Cuiabá, Sábado, 4 de Abril de 2026
CAIXAS ELETRÔNICOS
28.08.2011 | 01h04 Tamanho do texto A- A+

Usuários peregrinam para achar terminais

Com onda de arrombamentos, comerciantes abrem mão de equipamentos

DIÁRIO DE CUIABÁ

A aposentada Terezinha Ito Moreira, 58, conta que é cliente do Banco do Brasil há quase 30 anos e da última vez que precisou fazer um saque, teve que percorrer muitos locais em Cuiabá até encontrar um caixa-eletrônico em funcionamento. Moradora do bairro Araés quando precisava do serviço, Terezinha ia até o supermercado Modelo na Miguel Sultil, porém, depois de dois assaltos, a máquina foi desativada. Assim como ela, clientes passaram a peregrinar pelo serviço na Grande Cuiabá.

Terezinha buscou o serviço em outro local, uma drogaria na avenida Mato Grosso, entretanto, lá também não há mais caixa-eletrônico, pelo mesmo motivo: o estabelecimento foi assaltado duas vezes em menos de três meses. "Existem os caixas 24 Horas, mas têm taxas caras, outro problema é a falta de segurança nos locais, por exemplo, na Rodoviária tem um caixa-eletrônico, só que eu fico com receio de fazer saque lá", avaliou.

Na família, a filha e o marido, o bancário aposentado Antônio Moreira Filho, 55, também são clientes do banco. "Seo" Antônio confessa que já pensou em mudar de instituição financeira. "Está muito difícil encontrar um caixa-eletrônico em Cuiabá, mas se o Banco do Brasil, que é o maior, está desse jeito imagina os outros", questionou.

O casal é um exemplo dos reflexos da onda de ataques de criminosos a caixas-eletrônicos que vem ocorrendo em Mato Grosso e prejudicando a população. Segundo dados do Sindicato dos Bancários de Mato Grosso (SEEB), em 2011, cerca de 60 terminais foram arrombados ou sofreram alguma tentativa de roubo no Estado. O Sindicato destaca que insiste por mais segurança bancária e inclusive cobra isso nas rodadas de negociações durante a campanha salarial da categoria.

"Os bancos instalam esses caixas-eletrônicos sem qualquer tipo de normatização, sem responsabilidade alguma. Colocam um caixa de dinheiro apenas com um alarme. Isso é facilitar a ação de criminosos", acusou o presidente do SEEB, Arilson Arruda. "Estamos propondo uma conferência nacional sobre o Sistema Financeiro para discutir que tipo de serviço bancário queremos. Os caixas são importantes? Sim. Mas eles têm que ser acompanhados de segurança para o cliente e para o estabelecimento que o abriga", concluiu.

Os comerciantes pensam duas vezes antes de solicitar a instalação de caixas-eletrônicos. "É um serviço a mais que oferecemos para atrair clientes para a nossa loja, mas que existe a preocupação de um assalto ou arrombamento, existe", revelou o presidente da Associação dos supermercadistas de Mato Grosso (Asmat), Kássio Catena.

Catena é proprietário do supermercado Paulista. Uma das lojas está instalada no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande, e no local existe dois caixas-eletrônicos que trabalha com todas as bandeiras (24 Horas). "Pago o monitoramento eletrônico do estabelecimento, na rua instalei duas câmeras de segurança e vigia na loja. Mas a empresa responsável pelo caixa-eletrônico só participa com a manutenção da máquina e o alarme do equipamento", admitiu.

"A saída mais fácil para barrar o arrombamento é a união do setor privado com monitoramento e vigilância e do setor público, garantindo a investigação e a retirada dos criminosos da rua. Fazemos a nossa parte, mas o poder público precisa fazer o dele".

Por meio de nota, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) disse lamentar que os caixas deixem de existir nos estabelecimentos comerciais "tão útil para a população mas, principalmente, para os moradores da periferia dos grandes centros, pois a maioria dos estabelecimentos comerciais não tem condição de arcar com o custo de manter vigilantes em suas dependências. Não se pronunciou sobre parcerias público privadas, pois considerou um assunto que deve ser questionado diretamente às instituições.

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