Cuiabá, Domingo, 5 de Abril de 2026
MODERNIZAÇÃO DA ARTE
11.08.2024 | 08h00 Tamanho do texto A- A+

Do Ateliê da UFMT para o Mundo: a trajetória de Júlio César

Artista plástico relembra da importância do espaço na Universidade para a cultura do Estado

Victor Ostetti/MidiaNews

Júlio César mostra algumas de suas obras:

Júlio César mostra algumas de suas obras: "A inspiração vem de coisas fortes, coloridas, alegres"

ANDRELINA BRAZ
DA REDAÇÃO

Aos 12 anos, Júlio César deu suas primeiras pinceladas marcantes e coloridas em um quadro em branco. A tinta que preencheu a tela foi resgatada de latas usadas por outros artistas no ateliê que ocupava a Universidade Federal de Mato Grosso, na década de 70 a 80. Ali começava a carreira de um dos mais importantes nomes da arte contemporânea do Estado.

Hoje eu vejo que ficou muito vago, a universidade sem um ateliê para incentivar essa geração que está vindo

 

Sob a coordenação do pintor e desenhista Nilson Pimenta, o espaço servia como refúgio para os meninos do Pedregal, nome dado por Júlio ao grupo de crianças e adolescentes do bairro que encontraram ali um local para passar as tardes.

 

“De manhã, nós saíamos do colégio e à tarde íamos para a Universidade. Lá, o pessoal pintava com tinta óleo. Nós pegávamos aqueles restos de tinta óleo, porque a tinta óleo não secava muito, e aproveitávamos para fazer algumas telas. Antigamente, o material era muito caro”, lembra Júlio.

 

Ao frequentar o espaço diariamente, Júlio foi desenvolvendo seus próprios traços e estética. A arte tornou-se sua profissão e os animais passaram a ser suas maiores inspirações. Com cores marcantes nas obras, um conjunto de pombas vistas nos corredores da Universidade se transformaram em marca registrada ao serem sempre retratadas como revoadas de andorinhas.

 

“A inspiração vem de coisas fortes, coloridas, alegres e que ficam marcantes através do meu estilo pontilhado e colorido. As cores fortes dão vida a um ambiente bem alegre”, declara.

 

julio cesar

 

 

Além da fauna e flora, cenas do cotidiano ficaram eternizadas em meio às telas, preenchidas pelo calor do sentimento que brota no ato de pintar. Com quase 40 anos de carreira, Júlio César assina obras que viajam pelo Mundo e pelo tempo, sem que ele sequer se recorde.

 

“São 38 anos [de carreira]... Muitas obras espalhadas. Às vezes estou em uma exposição ou em algum lugar e as pessoas falam: ‘Ah, tem um quadro seu em Miami, tem um quadro seu nos Estados Unidos’. E aí eu digo: ‘Ué, que quadro?’ Tenho que ver para saber qual é a fase, porque é muita coisa”, relata.

 

Entre as obras de maior destaque, Júlio cita o quadro "A Barca de Noé". Atualmente, a obra pertence ao acervo de um colecionador brasileiro, mas os detalhes de sua produção contaram com as observações de Adir Sodré, amigo e parceiro de Júlio dos tempos de ateliê.

 

“Inclusive, essa 'Arca de Noé' que estou mencionando foi pintada no ateliê dele na época, através do incentivo dele. Havia até um leão no meio da pintura, e eu me empolguei. Ele chegou e falou: ‘Não! Esse hipopótamo está muito África, coloque um leão!’”

 

A Arte e o Ateliê

 

Além de Adir Sodré e Júlio César, João Sebastião, Gervane de Paula, Márcio Aurélio, entre outros nomes da arte mato-grossense, se destacaram nas tardes no ateliê de Nilson Pimenta, na Rua Edgar Vieira, ao longo dos anos.

 

Entre desenhos e pinceladas, Adir e Júlio se tornaram grandes amigos fora dos muros da Universidade e passaram a compartilhar ideias, perspectivas e inspirações.

 

“Para mim, ele era o gênio das artes plásticas. Foi muito incentivador e desenhava muito. Era o cara espontâneo, que ajudava também. Muito legal, alegre, sorrindo. Ele e o Gervane abriram o caminho nas artes.”

 

Com a sua evolução e modernização artística correlacionadas com um espaço para o amadurecimento de ideias, Júlio César reafirma a importância de espaços como o antigo Ateliê da UFMT para potencializar artistas emergentes em Mato Grosso.

 

“Hoje eu vejo que ficou muito vago. A Universidade sem um ateliê para incentivar essa geração que está vindo. Ali era um colégio porque tirava os meninos da rua, tirava os meninos dos bares. Tomava as ideias deles, porque, em vez de estar na rua, estava ali desenhando e pintando. Faz falta, principalmente para ter uma quarta geração”, lamenta.

 

Usando suas pinturas também para reflexão, Júlio se vê em uma nova fase da carreira. Com obras que retratam a fauna e flora pantaneira, ele busca ressaltar a natureza devastada pelo fogo e pelo desmatamento.

 

“Nesse momento, eu pinto as coisas do Pantanal. Esses animais que estão sendo devorados, outra vez, pelo fogo. A gente fica muito triste de ver aqueles animais sendo queimados. E aí a gente tenta destacar algumas figuras desses animais do Pantanal”, declara.

 

Venda de obras

 

Para adquirir uma das obras do artista, os interessados podem entrar em contato pelo número (65) 99334-5454.

 

Veja trechos da entrevista 



 

 

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Julio Cesar

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Julio Cesar

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Obras de Julio Cesar

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