocorra, é uma pena a Magistratura te perder, mas entendemos que o controle externo neste momento de crise moral precise mais de pessoas sérias!
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