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20.11.2022 | 11h28 Tamanho do texto A- A+

Cuiabá: "O que temos feito é mais reconhecido fora do que aqui"

Vice-presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch lamenta que a torcida não se envolva mais com o time

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Cristiano Dresch, vice-presidente do Cuiabá

Cristiano Dresch, vice-presidente do Cuiabá

DA REDAÇÃO

O vice-presidente do Cuiabá Cristiano Dresch lamenta o fato de a torcida ainda não tem abraçado o time como ela sonha. Para o cartola, o torcedor precisa se envolver e apoiar mais o Dourado, que este ano conseguiu se manter na Série A por mais uma temporada.

 

"A torcida precisa se envolver mais com o clube, precisa realmente comprar a ideia do Cuiabá. Não adianta ficar só exigindo resultado, e o Cuiabá não é o primeiro clube dele", diz Dresch. 

 

O dirigente também avalia que, antes de cobrar resultados expressivos, a torcida precisa entender o tamanho do Dourado no cenário nacional. 

 

"Estar na Série A, para um clube de Mato Grosso, é um fato muito grande. O que a gente tem feito é muito mais reconhecido fora daqui do que aqui. As pessoas querem pronto. Elas querem que o Cuiabá ganhe do Flamengo, do Corinthians, mas como?". 

 

Nesta semana, Dresch conversou com a reportagem do MidiaNews e fez um balanço da temporada. Leia abaixo:

 

MidiaNews - Que balanço o senhor faz da temporada?

 

Cristiano Dresch - Eu acho que o ponto positivo principal foi a permanência [na Série A]. Acho que é o que a gente buscava desde o início; foi o objetivo traçado como o principal do clube para 2022. O ponto negativo foi a nossa trajetória dentro da competição, que foi complicada, não foi fácil. Tivemos muitas rodadas na zona de rebaixamento. Mas entre erros e acertos, conseguimos essa permanência.

 

Acho que o que fica para esse ano é o aprendizado de mais um ano na Série A, das coisas que deram certo, das coisas que não deram certo, do que tem que ser repetido e do que não tem que ser repetido no ano que vem.

 

MidiaNews - Nesta temporada quatro ex-campeões brasileiros que estavam na Série B subiram para a A. O senhor prevê um campeonato mais difícil em 2023?

 

Cristiano Dresch - Muito mais difícil, não. A Série A é difícil… Ninguém ganha jogo com a camisa, ninguém ganha jogo na véspera. Todos os jogos são bem difíceis. Claro que com a subida do Vasco, Cruzeiro, do Bahia e do Grêmio, são equipes muito tradicionais, com grandes torcidas. É óbvio que é muito mais difícil jogar com eles do que contra clubes que não têm tanta torcida, mas a dificuldade é a mesma. 

 

Eu vejo que o Atlético Goianiense e o Ceará [que foram rebaixados], por exemplo, são clubes que se equivalem dentro de campo a esses clubes que subiram. Então, acho que independente de quem vai estar jogando a Série A ou não, a gente tem que se preparar melhor para fazer uma competição forte e para a gente manter nossos objetivos.

 

MidiaNews - Naquele momento em que o time dispensou André e o Valdivia parecia que vocês tinham jogado a toalha. Houve algum momento em que o senhor sentiu que não havia mais jeito?

 

Cristiano Dresch - Para quem não entende nada de futebol, sim. Para quem é curioso, e não entende nada, que é infelizmente a maioria das pessoas que acompanham o futebol na mídia hoje, em Mato Grosso... é curioso. Mas para nós, não. A gente queria dar uma chacoalhada no elenco e demonstrar para eles que a gente estava precisando ali, naquele momento, de jogador que queira estar ali, que acredita.

 

O Cuiabá é um clube que precisa de jogadores com esse perfil. E a gente viu que em alguns momentos os jogadores não estavam entregando tudo que poderiam entregar.

 

O futebol tem duas receitas quando a coisa não está dando certo: a primeira é trocar jogador e a segunda é trocar o técnico. E a receita que a gente buscou naquele momento era trocar alguns jogadores e a gente fez isso. Para quem não entende nada, nem um pouquinho de futebol, imaginou sim que a gente estava jogando a toalha, mas pelo contrário.

 

Quem conhece o Cuiabá, desde que o Cuiabá existe lá em 2009, ele existe desde 2001, mas nós compramos o Cuiabá em 2009... A história do Cuiabá sempre foi difícil, sempre foi de dificuldades grandes. Como eu falo, muita gente começou a acompanhar o Cuiabá depois que ele subiu para a Série A. O Cuiabá surgiu na Série A para muitos torcedores, e não é assim. A história nossa é construída em cima de grandes desafios, e esse ano a gente conseguiu passar por um grande desafio.

 

MidiaNews - O senhor admite que a diretoria errou em apostar em medalhões que não vinham de boas temporadas, como Everton, Valdívia e André?

 

Cristiano Dresch - Claro! Claro que erramos! O futebol é feito de acertos e erros. Foi uma tentativa que a gente imaginava que teríamos um retorno e a gente não teve. As pessoas precisam aprender também que o mercado de atletas para o Cuiabá é bem diferente do mercado de atletas do Internacional, do Botafogo, do São Paulo, do Corinthians...

 

Nós não temos os mesmo jogadores à disposição de vir jogar no Cuiabá que essas equipes têm. É um mercado bem mais reduzido. Então, a gente fez umas apostas em jogadores mais conhecidos, com um currículo grande, com uma bagagem grande, que acabaram não trazendo o que a gente imaginava. Como eu falei no início da entrevista, fica aí o aprendizado.

 

MidiaNews - Então a gente pode imaginar que a aposta para o ano que vem seja gente mais nova?

 

Cristiano Dresch - Sim. Trazer jogadores com mais o perfil do Cuiabá, com condição e capacidade física maior. Não descartamos trazer jogadores mais famosos. Nós trouxemos o Deyverson, que é um jogador de 31 anos, superconsagrado no futebol brasileiro que deu muito certo. 

 

Você só está pegando exemplo que deu errado. Não está pagando exemplo que deu certo, que é o Deyverson.

 

MidiaNews - Já vamos falar do que deu certo...

 

Cristiano Dresch - Acho que a gente precisa… Tudo na vida a gente tem que tentar, se vai dar certo ou não vai dar certo... Mas não pode é fazer a mesma cagada de novo. 

 

MidiaNews - O Deyverson continua no ano que vem?

 

Cristiano Dresch - O Deyverson tem contrato de mais dois anos com o Cuiabá.

 

MidiaNews - Então fica.

 

Cristiano Dresch - Claro!

 

MidiaNews - É verdade que a multa rescisória do goleiro Walter é na casa de R$ 240 milhões?

 

Cristiano Dresch - Sim. Pelo menos.

 

MidiaNews - E o vínculo dele é por mais quanto tempo?

 

Cristiano Dresch - Mais um ano.

 

MidiaNews -  Então, é garantido que ele permanece. Porque ele tinha um gatilho de que caso o Cuiabá continuasse, ele continuaria no time…

 

Cristiano Dresch - É. Se alguém pagar os 240 milhões [de rescisão], a gente vende.

 

MidiaNews - Fale da importância que ele tem para o time.

 

Cristiano Dresch - Muita importância. Walter é um líder nato, tem um caráter excelente, uma pessoa excelente e um grande goleiro. Ele conseguiu nos últimos jogos ser fundamental na nossa permanência. Então, é um ídolo hoje da torcida. O Walter sai hoje na rua e o tempo todo tem gente pedindo para tirar foto. E a gente quer construir uma história muito grande com o Walter aqui no Cuiabá.

 

MidiaNews - Nas últimas cinco partidas, o Cuiabá só foi pior do que o Internacional e o Fluminense. Foram três vitórias e um empate. O que mudou nesse final? Vocês deram uma chacoalhada no pessoal?

 

Cristiano Dresch - Acho que os jogadores se comprometeram com a causa. Esses acertos e nossa permanência se devem muito à coragem desses jogadores, a eles terem entendido o que a gente precisava fazer, e terem conseguido empatar com o Ceará lá em Fortaleza, que foi muito difícil. Ganhar do Botafogo, ganhar do Avaí do jeito que a gente ganhou aqui. Conseguimos empatar com o Palmeiras e fechar a última rodada com a vitória sobre o Coritiba. Então, como eu falei, a gente teve oscilações dentro do campeonato, a gente teve momentos do campeonato que as coisas não estavam dando certo. 

 

Para quem acompanhou e acompanha realmente no dia a dia e entende um pouquinho de futebol, a gente teve muitos jogadores lesionados, a gente teve o Walter fora por muitos jogos, a gente perdeu o Uendel, que era uma referência dentro do elenco. A gente teve muitos problemas, teve jogos em que teve a arbitragem nos atrapalhando bastante.

 

É como eu falei: a torcida mato-grossense precisa entender qual é o tamanho do Cuiabá dentro do cenário nacional do futebol. Qual é a competição que nós estamos jogando. A Série A é muito difícil. É um campeonato… Você vê a região Nordeste. Esse ano tinha só duas equipes na Série A, ano que vem vai continuar tendo duas equipes, Fortaleza e Bahia, e é uma região muito mais tradicional que a nossa no futebol.

 

Então, estar na Série A, para um clube de Mato Grosso, é um fato muito grande. O que a gente tem feito é muito mais reconhecido fora daqui do que aqui. As pessoas querem pronto. Elas querem que o Cuiabá ganhe do Flamengo, do Corinthians, mas como? 

 

As pessoas precisam se envolver mais com o clube para poder esperar um crescimento do Cuiabá. As pessoas precisam tornar o Cuiabá o primeiro clube delas, e não o segundo clube. É isso que a gente precisa que as pessoas comecem a ter essa postura perante o Cuiabá para que ele cresça realmente.

 

MidiaNews - A torcida precisa fazer sua parte, então?

 

Cristiano Dresch - Com certeza. Nós fizemos durante o campeonato todo ingressos muito acessíveis. O nosso plano de sócio-torcedor é o mais barato do Brasil, não tem nenhum plano de sócio-torcedor tão barato quanto o nosso. Fizemos em vários jogos ingressos a R$ 10 a R$ 20. Então, a torcida precisa se envolver mais com o clube, precisa realmente comprar a ideia do Cuiabá. Não adianta ficar só exigindo resultado, e o Cuiabá não é o primeiro clube dele. É importante passar essa mensagem.

 

MidiaNews - E o Antônio Oliveira. Vocês têm interesse em mantê-lo?

 

Cristiano Dresch - Nós estamos conversando, sim. Existe um interesse do Cuiabá, existe um interesse dele. Esperamos nos próximos dias ter uma coisa mais concreta.

 

MidiaNews - Poderia fazer uma avaliação do trabalho dele?

 

Cristiano Dresch - Achei bom. Achei um trabalho bom. Como eu falei, tivemos muitas dificuldades durante o ano todo, de elenco reduzido. Todas as dificuldades que envolvem a participação do Cuiabá na Série A. O trabalho dele foi muito bem feito. Acho que o time sempre entregou muita coisa taticamente e ele sempre teve o comando do grupo, até pela pessoa que ele é.

 

Antônio é uma pessoa excelente, com uma educação enorme, um caráter muito bom e os jogadores valorizam muito. Ele é muito querido e isso fez com que durante várias rodadas a gente o mantivesse mesmo não tendo os resultados esperados.

 

MidiaNews - Ele deu algumas declarações polêmicas sobre o Cuiabá, que a permanência na Série A foi um milagre… Como foi trabalhar com um treinador português? Teve dificuldade de relacionamento com ele?

 

Cristiano Dresch - Eu não! Porque eu sou uma pessoa muito sincera, digamos que eu seja tão sincero quanto o Antônio. Eu gosto de pessoas sinceras. E o brasileiro, infelizmente, gosta de mentiroso. Cada vez mais a gente está vivendo isso. Houve algumas declarações dele que foram excessivamente sinceras, mas eu não discordo.

 

Como ele falou, dificilmente vai ser campeão brasileiro no Cuiabá. Também acho que um clube como Cuiabá, pensar em ser campeão brasileiro, na situação atual, é um sonho distante. Então acho que isso que ele quis dizer, mas se fortalecer dentro do Campeonato Brasileiro é algo que a gente pode fazer durante o tempo. 

 

Mas não vejo que ele quis menosprezar o clube. Acho que ele foi muito sincero. E acho que está sendo polemizada mais pela imprensa para buscar audiência. Hoje a gente vive uma era do caça-clique. E tudo que é ruim, vende muito mais do que o bom. Infelizmente, a mídia busca isso.

 

MidiaNews - Dos quatro times que subiram para a Série A, três viraram ou vão virar SAF: Bahia, Vasco e Cruzeiro. Não acha que o Cuiabá também deveria encontrar um parceiro para ter novas receitas?

 

Cristiano Dresch - No momento, não. Cuiabá é um clube financeiramente muito organizado. A gente tem conseguido aumentar nossas receitas ano a ano, a gente tem um assédio muito grande de possíveis investidores, mas não vemos necessidade ainda, não.

 

MidiaNews - O Cuiabá vai trocar a grama da Arena Pantanal, que terminou o ano muito ruim...

 

Cristiano Dresch - O gramado é de 2014, que está muito machucado. Por muitos anos ele não foi tratado da maneira correta, vinha sofrendo bastante e a gente estava aguardando a confirmação da nossa permanência para poder confirmar essa troca. A gente vai fazer a partir do dia 26 de novembro e a gente espera que no dia 21 de janeiro, na estreia do estadual, a gente possa concluir esse trabalho.

 

Vai ser colocado um tapete, é bem rápido. E com 30 dias o gramado está pronto para jogo. Para quem entende bem, o gramado da arena tem vários defeitos. Tem três tipos de grama, a base dele não está legal. Foram feitos esses shows que arrebentaram o gramado. E agora, com essa troca, a gente vai ter um campo top na Arena Pantanal.

 

MidiaNews - E quanto vai ser investido?

 

Cristiano Dresch - Devemos gastar em torno de R$ 300 mil.

 

MidiaNews - Para a próxima temporada, quem fica e quem sai dos principais jogadores?

 

Cristiano Dresch - Em relação a isso, eu não vou falar ainda. Nós vamos comunicar as saídas de forma oficial pelo site.



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9 Comentário(s).

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Fabio  23.11.22 22h28
Falta primeiro que o Clube valorize os sócios torcedores. Fiz o plano Prata em Setembro (já pago por 1 ano) e agora o plano Ouro está pelo mesmo preço. Porque antes de tudo vocês não oferecem upgrade automático para quem valorizou o clube antes contratando o Plano Anual? Além disso, vendem os ingressos para vários jogos nos setores inferiores a preço super baixo, sem oferecer melhores setores aos sócios. Melhor então cancelar o plano e comprar ingressos avulsos. Entendo que o Clube precisa aumentar a base de torcedores, mas ao mesmo tempo deve valorizar os sócios atuais.
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José Almeida  21.11.22 19h44
Típico desta diretoria que age como criança mimada!! A culpa dos resultados ruins é sempre dos outros, menos do trabalho atrapalhado deles. Agora a culpa é da torcida que o Cuiabá não foi melhor no campeonato? Kkkkkkk
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Kleiber  21.11.22 12h33
Boa entrevista. A cada ano na série A, aumenta a experiência e o aprendizado. As primeiras movimentações têm sido boas, como a dispensa de alguns jogadores que não estavam rendendo.
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Carlos  21.11.22 09h08
Vai ser ruim pra contratar lá no Pedra 90, esses dirigentes do Cuiabá não tem noção de contratação: André Balada, Rodriguinho, Valdivia Pokabola, etc.detc..
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Edmilson Sanches  20.11.22 17h50
Em 2023 não teremos clubes chamados "pequeno" na série A como em 2022. Dificilmente o Cuiabá se manterá na elite do futebol se não montar uma equipe com mais ambição do que a de se manter na série A.
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