Cuiabá, Sábado, 7 de Fevereiro de 2026
DISPUTA JUDICIAL
07.02.2026 | 08h40 Tamanho do texto A- A+

Justiça nomeia Richthofen gestora da herança de R$ 5 mi de tio

Ela passa a ter poder sobre a manutenção dos bens deixados pelo tio, mas não pode vendê-los

Divulgação

Suzane von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais

Suzane von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais

FRANCISCO LIMA NETO E ANDRÉ FLEURY MORAES
DA FOLHAPRESS

Suzane von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais em 2002, foi nomeada pela Justiça inventariante dos bens de seu tio, o médico Miguel Abdalla Neto, 76, encontrado morto em 9 de janeiro deste ano.

 

Com isso, ela passa a ter poder sobre a manutenção dos bens deixados pelo tio, mas não pode vendê-los ou transferi-los sem prévia autorização judicial. A herança é estimada em R$ 5 milhões.

 

Suzane disputava a função de inventariante com a empresária Carmem Sílvia Gonzales Magnani, prima do médico, que alega ter mantido união estável com Abdalla - argumento que a Justiça considerou ainda ser prematuro.

 

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O relacionamento é discutido no âmbito de uma outra ação na qual a empresária afirma ter vivido com o médico entre o final de 2011 e o início de 2015, período que, segundo a decisão, "destoa das alegações inicialmente apresentadas" na ação que disputa a herança do médico, na qual fala em união estável durante 14 anos.

 

O despacho da 1ª Vara de Família e Sucessões de Santo Amaro, onde corre a disputa pela herança, afirma ser necessário aguardar o julgamento desse outro processo, o que mantém Suzane à frente da gestão dos bens até segunda ordem.

 

O histórico criminal dela, acrescentou a decisão, não tem relevância jurídica para a disputa em torno da herança. Há ainda um outro herdeiro, o irmão de Suzane, Andreas von Richthofen, mas ele não se habilitou no processo.

 

Carmem chegou a registrar boletim de ocorrência acusando Suzane de se apropriar indevidamente de vários dos bens deixados pelo médico. A medida se deu duas semanas após a Polícia Civil de São Paulo iniciar a investigação de uma denúncia de furto à residência de Abdalla.

 

A acusação se baseia justamente no processo de inventário que tramita na Vara de Família e Sucessões de Santo Amaro, no qual Suzane, segundo a empresária, "admitiu expressamente ter subtraído e estar na posse dos bens do espólio (carro e demais bens), sem qualquer autorização judicial para tanto".

 

No boletim de ocorrência são listados os itens que estariam de posse da sobrinha: um carro Subaru prata ano 2021, uma lavadora de roupas, um sofá, uma cadeira/poltrona e uma bolsa contendo documentos e dinheiro.

 

A reportagem tentou falar com Suzane por telefone e por mensagem de texto para comentar a acusação, mas ela não respondeu até a publicação deste texto.

O boletim de ocorrência foi registrado na última terça-feira (3). O 27º DP (Campo Belo), que iniciou a investigação do furto dos bens no dia 20 de janeiro, dará continuidade à apuração.

 

HOMEM FOI ENCONTRADO MORTO EM JANEIRO

 

Miguel Abdalla Neto foi encontrado morto no dia 9 de janeiro na sala de casa no Campo Belo, bairro da zona sul de São Paulo. A polícia afirmou que aguarda a conclusão dos laudos do IML (Instituto Médico Legal) para esclarecer a causa da morte do médico.

 

Abdalla Neto foi tutor de Andreas, após o assassinato dos pais deles, em 31 de outubro de 2002. Ele era irmão de Marísia, mãe de Suzane e Andreas.

 

Ré confessa, Suzane foi condenada em 2006 a quase 40 anos de prisão. Na época, ela tinha quase 19 anos e era estudante de direito da PUC-SP.

 

Suzane obteve liberdade provisória em junho de 2005 por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Ela voltou a ser presa meses depois após a exibição de uma entrevista concedida ao "Fantástico", da Rede Globo, durante a qual ela foi orientada pelos advogados a chorar e demonstrar fragilidade diante das câmeras.

 

Em 2006, ela teve a domiciliar provisória permitida pelo então ministro Nilson Naves, do STJ, mas a decisão foi cassada no mês seguinte.

 

Em 2016, saiu pela primeira vez da prisão durante o feriado de Páscoa. Ela está desde janeiro de 2023 em regime aberto.




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