ERICKSEN VITAL
G1MT
O Ministério do Meio Ambiente apontou que quatro municípios de Mato Grosso estão na lista dos 52 que mais desmataram o cerrado brasileiro. No entanto, na avaliação do coordenador executivo da organização não governamental Instituto Centro de Vida (ICV), Laurent Micol, a lista também revela que Mato Grosso estabilizou o uso de áreas do cerrado para o plantio de soja, um dos principais vetores do desmatamento no país.
O representante da ONG ambiental também afirmou que a abertura de área foi verificada nos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia, que compõem o chamado Mapitoba. “A participação de Mato Grosso no desmatamento do cerrado diminuiu ao longo dos anos, indicando que a expansão da soja migrou para outros estados do país que estão dentro do mesmo bioma”, comentou.
A lista com a relação dos 52 municípios prioritários para o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas do Bioma Cerrado (PPCerrado) foi publicada no Diário Oficial da última segunda-feira (26). A partir de agora, essas cidades prioritárias serão monitoradas e vão receber suporte do governo federal para a recuperação das áreas degradadas.
A situação do estado é diferente se comparada com anos anteriores. Os dados do Programa de Monitoramento do Desmatamento nos Biomas Brasileiros revelam que Mato Grosso foi o estado líder em desmatamento do cerrado durante o período de 2002 a 2008, seguido por Maranhão e Tocantins. Já no no período de 2009/2010, Mato Grosso foi o quarto no país em desmate no bioma. Maranhão e Piauí lideraram o ranking nacional.
Desmate entre 2009 e 2010
Entraram na lista do ministério os municípios que desmataram área superior a 25 quilômetros quadrados entre 2009 e 2010 e que possuam, em seu território, cobertura vegetal remanescente superior a 20% ou a presença de áreas protegidas (Terras Indígenas, Territórios Quilombolas e Unidades de Conservação). Os critérios levam em consideração os dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento nos Biomas Brasileiros por Satélite, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Segundo o MMA, levantamentos feitos com base em imagens de satélite apontam que os 52 municípios representam apenas 4% do total de municípios do bioma, mas são responsáveis por 44,7% de toda a área desmatada no período que totalizou 6.469 quilômetros quadrados.
A participação mato-grossense no ranking nacional é a seguinte: Paranatinga em 12º lugar (66,94 km²), Rosário Oeste 15º (52,15 km²), Cocalinho 17º (50,95 km²) e Água Boa em 33º lugar (31,66 km²). De acordo com a portaria, os municípios que compõem a lista são considerados prioritários para receber medidas destinadas à integração e aperfeiçoamento das ações de monitoramento e controle do desmatamento. Esse incentivo aos municípios em vez de medidas de restrições foi avaliado como positivo pelo representante da ONG ambiental.
A Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja) informou, por meio da assessoria de imprensa, que as cidades de Água Boa e Paranatinga são na verdade municípios pecuaristas, e que nos últimos tempos passaram a plantar soja em áreas que já eram usadas para pastagem. Ainda conforme a instituição, os quatro municípios não são tão expressivos na produção de soja regional. Água Boa, por exemplo, representa 0,9% da produção de soja do estado. Já Rosário Oeste e Cacalinho tradicionalmente não produzem soja.
Efeito estufa
Em 2009, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizada em Copenhague, na Dinamarca, o Brasil se comprometeu a reduzir 40% nas emissões de gases efeitos estufa provenientes do desmatamento no cerrado.