No artigo de ontem pedi permissão aos leitores no artigo “O Enigma Araguaia”, para falar das percepções espirituais que sempre rondaram a região da Serra do Roncador, no Vale do Araguaia.
Por caminhos que nunca procurei, esse tema sempre me caiu no colo desde a minha infância lá em Minas, onde nunca imaginei sequer visitar Mato Grosso. Quanto mais viver aqui.
Em 1966, ainda estudante de Jornalismo na UnB, em Brasília, num avião DC3 da antiga Fundação Brasil Central, colonizadora da região criada em 1943, pelo presidente Getúlio Vargas, 26 estudantes visitamos toda a região e dormimos às margens do lendário Rio das Mortes.
Lá, o famoso indigenista gaúcho, Ayres da Cunha, que casou-se com a bela índia xavante, Diacuí, mostrou-me a constelação do Cruzeiro do Sul e falou-me de uma tal Serra do Roncador. Nela, disse-me, se formará uma raça futura de todo o mundo.
Anos se passaram e o Roncador cruzou a minha vida por inúmeros caminhos sem que eu procurasse nenhum. Convivi com muitas pessoas ligadas àquela profecia do sertanista gaúcho.

"nos se passaram e o Roncador cruzou a minha vida por inúmeros caminhos sem que eu procurasse nenhum. Convivi com muitas pessoas ligadas àquela profecia do sertanista gaúcho"
Cito alguns nomes, sem aprofundar porque é assunto longo: os jornalistas Archimedes Pereira Lima, Edmar Morel, os espiritualistas Mário Paziente, Udo Oscar Luckner, Deusa, Dalvan, João Santini, Armando e muitos mais. Li e li a respeito do coronel inglês Percyval Fawcett que se perdeu na região buscando uma cidade perdida que sintetizará no futuro todas as raças que já percorreram a face do planeta.
Conheci os três irmãos Villasboas no distante ano de 1966 no recém-criado Parque Nacional do Xingu. Convivi em longas conversas com o jornalista goiano Washington Novaes, diretor do extraordinário documentário, “Xingu”, veiculado pela TV Manchete nos anos 1980. Uma obra prima de qualidade e de conteúdo.
Ele contou-me experiências fascinantes que vivenciou entre os índios xinguanos ao longo do ano inteiro em que produziu a minissérie. Ouvi dele relatos impressionantes da espiritualidade xavante e kalapalo, entre outras, e suas conexões com o passado espiritual remoto e com o futuro profético para a região do Vale do Araguaia.
Em 2010, conheci de perto e voltei mais duas vezes à região onde o grupo gnóstico Santuário Místico e Ecológico do Roncador pratica rituais de tratamento em uma caverna na Serra do Roncador.
Nessa mesma caverna tem-se que uma passagem secreta conduz à cidade sonhada por Fawcett, onde convivem remanescentes incas e atlantes. Por gentileza e delicadeza da sacerdotisa Deusa, de Armando, seu par e marido, de Dalvan e de João Santini, participei de rituais de uma riqueza espiritual incalculável.
Passados todos esses anos desde aquele 1966 em que visitei a região pela primeira vez, passaram-se quase 50 anos. Conheci outras pessoas e convivi com gente que sabe de coisas que ainda não podem ser reveladas por enquanto.
Prometo voltar ao assunto pra quem, eventualmente, se interessar por esses temas espirituais e futuristas.
ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.
[email protected]
www.onofreribeiro.com.br