O presidente da associação de moradores do Pedra 90, em Cuiabá, Antônio Marcos Nascimento Lemos, registrou um Boletim de Ocorrência contra o presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereador Deucimar Silva (PP). Lemos acusa o parlamentar dos crimes de injúria, mediante preconceito (Art. 140, pena - detenção, de um a seis meses, ou multa) e de ameaça (Art. 147, pena - detenção, de um a seis meses, ou multa).
O fato se deu na última terça-feira (11), quando Antônio Lemos foi impedido de utilizar a Tribuna Livre da Câmara e se sentiu discriminado e ameaçado por Deucimar.
Segundo ele, o espaço seria utilizado para pedir informações a respeito de uma reforma na sede do Legislativo, que custará aos cofres públicos R$ 3 milhões. Ele, inclusive, protocolou o documento junto à Mesa Diretora, solicitando as informações.
Antônio Lemos confirmou, em depoimento na Polícia Civil, as declarações de que Deucimar Silva recomendou que ele próprio fiscalizasse as obras, lhe entregou um capacete e, em tom de ameaça, sugeriu que ele pegasse o objeto, pois "poderia cair um tijolo em sua cabeça". Além disso, o teria tratado de maneira discriminatória, ao préjulgá-lo por utilizar cabelos compridos, tachando-o de "cabelinho amarado e escorrido".
Medo
O líder comunitário disse temer por sua vida, pois considera que o presidente da Câmara se incomodado com a cobrança sobre as obras de reforma da Câmara Municipal.
"Eu me sinto ameaçado. Sempre que ando na rua, em meu bairro, os moradores vêm me alertar para tomar cuidado. Minha mulher e minha família estão todos assustados com essa situação", declarou Antonio Lemos, em entrevista ao MidiaNews. Ele revelou que vai solicitar as imagens da sessão para provar que sofreu ameaça e discriminação.
Lemos ressaltou que não foi à Câmara ameaçar Deucimar, mas sim solicitar informações sobre a obra no Legislativo, como qualquer cidadão tem direito de fazer. "Se ele falou que não tem nenhum batedor de carteira lá dentro, que não tem ladrão na Câmara, eu não estou falando isso. Quero, sim, as informações que ele vem negando. Casa que não tem pai e nem administração, vira bagunça", disse .
Questionado se Deucimar ou alguma pessoa de seu grupo o teria procurado para falar sobre o assunto, Antônio Lemos afirmou que não quer ser procurado por ninguém. "Desse povo aí, quero distância. Deucimar anda com um monte seguranças fornecidos pela PM. São policiais que poderiam estar em nosso bairro, trabalhando para dar mais segurança para anossa população, mas estão cuidando do Deucimar", afirmou.
A respeito do tratamento recebido na Câmara Municipal, Antônio Lemos voltou a criticar o vereador Deucimar Silva. "Ali não é a casa dele para que trate alguém da forma como me tratou. E o pior é que, como ele me tratou, ele trata qualquer um que entra na Câmara. Se ninguém tomar providência, amanhã ou depois, ele pode fazer até pior. Eu tenho filho e mulher, que estão assistindo e vendo essas coisas. Ele não tem respeito por ninguém", afirmou o líder comunitário.
Outro lado
O secretário de Comunicação Social da Câmara, Auro Ida, informou que o vereador Deucimar Silva não tem nenhum interesse em falar sobre o caso. "Ele não quer polemizar sobre o assunto", disse o jornalista. Ida ainda insinuou que o líder comunitário estaria querendo se beneficiar, de alguma maneira, através do episódio.
Confira a íntegra do Boletim de Ocorrências feito por Lemos:
