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21.03.2026 | 11h26 Tamanho do texto A- A+

Haddad surfou em crescimento do PIB e derrapou no fiscal

Ministro da Fazenda conviveu com uma economia que avançou ao ritmo de 3% ao ano

Jefferson Rudy/Agência Senado

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad

EDUARDO CUCOLO
DA FOLHAPRESS

Durante os quase 1.200 dias em que ficou à frente do Ministério da Fazenda, Fernando Haddad encontrou na questão fiscal o maior desafio e também o ponto mais vulnerável de sua gestão.

 

Um cenário que já estava desenhado desde o período de transição de governo, quando foi aprovada a proposta que abriu espaço no Orçamento para aumentar os gastos públicos.

 

Levantamento feito pela reportagem com base em indicadores econômicos mostra que, enquanto seus antecessores lidaram com recessões ou baixo crescimento desde 2014, Haddad conviveu com uma economia que avançou ao ritmo de 3% ao ano —em parte, com estímulos fiscais.

 

O desemprego caiu para o menor patamar da história recente, e a inflação retornou aos limites da meta, em um ambiente de juros elevados.

 

A Bolsa subiu cerca de 80% nesse período e bateu recordes, enquanto o dólar está em patamares distantes dos R$ 6,00 verificados no momento de mais estresse da gestão —e, antes do início da guerra no Irã, abaixo dos R$ 5,28 do final de 2022.

 

Os indicadores fiscais, no entanto, não seguem a mesma trajetória positiva. A dívida bruta repetiu o forte crescimento visto nas gestões Dilma e Temer (2015-2018), após uma sucessão de déficits fiscais, apesar de a carga tributária estar em patamares recordes. A dívida bruta do Brasil fechou 2025 em 78,7% do PIB. No início do governo Lula, estava em 71,58%.

 

Os tributos foram motivo de diversos embates entre o ministro, o Congresso Nacional e o empresariado nesse período. Em alguns casos, somente com a intervenção do STF (Supremo Tribunal Federal) o governo conseguiu avançar nessa agenda.

 

O primeiro grande anúncio da gestão foi justamente um pacote de medidas fiscais, em janeiro de 2023, com corte de despesas e medidas para aumentar a arrecadação.

 

Em março, o ministro apresentou a proposta para o arcabouço fiscal, a legislação que substituiu o Teto de Gastos para tentar limitar o crescimento das despesas. O projeto foi aprovado poucos meses depois.

 

A boa relação com o Congresso nesse período garantiu ainda aprovação da reforma tributária, o que levou a agência S&P a elevar a nota de crédito do Brasil no final daquele ano. Naquele período, o dólar chegou a R$ 4,73, valor mais baixo neste governo.

 

O segundo ano de Haddad começou com a revisão de metas fiscais, gerando reação negativa no mercado financeiro. O Ibovespa caiu abaixo dos 120 mil pontos. No final de 2024, o dólar ultrapassou os R$ 6 pela primeira vez, com destaque para a reação do mercado após o anúncio de um pacote de contenção de gastos públicos com o aumento da isenção do Imposto de Renda.

 

O governo colocou em prática também uma agenda de cortes de benefícios fiscais. Após meses de embate com o Congresso, chegou a um acordo em relação ao fim gradual da desoneração da folha de pagamentos e do Perse, criado na pandemia para desonerar o setor de eventos. Mas viu o Legislativo recusar parte de uma medida provisória que cortava créditos tributários para empresas.

 

No começo de 2025, após as mudanças no comando do Congresso, as divergências se intensificaram. Em maio, o governo elevou o IOF sobre diversas operações financeiras. Os parlamentares derrubaram a medida, e coube ao STF arbitrar a questão, com vitória parcial da Fazenda.

 

No segundo semestre, no entanto, o ministro conseguiu diversas vitórias, com a aprovação da Lei do Devedor Contumaz, do projeto que corta benefícios fiscais, do segundo projeto de regulamentação da reforma tributária e da reforma do Imposto de Renda, promessa de campanha de Lula.

 

Pouco dias antes de deixar o cargo, o ministro defendeu uma reformulação dos gastos sociais do governo federal e também defendeu a política fiscal do governo. Afirmou que conseguiu reduzir em 70% o déficit primário, comparando o resultado de 2025 com a projeção feita no Orçamento para 2023 pelo ex-ministro Paulo Guedes, citado como guru para assuntos econômicos da candidatura Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.

 

A pedido de Lula, Haddad deixa o cargo para concorrer ao governo de São Paulo contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e ajudar a puxar votos para o presidente na eventual disputa contra o filho mais velho do ex-presidente.

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