Angústia e esperança alternam os dias da empresária Marlei Lauer, 40 anos, desde que aguardar o imprevisível tornou-se sua rotina. Há 11 meses o filho dela, Carlos Douglas Lauer, está desaparecido. Ontem ele completaria 22 anos. O sumiço do rapaz, que teria conduta exemplar, desespera os familiares e intriga a polícia.
Situação menos atípica do que se imagina, este ano a Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) já registrou 417 boletins de ocorrência por casos de desaparecimento. "É um rapaz de família estruturada, não usava drogas, não bebia. Não achamos pista nenhuma ainda", diz o chefe do setor de Desaparecidos da DHPP, Gardel Lima.
"Todo dia é uma espera que não cessa. O telefone toca e pode ser ele. Na hora de almoçar o silencio traz a lembrança dele. Não sei explicar o quanto é difícil viver assim", desabafa Marlei. Carlos cursava o segundo ano de Administração na Unic quando desapareceu. Era considerado hiperativo, inovador e responsável. Ele gerenciava o supermercado da família no bairro CPA II.
Com uma vida de classe média alta, que inclui posse de um carro importado e lancha para os finais de semana no Lago do Manso, Carlos saiu de casa sem levar nada. Os documentos pessoais foram deixados na casa em que morava com os pais e o dinheiro na conta bancária está intacto. "Ele saiu com a roupa do corpo", relembra a mãe.
Carlos desapareceu no dia 4 de novembro de 2008. Pela manhã, discutiu com o pai, que é piloto de avião, porque estava chegando atrasado ao trabalho. "O pai dele gosta de coisas tradicionais e o Carlos é inovador. Sempre discutiam, mas nunca aconteceu nada fora do normal, apenas brigas que acontecem em qualquer família".
Após a discussão no supermercado, Carlos saiu andando e entrou em um ônibus no CPA II. A mãe tentou segui-lo com o carro, mas não conseguiu. Desde então não sabe o que aconteceu com o filho, que nunca mais manteve contato. A família já contratou investigadores particulares, acionou a polícia no interior e distribuiu cartazes e panfletos até mesmo em outros estados, mas em vez de informações, apareceram oportunistas.
"Um homem de Dourados (MS) chegou a ligar pedindo resgate dizendo que tinha sequestrado meu filho. A polícia o prendeu e descobriu que era mentira", conta Marlei. Entre os momentos mais angustiantes desde que o filho sumiu, a empresária cita as ligações do Instituto Médico Legal (IML) para reconhecimento de cadáveres.
No desejo de reencontrar o filho, o coração de mãe encontra alento. "Acho que ele pode estar bem. É muito inteligente e trabalhador. Talvez esteja no interior trabalhando. Talvez alguém que nós não conhecemos o tenha ajudado", diz. O rapaz não teria telefonado para amigos e nem mesmo para a namorada, que tinha até desaparecer.
Entre os desaparecidos em 2009, 308 pessoas foram localizadas até outubro - a maioria dos casos envolve o uso de drogas ou desavença familiar. Cinco mortes foram confirmadas, entre elas a do menino Kaytto Guilherme Nascimento, que comoveu Cuiabá. Os telefones para prestar informações a DHPP são (65) 3616-9219/9214.
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