Cuiabá, Quinta-Feira, 2 de Abril de 2026
DELAÇÃO
11.01.2016 | 09h36 Tamanho do texto A- A+

MPE assinou em dezembro acordo com ex-presidente do Detran

Teodoro Moreira Lopes se comprometeu a entregar documentos e indicar pessoas relacionadas a supostos crimes

Secom-MT

O ex-presidente do Detran-MT, Teodoro Lopes, o Dóia: acordo de delação

O ex-presidente do Detran-MT, Teodoro Lopes, o Dóia: acordo de delação

RAMON MONTEAGUDO
DA REDAÇÃO

O Ministério Público Estadual (MPE) assinou, em 1 de dezembro do ano passado, um acordo de colaboração premiada com o ex-presidente do Detran-MT, Teodoro Moreira Lopes, o Dóia.

 

O documento, ao qual o MidiaNews teve acesso exclusivo, prevê que o ex-gestor da autarquia seja afastado do polo passivo da ação penal que será proposta, ou obtenha redução da pena privativa de liberdade (de um terço a dois terços), ou o perdão judicial por crimes em tese cometidos na autarquia.

 

No ano passado, Dóia prestou pelo menos cinco longos depoimentos ao MPE, onde revelou detalhes de supostos esquemas de corrupção, com distribuição de propina a deputados estaduais, assessores políticos ligados ao ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e empresários, entre outros.

 

No acordo, Teodoro Lopes deve obrigar-se, de maneira efetiva, sem malícia ou reservas mentais, a esclarecer todos os fatos em apuração na instrução criminal; indicar pessoas que possam prestar depoimentos sobre os fatos apurados

Ele presidiu a autarquia entre 2007 e 2013 e teria coordenado os alegados esquemas, com desvios que chegariam a R$ 1 milhão mensais.

 

A empresa FDL Serviços de Registro, Cadastro, Informatização e Certificação de Documentos Ltda. (atual EIG Mercados Ltda.), responsável pelo registro de financiamentos de contratos de veículos, necessário para o primeiro emplacamento, estaria no epicentro de um dos esquemas.

 

A propina teria alimentado uma organização criminosa desde 2009, ano em que a então FDL fechou contrato com o Detran-MT. Dóia teria admitido ao MPE que, com parte do dinheiro, adquiriu apartamentos e salas comerciais em Cuiabá. Os depósitos em dinheiro a uma construtora da Capital, referentes às compras dos imóveis, já teriam sido rastreados e comprovados.

 

Crimes

 

O acordo de delação premiada, que possui nove páginas, tem como foco crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraude à licitação.

 

Um inquérito policial, de número 061, foi aberto, em 2012, para apurar a ocorrência dos crimes. Segundo apurou a reportagem, apesar de algumas denúncias anônimas e indícios, as investigações não avançaram. Foi somente após a delação de Dóia que as pontas que estavam soltas começaram a ser amarradas.

 

Nos depoimentos aos promotores de Justiça e delegados da Polícia Civil, Dóia teria dado detalhes sobre os bastidores dos supostos esquemas, citando valores de propinas, como e onde o dinheiro era sacado, nomes de quem as recebiam e destinatários finais.

 

A maior parte do dinheiro em tese movimentado teria sido sacada de uma agência do Banco do Brasil, localizada no Distrito Industrial de Cuiabá.

 

Reconhecimento de pessoas

 

Segundo o termo de delação, para que receba os benefícios previstos, Teodoro Lopes deverá “obrigar-se, de maneira efetiva, sem malícia ou reservas mentais”, a esclarecer todos os fatos em apuração na instrução criminal; indicar pessoas que possam prestar depoimentos sobre os fatos apurados; comparecer à sede do MPE para analisar documentos e provas, reconhecer pessoas e auxiliar peritos na análise de registros bancários e transações financeiras.

 

Além disso, o ex-presidente se comprometeu a entregar documentos, fotografias, banco de dados e arquivos eletrônicos, que estejam em seu poder ou com terceiros, que possam contribuir para esclarecer os crimes em apuração.

 

Caso se recuse a cumprir qualquer cláusula do termo, a delação será automaticamente considerada sem efeito. Ao assinar o acordo, Dóia também abriu mão do direito constitucional de não se autoincriminar durante os depoimentos.

 

A delação premiada tramita sob sigilo e está sob análise do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

 

A delação premiada de Dóia deve resultar na deflagração, em breve, de uma operação conjunta entre o Gaeco (Grupo de Ação Especial de Combate ao Crime Organizado), órgão do MPE, e a Polícia Civil.

 

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5 Comentário(s).

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edy amrcos  11.01.16 15h36
Quando o detran era ali na barão com a major gama eu trabalhei num despachante bem em frente, na quela época era só pela misericórdia de Deus imagina hoje.Eu não entendo uma coisa que está debaixo do sol, que mais teve oportunidade,mais educação e mais sabia o que pode e o que não pode e são os que mais benefícios tem. Quando digo que meditar nas coisas deste mundo é aflição da alma e brota um espirito de indignação em meu peito eu naõ estou errado. Não são os políticos que torna o país, mas o seu povo também. Deus tem falado da maldade do povo que é terrível também.
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Reinaldo Silva  11.01.16 15h30
MAIS UMA PIZZA?????????
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Rodrigo Valle  11.01.16 11h14
Correto.Isso devera ser feito em todas as secretarias,orgaos e autarquias.Se houve corrupcao tem que punir mesmo e com provas.O que nao pode acontecer é generalizar dizendo que TODOS formavam uma quadrilha.Isso nao é verdade,tem servidores que trabalham muito e isso sao os de carreira.No DETRAN sao servidores, pais e maes de familia que ralam diariamente atendendo a populacao.Trabalham em uma estrutura caotica,sem sistema,sem ar condicionado.Por favor nao generalize.Digo isso porque vou a autarquia e nao vejo nada.Vejo servidor sendo xingado por usuario,quando o sistema cai.Aconteceu isso comigo,fiquei possessa,mas nao adianta brigar.Servidor nao é VAGABUNDO quando se faz greve,sao servidores lutando por direitos conquistados.Se for provado mesmo a corrupcao que sejam punidos e como disse com provas.Como usuaria gostaria de estrutura na autarquia. Ate porque as taxas que eu pago sao altas para nao ter nada. Nao estou defendendo ninguem,so estou expondo o que eu vi la. A proposito a minha CNH ficou carisssima e la nao tinha nem cadeira para eu sentar. De valor ao orgao e aos servidores,pois eu vejo que o DETRAN para ti é somente fonte de arrecadacao e nada mais...
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FRANCISCO  11.01.16 11h04
FRANCISCO, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas
Marcelo  11.01.16 10h41
Desde que a delação e consequente redução da pena venha acompanhada da restituição do dinheiro desviado eu sou a favor. Agora delação sem devolução da grana roubada acho injusto a quem trabalha honestamente.
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