O primeiro ano da gestão da prefeita Flávia Moretti (PL) e do vice-prefeito Tião da Zaeli (PL) foi marcado por desafios financeiros herdados da gestão do ex-prefeito Kalil Baracat (MDB), reformulações no secretariado e disputas judiciais e políticas.
Além disso, Flávia e o vice tiveram atristos públicos logo nos primeiros meses da gestão, mas conseguiram 'fazer as pazes'.
Moretti tomou posse em 1º de janeiro com o compromisso de priorizar o abastecimento de água e a saúde pública. A situação das contas públicas foi o primeiro grande obstáculo.
A prefeita anunciou que a "herança" deixada pela gestão anterior superou as expectativas iniciais, revelando um montante de restos a pagar que beirava os R$ 160 milhões.
Desse total, a prefeita afirmou ter conseguido quitar cerca de R$ 80 milhões em menos de um ano, priorizando serviços que considerou indispensáveis para que a cidade não parasse.
O levantamento parcial feito pela equipe econômica apontou despesas empenhadas e não quitadas, o que Moretti classificou como um entrave para o funcionamento da máquina pública. Contudo, o buraco financeiro mostrou-se muito mais profundo.
Em entrevistas recentes, a gestora expôs que o passivo total de Várzea Grande ultrapassa a marca simbólica de R$ 1 bilhão. Esse valor é composto majoritariamente por uma dívida de precatórios que soma R$ 700 milhões, além de diversas ações judiciais em trâmite.
Focos da gestão
Moretti reafirmou o compromisso de campanha e uma de suas principais bandeiras, que é transferir o serviço do DAE para concessão privada, o que depende de aprovação da Câmara. Atualmente o departamento já passou pela primeira fase do processo, que foi um estudo da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), e escutas públicas com a população estão sendo realizadas.
O desejo de Flávia é enviar para os vereadores a privetização do DAE até maio de 2026, mês de aniversário da cidade. Até o momento, a gestão focou no combate a vazamentos, responsáveis por 80% da falta de abastecimento, que continuam na cidade e são alvo de reclamação dos moradores.
Outra prioridade foi a Saúde, que vive situação delicada no município. O Pronto Socorro quase teve o teto desabado e enfrentou um incêndio no transformador. O local passou por reformas e ganhou uma estrutura mais moderna.
Paz selada com Tião
No campo político, a relação entre Flávia e seu vice, o empresário Tião da Zaeli (PL), foi uma montanha-russa que alimentou os bastidores da Cidade Industrial. Durante semanas, as tensões entre os dois tornaram-se públicas, com rumores de um rompimento iminente que poderia paralisar a governabilidade.
Zaeli chegou a apresentar uma série de apontamentos e divergências sobre os rumos de diversas pastas. A crise exigiu a intervenção de interlocutores e lideranças estaduais do PL, culminando em uma reunião de realinhamento no final de fevereiro.
Na ocasião, o secretário de Governo, Benedito Lucas, chegou a afirmar que era necessário "resetar" a administração e parar de gastar tempo apagando incêndios internos para focar nas entregas à população
Após o encontro, Flávia selou a paz publicamente, classificando os desentendimentos como uma "briga de irmãos".
Ela negou que o vice estivesse escanteado da gestão, destacando que indicações importantes de Zaeli, como o comando do Departamento de Água e Esgoto (DAE) pelo Coronel Sandro Azambuja, foram mantidas.
A prefeita reafirmou a autonomia de Tião dentro do governo, pontuando que "ninguém faz nada sozinha" e que precisava da ajuda do parceiro de chapa para garantir que Várzea Grande crescesse.
O movimento de união foi visto como estratégico para enfrentar a oposição na Câmara Municipal, que se tornou o "calcanhar de aquiles" de Flávia
Processo na Justiça e Comissão Processante
O ano também foi de batalhas nos tribunais. Moretti e Zaeli enfrentaram uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), movida pelo MDB e União Brasil, que pedia a cassação de seus mandatos por suposto abuso de poder econômico e uso indevido de meios de comunicação na campanha de 2024.
A acusação focava na disseminação de informações falsas e impulsionamento irregular de propaganda.
Contudo, o juiz José Mauro Nagib Jorge julgou a ação improcedente, considerando que os fatos apresentados tinham "pouca gravidade" e não possuíam potencial para comprometer a isonomia do pleito.
O magistrado destacou que o alcance das publicações digitais contestadas foi inexpressivo, o que afastou a configuração de abuso de poder.
Apesar da vitória na Justiça Eleitoral, outra frente está sendo travada no Legislativo. A Câmara Municipal aprovou a abertura de uma Comissão Processante contra a prefeita, com o voto favorável de 17 vereadores.
A investigação apura possíveis irregularidades no uso do slogan da gestão nos uniformes escolares, o que poderia configurar publicidade institucional indevida. A comissão atualmente segue em andamento na Casa.
Dança das cadeiras
A instabilidade na gestão foi refletida no alto número de mudanças no secretariado. Em apenas 11 meses, a administração acumulou 13 trocas em cargos estratégicos.
A primeira saída do governo ocorreu quando a tenente-coronel Emirella Martins foi exonerada da chefia de gabinete da prefeita. O segundo a sair foi o coronel Sandro Azambuja da presidência do Departamento de Água e Esgoto (DAE- VG).
A terceira foi a controladora-geral Maria Rosaine Toledo Rosa que deixou o Instituto de Seguridade dos Servidores Municipais (Previvag), sendo substituída por Sumaia Leite de Almeida. A quarta baixa foi o bispo Gustavo Henrique Duarte, que comandava a Secretaria de Assistência Social e foi afastado após ser alvo de uma operação da Polícia Federal envolvendo disseminação de Fake News contra o governador Mauro Mendes (União).
Em seguida, foi a vez de Carlos Araújo, marido da prefeita, a deixar a pasta de Assuntos Estratégicos por decisão judicial, por não possuir formação superior. A sexta baixa ocorreu na Secretaria de Educação, o padre Edson Sestari entregou o cargo por questões internas e foi substituído por Cleiton Marino Santana.
Já na Secretaria de Planejamento, Fabyane Akemi Nagazawa de França deixou o posto e, em seu lugar, assumiu interinamente Drielli Martinez Ferreira Lima. A oitava troca foi na Secretaria de Administração onde Nadir Araújo saiu e o ex-deputado estadual Antônio Possas de Carvalho foi nomeado para o lugar.
A Secretaria de Gestão Fazendária passou a ser comandada por Marcos José da Silva, após a saída de José Mazzuco Filho. A décima troca ocorreu na Secretaria de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana, que foi entregue ao vereador Lucas Chapéu do Sol, após a exoneração de Gerson Scarton e o retorno de Samir Japonês à Câmara Municipal.
A 11ª mudança foi a de Benedito Lucas, da Secretaria de Governo, que pediu exoneração. Em seu lugar assumiu Andrea Caroline Melo.
Em outubro, após a morte de Antônio Roberto Pôssas de Carvalho, assumiu a pasta a servidora de carreira Jaqueline Favetti. Por fim, Moretti nomeou a admistradora e especialista em comunicação Fabyane Nagazawa como nova secretária de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Turismo.
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