04.08.2018 | 10h:17

"SAPINHO"


"Ele não pode ser visto como herói; tem histórico de homicídios"

Secretário de Estado de Segurança diz que danos a viaturas durante protesto serão investigados

Alair Ribeiro/MidiaNews

O secretário de Estado de Segurança Pública, Gustavo Garcia

O secretário de Estado de Segurança Pública, Gustavo Garcia, classificou o confronto entre policiais e moradores do bairro Novo Colorado, em Cuiabá, como uma “revolta pontual.”

 

Durante a confusão, motivada pela morte do traficante Flávio Castro de Lima, o “Sapinho”, foram utilizadas bombas de efeito moral e realizados disparos de bala de borracha.

 

Ao MidiaNews o titular da Pasta explicou que o ataque será investigado. “No primeiro momento aparenta ser uma inversão de valores. Ele não pode ser visto como herói. É uma pessoa com histórico de homicídio, que tirou vidas”, disse.

 

Garcia reforçou ainda que confia na atuação das polícias Militar e Civil e afirma trabalhar com a presunção de legitimidade de suas atuações. Contudo, uma avaliação mais aprofundada do caso só poderá ser feita depois de finalizadas as apurações.

 

“Não dá pra dizer que o bairro se revoltou contra a situação. Precisamos saber primeiro qual a relação com essas pessoas, se era de parentesco ou de participação em outras condutas. Se eram familiares, é óbvio que haverá certa revolta”, afirmou.

 

Depois de identificados, os envolvidos serão responsabilizados e deverão responder pelo crime de dano qualificado. “Nada justifica o vandalismo. Uma ambulância do Samu fui danificada, ou seja, vai deixar de atender outras pessoas. O mesmo aconteceu com viaturas. São atos que vão contra a coletividade e isso é inadmissível.”

 

Esta não é a primeira vez que a comunidade se manifesta em favor de “Sapinho”, considerado como  “protetor” da região. Em 2007, parte dos moradores chegou a organizar um abaixo-assinado e um bingo para que ele fosse tirado da cadeia.

 

Questionado sobre a ausência do Estado nestas localidades, ele destacou que as forças de segurança atuam por uma cultura de paz, mas que este trabalho depende da confiança e contribuição da população, para que haja legitimidade.

 

Gustavo ressaltou ainda que dentro deste plano é importante uma relação de simbiose, fomentada por iniciativas como a Polícia Comunitária e o programa Bairro Integrado, no qual moradores são informados sobre as atividades e o dia-a-dia dos policiais.

 

Em sua opinião, há um consenso geral da população, que apoia o trabalho da Polícia, classificado por ele como “digno de excelência”. “Confio plenamente na atuação dos órgãos de Segurança. São profissionais capacitados para combater o crime e salvar vidas, por isso as circunstâncias que motivaram esta reação devem ser avaliadas.”

 

O caso

 

Flávio Castro de Lima foi morto por policiais militares na quarta-feira (1) em uma residência do Bairro Novo Colorado, em Cuiabá. "Sapinho" possuía várias passagens pela Polícia. 

 

O assassinato motivou a ira de populares, que romperam o isolamento e atacaram viaturas com pedras e fogos de artifício. Para contê-los, a Rotam foi acionada e chegou a utilizar granadas de efeito moral e lacrimogênias, além de dispararem com balas de borracha.

 

Na ocasião, um homem foi preso após apontar um lazer contra as equipes da Rotam, lançando em seguida um rojão que atingiu os pés dos policiais.

 

Ele era procurado desde a terça-feira (31), quando teria participado de um roubo a residência no Jardim Mariana, na Capital. Na ocasião, ele e os comparsas dispararam contra viaturas da Polícia Militar (PM) e fugiram logo em seguida. 


Leia mais notícias sobre Cotidiano:

1999-2026 MidiaNews - Credibilidade em Tempo Real

(65) 3027-5770 - Todos os direitos reservados.

Ver em: Celular - Web