Família Vegetariana
A arquiteta Larissa Mônica Bastos, de 28 anos, e o engenheiro Daniel de Souza Albuquerque, 34, surpreenderam a família quando escolheram qual seria o buffet de casamento dos dois, realizado há cinco anos.
No cardápio havia espetos, caldos, panquecas e outros quitutes sem nada de origem animal.
Foi assim que, pela primeira vez, parentes e amigos descobriram que para saborear um banquete “de verdade” não precisariam comer carne.
O casal, que está junto há dez anos, é considerado ovo-lacto-vegetariano, ou seja, consome ovos, leites e derivados, mas nada que contenha carne de qualquer espécie animal.

A iniciativa, no entanto, foi individual. Daniel começou há 19 anos, quando um palestrante da escola alegou que o hábito de comer carne era um “vício” e o desafiou a ficar sem comer por uma semana.
“Eu falei: ‘Não, não sou viciado em nada’. E ele me desafiou a ficar uma semana sem comer carne. Eu fiquei três dias, não consegui. E aí tentei de novo e consegui uma semana. Então ele me desafiou a ficar um mês. Consegui. Depois fiquei um ano e, daí em diante, não comi mais”, relatou o engenheiro.
Já Larissa, que na adolescência viveu em um internato onde o “regime” era vegetariano, optou por mudar seus hábitos alimentares de vez há 8 anos, após assistir ao documentário “Terráqueos”, que discorre sobre a exploração animal, seja por meio dos abates para a alimentação, dos testes para cosméticos ou do uso do couro.
“Foi mais por uma questão de consciência. Eu comecei a pesquisar mais sobre a linha do abate. Então descobri que o abatimento dos animais é algo muito desastroso e desumano”, explicou Larissa.
“Forte e robusto”
A melhoria na saúde, desde a mudança na alimentação, se mostrou efetiva, segundo eles garantem.
Larissa, que antes se alimentava com frituras e refrigerantes já na parte da manhã e não ingeria nada do reino vegetal, conta que era anêmica. Ela afirma que a melhora veio “graças à alimentação”.
“Costumo dizer para todo mundo que, se eu consegui, você também consegue. Porque eu comia tudo quanto é porcaria, comia tudo de ruim que você possa imaginar. Então, pra mim, foi muito difícil”, afirmou.
Já Daniel, que na adolescência era “fortão”, espantava as pessoas ao afirmar, com orgulho, que era saudável sim, mas não comia carne.
“Todos os meus amigos, quando a gente saía, era como se fosse um motivo de orgulho. Eles falavam: ‘O fortão aqui aí é vegetariano’. As pessoas não acreditavam”, recordou.
“O termo vegetariano vem do latim e quer dizer forte e robusto. Então não necessariamente quer dizer que você tem que ser magrinho, raquítico”, acrescentou Larissa.
“Brócolis como picolé”
Como prova da boa saúde do casal, Dana, de 2 anos, e Sara, de 10 meses, vieram complementar a família por meio de parto normal e domiciliar.
Apesar do preconceito, as crianças não comem carne.
“O questionamento das pessoas foi em relação às crianças, à gravidez. Elas perguntavam: ‘Como vocês vão fazer? Elas vão emagrecer, ficar raquíticas’”, afirmou Larissa.
Alguns, segundo o casal, chegaram a oferecer carne para Dana, a mais velha, mas a preocupação se mostrou desmedida já que as crianças, que possuem acompanhamento nutricional, crescem saudáveis.
“A especialista em nutrição esboçou tudo de proteína, tudo de carboidrato que elas precisavam. Foi assim que a gente iniciou com a Dana, que foi a nossa 'cobaia'. Com a Sara, a gente já estava acostumado”, afirmou a mãe.
Dana, com a opinião própria de uma criança, se mostra empolgada com o cardápio oferecido diariamente pelos pais.
“A gente costuma comer brócolis. E um dia esqueci de comprar e a Dana me questionou. Elas comem como se fosse picolé, pegam e saem pela casa”, relatou Daniel.
Marcus Mesquita/MidiaNews
Daniel, Larissa e as crianças: carne fora do cardápio
O casal costuma ensinar as filhas sobre o consumo de carne e o abate animal de forma natural.
“A Dana já sabe. Ela conversa, pergunta. A gente explica: tal animal é vegetariano, o leão não é vegetariano”, contou Daniel.
Definições
Além dos ovo-lacto-vegetarianos, como o casal, existem outras definições no “universo vegetariano”.
Os vegetarianos estritos são os que, além da carne, não ingerem nada que contenha leite, ovos, mel e produtos de origem animal no geral.
Já os veganos possuem a mesma alimentação que os vegetarianos, mas com um adicional: possuem um “estilo de vida” que preza pela não-exploração animal. Desta maneira, eles não consomem nada que realize testes em animais, desde cosméticos a vestuários, por exemplo.
Suplementação
Do ponto de vista de um especialista, a nutricionista Karina Peloi, que possui um curso online de emagrecimento, o vegetarianismo está mais ligado à ideologia do que à saúde.
No entanto, Peloi assegura que é possível que uma pessoa seja saudável sem ingerir carne desde que consuma vegetais com alto índice de proteína.
“Nem sempre essas pessoas possuem uma alimentação saudável, pois muitas vezes acabam comendo um excesso de carboidrato e não ingerindo outros nutrientes”, afirmou Peloi.
A nutricionista, que tem pacientes adeptos deste tipo de alimentação, afirma que costuma receitar uma suplementação à base de proteínas e de uma vitamina denominada B12, que é essencialmente encontrada em alimentos de origem animal.
Por outro lado, segundo ela, assim como qualquer outra pessoa que não se alimente bem, os vegetarianos estão sujeitos a doenças decorrentes da não ingestão de substâncias benéficas para o organismo, caso não busquem a suplementação diária.
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9 Comentário(s).
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| Marjory Soehn 13.02.17 21h02 | ||||
| A família está transmitindo a mensagem de algo que tornou a vida DELA melhor. Nada mais que isto! Está compartilhando esta felicidade que eles vivem. A maioria da população fica se matando diariamente com bebida alcoolica, refrigerante, carne processada, cigarro e trocentos açúcares refinados.. Não concordo, mas respeito! Só respeitar e ser feliz!! | ||||
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| Paulo 13.02.17 13h09 | ||||
| O ser humano não foi criado para comer carne. Se nos alimentassemos como era no Éden, não teríamos tantos problemas de saúde como temos agora. | ||||
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| Flávia 13.02.17 08h29 | ||||
| Que legal. Parabéns! | ||||
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| Campos 13.02.17 07h55 | ||||
| Não, a saúde não melhorou porque pararam de comer carne, mas sim porque passaram a comer sob orientação de Nutricionista, qualquer pessoa que se alimentar sob receita de nutricionista, a saúde vai melhorar, mesmo consumindo carne. Agora fica o alerta: Como ficará a saúde se ingerir todos os dias, verduras carregadas de agrotóxicos? Hãm... só compra verduras orgânicas... aonde? Se você reduzir o refrigerante e o fast food pra uma vez por mês, você já sentirá a diferença... | ||||
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| pedro neves 13.02.17 07h42 | ||||
| parabéns ao casal. estou tentando ... tem muitas opções sem carne. é só não fazer corpo mole. | ||||
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