As cidades de Cáceres e Várzea Grande - dois dos principais polos de desenvolvimento de Mato Grosso - estão entre os 100 municípios brasileiros com baixo dinamismo econômico e, por consequência, baixo nível de receita pública per capita.
As duas cidades fazem parte do chamado “G 100”, grupo que engloba locais com mais de 80 mil habitantes e que também apresentam alta vulnerabilidade social.
Os dados foram divulgados nesta semana pela Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), a partir de índices e taxas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A inclusão de Cáceres e Várzea Grande foi feita neste ano e divulgada em janeiro, durante reunião da FNP.
De acordo com o levantamento, a falta de uma economia dinâmica nos municípios ocasiona fraca capacidade de geração de empregos, menor nível de renda das famílias em relação às demais cidades e a existência de uma proporção maior de pessoas em situação de pobreza.
Conforme o relatório, Cáceres (225 km a Oeste de Cuiabá), possui 87.942 habitantes, com uma taxa de crescimento populacional de 0,2%. A população urbana em extrema pobreza é de 5%.
Várzea Grande (na área metropolitana da Capital) possui 252.596 habitantes, com uma taxa anual de crescimento da população de 1,6% e 3,4% em extrema pobreza. É a segunda maior cidade do Estado.
As duas cidades também possuem índices elevados de cidadãos com menos de 15 anos, o que influencia diretamente no número da população economicamente ativa e, consequentemente, estreita as possibilidades quanto ao desenvolvimento da economia. Enquanto em Várzea Grande a taxa de menores de 15 anos é de 25,6%, em Cáceres chega a 26,8%.
Segundo o estudo, “mesmo com sua pujante agropecuária, Cáceres está entre as 100 menores receitas per capita do país”.
Saúde, Educação e SegurançaOs níveis de Saúde, Educação e Segurança também foram levados em conta pela Frente Nacional dos Prefeitos. O levantamento aponta que o Índice Nacional do Desenvolvimento da Educação (Ideb) nas duas cidades é de 4,6.
Criado em 2005 para medir a qualidade do ensino em cada escola e em cada rede de ensino, o indicador é calculado com base no desempenho dos alunos em provas do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), além de taxas de aprovação.
O índice é medido e atualizado a cada dois anos e o objetivo é que até 2021 a média das escolas municipais e estaduais chegue à nota 6, o que corresponde ao ensino concedido em países desenvolvidos, segundo o MEC.
Já a Saúde, segundo o relatório, gasta R$ 196,46 per capita, em Cáceres, e R$ 289,64, em Várzea Grande.
A Segurança pública também foi citada como agravante: a taxa média de homicídio por 100 mil habitantes é de 37 em Cáceres e 54 em Várzea Grande.
“Parou no tempo”A entrada de Cáceres e Várzea Grande em uma lista que indica cidades com mais de 80 mil habitantes em situação de extrema pobreza e caos econômico se deve, em grande parte, a fatores políticos.
A análise é do historiador e analista político, Alfredo da Mota Menezes, que inclui no contexto a expectativa da população em torno das duas cidades na década de 1970 e 1980.
“Elas eram consideradas cidades extremamente promissoras. Enquanto Várzea Grande era a cidade industrial. Cáceres era a saída o Brasil para países andinos, além da saída da hidrovia Paraguai-Paraná. Hoje, nada ou muito pouco funciona. No caso de Cáceres, a terra não é própria para a agricultura e se transformou em uma região de pecuária com baixa produtividade”, avaliou Menezes, em entrevista ao
MidiaNews.
“Já Várzea Grande, considerada industrial, teve o quê de indústria? Eu reconheço que o que se vendeu foi uma idéia e não uma verdade. Industrial em termo de receber madeireiras naquela época? Ora, isso não é indústria. Qual indústria foi real? Não me lembro. Nem a chegada da Coca-Cola pode ser considerada nesse contexto, já que é engarrafamento”, completou o analista.
De acordo com o historiador, ao invés de existirem políticas públicas ao longo dos anos e investimentos até mesmo privados, as cidades pararam no tempo.
“Acho que a política mais atrapalhou do que ajudou esses municípios. Em Várzea Grande, com uma política familiar que se estabeleceu por anos, ninguém atravessava a ponte. As cidades pararam no tempo”, completou.