As investigações da Polícia Federal concluíram que o lobista Rowles Magalhães e o ex-secretário de Estado Nilton Borgato (PSD) integravam, supostamente, o primeiro escalão de uma organização criminosa responsável por tráfico internacional de cocaína.
A informação consta em uma espécie de organograma do grupo descrito no inquérito da PF que resultou na Operação Descobrimento, deflagrada na terça-feira (19).
A PF ainda detalha outros dois escalões da organização, sendo o segundo dividido em parte operacional e financeira. Já no terceiro estariam os responsáveis pelo carregamento da droga.
A operação, deflagrada pela PF baiana, cumpriu 43 mandados de busca e apreensão e nove de prisão preventiva nos estados da Bahia, São Paulo, Rondônia, Pernambuco e Mato Grosso.
O MidiaNews teve acesso à decisão que determinou os mandados, assinada pelo juiz federal Fábio Roque da Silva Araújo, da 2ª Vara Federal Criminal da Bahia.
Conforme as investigações, junto a Rowles e Borgato, também seriam os “cabeças” da organização o empresário Ricardo Agostinho, a doleira Nelma Kodama, primeira delatora da Lava Jato e ex-namorada de Rowles, o empresário Cláudio Rocha Júnior e o membro da facção criminosa PCC, Marcelo Mendonça, conhecido como Marcelo “Grandão” ou Marcelo “Infraero”.
Todos tiveram prisão preventiva cumprida na operação, exceto Cláudio, que já havia sido preso em Portugal por envolvimento com tráfico de drogas em data anterior.
“O relatório da PF demonstrou que Rowles e Ricardo são as pessoas que organizam os voos internacionais entre Brasil e países europeus, mais precisamente Portugal, para o transporte da droga”, consta em trecho de decisão.
Já “Marcelo Mendonça, Nelma Kodama, Nilton Borgato e Claudio Rocha Junior, segundo as investigações, são os responsáveis pela aquisição da droga dos respectivos fornecedores e pela sua introdução na Europa”.
Segundo escalão
As investigações ainda detalharam que o segundo escalão seria composto por quatro pessoas, que se dividiriam na parte operacional e financeira.
A parte operacional, segundo a PF, seria composta pelo empresário Marcos Paulo Barbosa Lopes, conhecido como “Papito”, e Fernando de Souza Honorato. Já a parte financeira seria administrada pelo doleiro Marcelo Lucena da Silva e o contador Edson Carvalho Sales dos Santos.
Marcos Paulo é um dos proprietários da empresa Lopes & Ferreira Assessoria Ltda, que é a contratante do voo responsável pelo transporte de meia tonelada de cocaína apreendida em Salvador (BA) em fevereiro do ano passado, que deu início às investigações pela PF.
Já Fernando Honorato é diretor da empresa de aviação Fly Away e, valendo-se do cargo, “forneceu acesso aos demais integrantes da organização criminosa, para o carregamento de mais de quinhentos quilos de cocaína na aeronave marca Falcon”.
Já Marcelo Lucena é apontado como um doleiro a quem Rowles e Ricardo Agostinho recorreriam para suas transações com o dinheiro proveniente do tráfico.
“Lucena estaria auxiliando Rowles e Ricardo Agostinho a ‘lavar’ o dinheiro proveniente do tráfico de drogas, com transferências bancárias relacionadas com a compra de imóveis”.
E Edson dos Santos utilizaria do seu conhecimento como contador para auxiliar na movimentação financeira da organização criminosa. Ele é apontado como a pessoa que levantou 145 mil euros referentes ao pagamento do voo que veio ao Brasil buscar drogas para ser encaminhada a Europa.
Terceiro escalão
O terceiro escalão é composto por cinco pessoas, e todos eles, segundo as investigações, têm como função o carregamento das drogas até a aeronave e escondê-las na sua fuselagem.
São elas: o consultor aeronáutico Mansur Mohamed Benbarka Heredia, Lincon Felix dos Santos, Dilson Borges dos Santos, o mecânico de aeronaves Richard Rodrigues Consentino e Cícero Guilherme Conceição Desidério.
A operação
Foram determinadas pela Justiça Federal a prisão preventiva contra Rowles, Borgato, Nelma Kodama, Ricardo Agostinho, Marcelo Mendonça, Fernando Honorato, Marcelo Lucena e Marcos Paulo Barbosa, além de Cláudio Júnior, já preso em Portugal.
As investigações da PF tiveram início após a apreensão de 535 kg de cocaína em um jato executivo pertencente a uma empresa portuguesa ligada a Rowles Magalhães, em fevereiro do ano passado, em Salvador.
Conforme a PF, a partir de então foi possível identificar a estrutura da organização criminosa atuante nos dois países, composta por fornecedores de cocaína, mecânicos de aviação e auxiliares (responsáveis pela abertura da fuselagem da aeronave para acondicionar o entorpecente), transportadores (responsáveis pelo voo) e doleiros (responsáveis pela movimentação financeira do grupo).
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