Cuiabá, Sexta-Feira, 3 de Abril de 2026
CASO ROSEMEIRE
20.02.2021 | 08h36 Tamanho do texto A- A+

Delegado diz nunca ter visto cena do crime com tantas provas

Dois homens foram presos pelo assassinato e ocultação do corpo de Rosemeire Perin, de 56 anos

Arquivo/MidiaNews

O delegado adjunto da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marcel Oliveira

O delegado adjunto da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marcel Oliveira

BRUNA BARBOSA
DA REDAÇÃO

O delegado Marcel Oliveira, um dos responsáveis pela investigação sobre o homicídio da empresária Rosemeire Soares Perin, de 56 anos, afirmou que, em dois anos trabalhando na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, nunca havia visto uma cena de crime com tantas provas como na casa do suspeito. 

 

Jefferson Rodrigues da Silva, de 33 anos, foi preso ontem (19), após policiais da Rotam encontrarem o carro de Rosemeire, um Hyndai HB20 branco, no lava a jato onde ele trabalhava. A habilitação da vítima estava guardada na carteira do suspeito. 

 

Ele contou com a ajuda de um dos donos do lava a jato para ocultar o corpo da empresária. Jefferson chegou a prestar depoimento responsabilizando o comparsa, Pedro Paulo de Arruda, de 29, pelo homicídio. 

 

O suspeito ainda acusou Pedro Paulo de tentar estuprar Rosemeire. De acordo com o delegado, as versões apresentadas por Jefferson eram "desconexas", principalmente pelas provas e indícios que havia na quitinete do suspeito. 

 

"Desde o início as histórias estavam desconexas. A quantidade de provas e elementos dentro da residência... Posso dizer que trabalho há dois anos e nunca vi uma residência em que as provas fossem irrefutáveis. Está tudo ali dentro", descreveu. 

 

Conforme o delegado, dentro da residência do Jefferson é possível ter uma dimensão do que ocorreu no dia do crime.

 

"Está tudo ali dentro. Pertences da vítima estavam dentro da casa, sangue da vítima estava dentro da casa, a arma do crime estava dentro da casa... Foi feito o teste positivo de sangue humano. A lona utilizada estava dentro da casa, a cama estava suja de sangue, o quarto estava sujo de sangue, o banheiro sujo de sangue, a sala suja de sangue. O corpo foi arrastado, as mãos bateram pelas paredes da casa. Você vê uma cena de crime rica em detalhes", elencou o delegado.

Marcel explicou ainda que não houve confirmação de qualquer violência sexual. A princípio a Polícia Civil descarta a possibilidade da vítima ter sido estuprada, como apresentado em uma das versões de Jefferson.  

 

"Não existe esse elemento. Embora adotemos de uma forma técnica um padrão de atendimento onde pedimos esse tipo de perícia. Mas, através do que verificamos preliminarmente, não existe indícios de práticas sexais. O primeiro depoimento descartamos, porque as coisas não eram conexas, não se encaixavam". 

 

Conforme o delegado, antes de procurar Pedro Paulo para pedir ajuda na ocultação do cadáver, o suspeito chegou a pedir ajuda para um familiar, que negou o pedido e afirmou estar cansado de ajudar Jefferson. 

 

"Ele entrou em contato com o segundo suspeito [Pedro Paulo] e ele se propôs a ocultar o cadáver junto com ele. Por volta das 22h de terça (16), Pedro Paulo foi à casa do assassino e lá eles fizeram toda aquela preparação do corpo. Enrolaram com lençol, depois com lona e um edredon. Levou até o carro [de Jefferson] e dirigiram até a Passagem da Conceição, onde jogaram o corpo em um barranco". 

 

Pedro Paulo foi autuado por tráfico, resistência a prisão e ocultação de cadáver.  No porta-malas do Ônix de Jefferson, os policiais encontraram dois sacos de cal, cada um de 8 quilos, material usado comumente na construção civil, mas que, em casos de homicídio, serve para acelerar o processo de decomposição e diminuir o odor. 

 

Membro de facção 

 

O delegado também falou sobre a suspeita de Pedro Paulo ser membro do Comando Vermelho, onde atuaria na distribuição de drogas em Várzea Grande. De acordo com ele, a associação à facção criminosa ainda está sendo apurada. 

 

Jefferson usava tornozeleira eletrônica e respondia por crime sexual. 

 

Dívida de R$ 1.250 mil 

 

Rosemeire saiu de casa na terça (16) e disse à filha que resolveria um problema de trabalho, em Várzea Grande, onde ela tinha uma loja de artigos para sorveteria e embalagens. O plano era retornar para almoçarem juntas, mas a empresária não deu mais notícias. 

 

Na ocasião, a vítima foi ao lava-jato para cobrar uma dívida de cerca de R$ 1.250 de Jefferson. No ano passado ele teria adquirido uma máquina de sorvete de Rosemeire, no valor de R$ 7 mil. 

 

"O que motivou o crime foi a dívida. Logo após ter comprado, a maquina apresentou problema e o preço da manutenção foi de R$ 2,1 mil. Desses ele ficou devendo R$ 850 para a vítima, em novembro do ano passado. Com a pandemia teve problemas com o comércio onde ele vendia sorvete, em um supermercado. Estava voltando a trabalhar com isso a partir de aggora e estava precisando também de outro equipamento, um batedor de mil shake, que custaria cerca de R$ 400". 

 

Jefferson também devia R$ 156 de uma compra de pratos de plástico. De acordo com a filha de Rosemeire, Deluse Karine Perin, a loja da mãe faliu recentemente. 

  

Para receber a dívida, Rosemeire foi ao lava a jato onde Jefferson trabalhava. Segundo a Polícia, ele acabou se alterando e dando-lhe uma "gravata". 

 

"Quando ela foi cobrar esse valor, ele não gostou. Ela estava dentro da quitinete [onde ele morava] porque foram testar se o equipamento [o batedor de milk shake] estava funcionando. Ela desmaiou e, posteriormente, ele a amarrou com fitas nas mãos e nos pés, amordaçou com meia e passou fita em volta da boca". 

 

Cerca de cinco minutos após desmaiar, a empresária acabou acordando. Conforme o delegado, Jefferson alegou que, quando a vítima recuperou a consciência, ele acabou se desesperando por medo de ser preso novamente. 

 

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