Cuiabá, Sexta-Feira, 3 de Abril de 2026
LANÇAMENTOS
13.07.2010 | 00h05 Tamanho do texto A- A+

Laboratórios apostam em analgésico "especializado" e fazem quase 30 lançamentos em um ano

Médicos alertam para o uso desses remédios sem orientação médica

Na categoria mais competitiva de medicamentos no Brasil - a dos analgésicos vendidos sem a necessidade de receita médica - não há trégua. Segundo dados da consultoria farmacêutica IMS Health, em um ano a classe dos analgésicos fez 29 lançamentos no país, o que ultrapassa todas as outras categorias de remédios, que, em média, fazem no máximo dois lançamentos ao ano. Um mercado de R$ 1,5 bilhão no Brasil, que cresceu 14% de 2008 a 2009.

Juntas, três drogas de ação analgésica (considerando a mais vendida no país, que também é relaxante muscular) são as que acumulam maior número de unidades comercializadas, à frente de medicamentos contra disfunção erétil, para regular o colesterol e antidepressivos.

Os lançamentos não são de novos remédios. São principalmente novas apresentações dos mesmos princípios ativos, como o remédio já conhecido com ação prolongada ou em embalagem mais prática, explica Marcello de Albuquerque, diretor de linha de negócios da IMS Health.

E é preciso ser criativo para atrair o consumidor-paciente: nas propagandas, os comprimidos, que como todos os remédios têm riscos, ganham a leveza de balões e o poder de acabar até com situações estressantes, como contas, brigas e o chefe que chama no celular. Outras pílulas tentam conquistar o consumidor se apresentando como um remédio específico para cada tipo de dor. Em outro anúncio, o paciente levita sobre um comprimido.

A temporada de lançamentos se concentra justamente agora, entre o outono e o inverno, quando as pessoas ficam mais doentes - dores no corpo de gripes e resfriados e dores de garganta são um prato cheio, diz.

Profissionais de saúde alertam que os analgésicos devem ter uso limitado. Além disso, exigem orientação médica, apesar de a legislação brasileira permitir propaganda e venda direta ao público leigo - por serem substâncias com anos no mercado sem problemas graves frequentes.




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