Cuiabá, Terça-Feira, 21 de Maio de 2019
SANGRIA NA SAÚDE
20.12.2018 | 14h12 Tamanho do texto A- A+

Testemunha diz que ex-secretário recebia R$ 20 mil por contrato

Polícia Civil deflagrou operação para investigar grupo que visava o monopólio na saúde em MT

Reprodução

O ex-secretário de Estado de Saúde, Jorge Lafetá, que é investigado pela Defaz

CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

O ex-diretor administrativo da empresa ProClin, Marco Aurélio Carvalho Cortes, revelou, em depoimento prestado à Delegacia Fazendária, o pagamento periódico de R$ 20 mil em propina ao ex-secretário de Estado de Saúde, Jorge Lafetá.

 

Lafetá, que é médico e foi secretário na gestão de Silval Barbosa, é um dos investigados da Operação Sangria, cuja primeira fase foi desencadeada no dia 4 de dezembro e a segunda nesta terça-feira (18).

 

Além de Lafetá, o ex-secretário de Saúde de Cuiabá Huark Douglas Correia também é investigado e foi preso pela Defaz na terça, junto com outras seis pessoas. Não houve ordem de prisão contra Lafetá. 

 

“No período em que trabalhou na empresa, [os contratos com o Governo] eram mantidos com o pagamento de propina à pessoa de Jorge Lafetá. Disse que para cada contrato era paga a importância de R$ 20 mil de propina”, consta no depoimento de Cortes, que é testemunha no caso. 

 

Ainda segundo Cortes, os pagamentos mais robustos eram referentes aos contratos da ProClin e Qualycare – ambas do grupo em que Huark seria um dos sócios ocultos - com os hospitais São Benedito e o Hospital Metropolitano, em Várzea Grande.

 

[Os contratos com o Governo] eram mantidos com o pagamento de propina à pessoa de Jorge Lafetá. Disse que para cada contrato era paga a importância de R$ 20 mil de propina

No depoimento, Cortes revelou que chegou a imaginar que a propina paga a Lafetá seria vitalícia, uma vez que, segundo sua versão, o ex-secretário continuou recebendo os repasses mesmo depois de acabar a gestão Silval, e ele sair da secretária em 2014.

 

No entanto, ele conta que foi informado em reunião que a propina era paga enquanto durasse o contrato.

 

"Chegou a pensar que se a propina era vitalícia, porque Jorge Lafeta saiu do cargo, ao que foi esclarecido em uma reunião que a propina acompanha a vigência do contrato; afirma que por diversas vezes Jorge Lafeta esteve em reunião na sede da ProClin em uma sala da Santa Rosa Tower, para tratar do pagamento de propina", consta em documento da Polícia Civil.

 

Em outro trecho, ele relatou que Lafetá foi por diversas vezes ao escritório da ProClin, no Edifício Santa Rosa Tower, exigir o pagamento da pagamento da propina. Foi então que, por sugestão dele, câmeras de filmagens foram instaladas na sala de reunião.

 

"Por este motivo o declarante orientou aos seus patrões que instalassem câmeras na sala de reunião. [...] Por cinco ou seis vezes participou destas reuniões com Jorge Lafeta, pata tratar sobre a liberação das faturas em favor da ProClin".

 

O pagamento

 

Conforme o depoimento, o pagamento da propina era feito todas as vezes que o Estado quitava a dívida com o grupo de empresas Proclin, Qualycare e a Prox Participações pelos trabalhos prestados.

 

Desta forma, dois dias depois, o administrador da ProClin, Adriano  Luiz Souza, e a responsável pelo financeiro da organização Celita Natalina Liberalli, iam à boca do caixa, sacavam o dinheiro da propina, e entregavam ao então secretário de estado no escritório da ProCLin.

 

"A Sra Celita Liberali e Adriano sempre sacavam o dinheiro da propina na conta da ProClin da Unicred ou Banco do Brasil, os saques eram feitos na boca do caixa, o dinheiro era levado de volta para a ProClin e Jorge Lafeta ali chegava com uma mochila e levava o dinheiro”, consta em depoimento.

 

Marco explica que a propina pode ser comprava com extratos bancários da época.

 

Operação Sangria

 

A segunda fase da Operação Sangria foi deflagrada nesta terça-feira (18) pela Delegacia de Crimes Fazendários (Defaz) e cumpriu sete, dos oito mandados de prisão contra a organização criminosa.

 

Foram presos o ex-secretário municipal de Saúde, Huark Douglas Correa - que seria o líder do esquema; Luciano Correa Ribeiro; Fábio Liberalli Weissheimer e sua mãe Celita Natalina Liberalli; Adriano Luiz Sousa;  Kedna Iracema Fonteneli Servo e Fabio Alex Taques Figueiredo. O acusado Flávio Alexandre Taques da Silva é considerado foragido.

 

O grupo é suspeito de monopolizar os serviços da Saúde no Estado há 14 anos, por meio de influência política e econômica, oferecendo propinas, fraudando processos licitatórios e superfaturando contratos administrativos.

 

De acordo com o delegado Lindomar Aparecido Tofoli, no transcorrer do inquérito principal, ficou constatado que o grupo criminoso teria destruído provas e apagado arquivos de computadores para dificultar as investigações, além de ter feito ameaças a testemunhas.

 

“O que chama a atenção é que atos totalmente reprováveis estão sendo cometidos por alguns membros da organização criminosa no intuito de ocultar, destruir provas, limpando gavetas, coagindo testemunhas, usando da influência política e econômica para interferir diretamente no cumprimento de contratos provenientes de processos licitatórios”, disse o delegado.

 

Leia mais sobre o assunto:

 

“Esquema é mais grave do que atuação do Comando Vermelho”

 

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