No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado nesta quinta-feira, 2 de abril, uma iniciativa em Cuiabá chama atenção para um dos principais desafios enfrentados por famílias após o diagnóstico: transformar inclusão escolar em prática, e não apenas em discurso.

Um programa desenvolvido há cerca de três anos vem atuando justamente nesse ponto, ao oferecer acompanhamento no contraturno voltado à adaptação, aprendizagem e desenvolvimento social de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A proposta surgiu a partir da experiência pessoal dos fundadores da Clínica Vital Kids, a fisioterapeuta e diretora técnica Dra. Camila Albuês e o empresário Clayton Torres, pais de Arthur, hoje com 13 anos e diagnosticado com TEA. A vivência com as dificuldades da inclusão escolar acabou estruturando um modelo de atendimento focado em dar mais autonomia às crianças.
Segundo a psicóloga Izabel Taurines, responsável pelo programa na clínica, o trabalho começa com uma avaliação individual e segue com estratégias personalizadas, que envolvem desde psicopedagogia até estímulos de comunicação e socialização.
“A gente não trabalha só as dificuldades. Muitas vezes é uma criança não verbal, que aponta, e a gente desenvolve formas de comunicação. Também entra a parte pedagógica, porque o objetivo é que ela consiga acompanhar a escola”, explica.
O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, por até duas horas diárias, podendo ser ajustado conforme a evolução. Dentro do programa, os alunos utilizam recursos como mapas mentais para estudar, mas a equipe reforça que o avanço depende diretamente da parceria com a escola, responsável pela inclusão no dia a dia.

Além do acompanhamento das crianças, a clínica também atua na capacitação de acompanhantes terapêuticos que trabalham em sala de aula, buscando alinhar estratégias entre clínica, família e escola. Atualmente, seis crianças participam do programa.
A evolução de Arthur, filho dos fundadores, ajuda a ilustrar esse processo. De acordo com Clayton Torres, o objetivo sempre foi reduzir a dependência e ampliar a autonomia do filho, o que exigiu, inclusive, rever a forma de proteção dentro da família.
“A gente vai tirando ele da bolha, porque o mundo não vai passar a mão. Ele precisa estar preparado para isso”, afirma.
Hoje, Arthur já frequenta a escola sem a necessidade de ajudante terapêutica, após um processo gradual de redução desse acompanhamento. A mudança trouxe novos desafios, mas, segundo o pai, eles estão mais ligados ao aprendizado do que ao autismo em si.
“Hoje a dificuldade é de base, como qualquer aluno. Antes, as provas eram mais fáceis e ele até reclamava, porque estudava e não era igual aos colegas. Agora ele está no mesmo nível”, relata.
Para a equipe da clínica, esse é o principal resultado do trabalho: não apenas melhorar o desempenho escolar, mas preparar a criança para lidar com o ambiente fora da clínica, com mais independência e segurança.
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