Cuiabá, Segunda-Feira, 30 de Março de 2026
SEGURANÇA ALIMENTAR
30.03.2026 | 15h35 Tamanho do texto A- A+

Especialistas esclarecem informações e reforçam segurança do pescado inspecionado

principal equívoco na divulgação foi apresentar os resultados de forma incompleta

PREFEITURA DE CUIABÁ

Ilustração

DA REDAÇÃO

Às vésperas da comercialização de pescado na Semana Santa, o projeto Peixe Santo, realizado pela Prefeitura de Cuiabá, foi indiretamente afetado pela divulgação distorcida de um estudo científico conduzido pela EMBRAPA e pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Pesquisadores e representantes do setor produtivo alertam que a forma como parte da informação foi divulgada causou preocupação desnecessária e pode prejudicar produtores que atuam dentro das normas sanitárias.

 

O principal equívoco na divulgação foi apresentar os resultados de forma incompleta. O estudo da UFMT não analisou o peixe pronto para consumo vendido à população. A pesquisa avaliou o ambiente de criação, incluindo água, sedimentos e áreas ao redor dos viveiros. A presença de microrganismos nesses locais pode ocorrer em sistemas abertos de produção e, isoladamente, não significa risco direto ao consumidor.

 

Segundo a professora doutora Luciana Kimie Savay da Silva e Prof. Dr. Eduardo Figueiredo da Faculdade de Nutrição da UFMT, faltou contextualização técnica na divulgação dos resultados. De acordo com a pesquisadora, a apresentação parcial das informações favoreceu interpretações equivocadas e gerou desinformação, sem que os responsáveis pelo estudo fossem ouvidos para explicar adequadamente os achados.

 

Eles destacam que a divulgação de resultados científicos fora de contexto pode trazer prejuízos à população e também a uma cadeia produtiva que trabalha para oferecer alimento seguro e de qualidade.

 

Segurança do pescado depende de controle sanitário

 

Especialistas reforçam que o pescado comercializado dentro das normas sanitárias é seguro para consumo. A legislação brasileira exige controle rigoroso do produto final, e o cumprimento dessas exigências envolve diversas etapas após a saída do peixe da propriedade.

 

Nos frigoríficos e unidades de processamento, o pescado passa por procedimentos de higienização e controle sanitário que reduzem de forma importante o risco de contaminação. Além disso, o produto comercializado em canais regularizados deve atender aos padrões exigidos pelos serviços de inspeção.

 

No caso do projeto Peixe Santo, esse controle é reforçado por medidas como inspeção sanitária, armazenamento adequado e manutenção da temperatura correta durante o transporte e a comercialização. Os peixes são mantidos resfriados, acondicionados de forma apropriada e manipulados sob regras de higiene que ajudam a preservar a qualidade e a segurança alimentar.

 

Esses cuidados são fundamentais para que o produto chegue à população dentro dos padrões exigidos.

 

A orientação dos especialistas é clara: o consumidor deve priorizar a compra de pescado em locais regularizados e fiscalizados. O maior risco à saúde está na aquisição de produtos de origem desconhecida, vendidos sem inspeção e sem garantia de armazenamento adequado.

 

Além disso, alguns cuidados no preparo doméstico também são importantes, como manter o pescado refrigerado, evitar contato com alimentos crus e cozinhar corretamente antes do consumo. Essas medidas ajudam a prevenir contaminações e reforçam a segurança alimentar.

 

A pesquisa tem como objetivo melhorar a produção

 

O estudo desenvolvido pela UFMT, em parceria com outras instituições, tem como finalidade aprimorar a produção aquícola e elevar os padrões de qualidade do pescado em Mato Grosso. Trata-se de uma pesquisa voltada à identificação de pontos críticos da cadeia produtiva e ao desenvolvimento de soluções para fortalecer a biossegurança e a qualidade da produção.

 

Entre os resultados esperados estão melhorias em práticas de manejo, sanitização e prevenção, com potencial de beneficiar tanto os produtores quanto os consumidores.

 

Em outras palavras, a pesquisa não representa uma ameaça ao consumo de pescado inspecionado. Ao contrário, ela contribui para tornar a produção ainda mais segura e qualificada.

 

Divulgação responsável é essencial

 

Representantes do setor produtivo também manifestaram preocupação com a repercussão provocada pela divulgação fora de contexto. Segundo eles, interpretações apressadas ou sensacionalistas comprometem a compreensão pública da ciência, geram insegurança desnecessária e afetam injustamente produtores que seguem regras rígidas de qualidade.

 

Diante disso, especialistas reforçam a importância de uma comunicação responsável sobre estudos científicos, especialmente em períodos como a Semana Santa, quando aumenta o consumo de pescado.

A Prefeitura de Cuiabá, por meio do projeto Peixe Santo, reafirma seu compromisso com a oferta de um produto seguro, acessível e de qualidade, em conformidade com as exigências sanitárias.

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