Taí um problema deste mundo em que séries e filmes são produzidos levando em consideração curtidas e hashtags.
Em tempos pós "Stranger Things", o remake de "It – A coisa" pode parecer cópia ou algo que "bebeu na fonte" daquilo que ele, clássico que é, inspirou. E que só nasceu décadas depois.
O novo filme chega nesta semana aos cinemas brasileiros e mais uma vez é baseado no livro de 1986 de Stephen King
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Tá certo que "It" é, abre muitas aspas, uma "cópia" bem mais macabra e assustadora – e histérica também. Ainda assim, rola uma desvalorização dessa história que é de referência, mas que acabou esmagada entre as duas temporadas de uma das séries mais populares na Netflix hoje.
O diretor argentino Andrés Muschietti diz que é coincidência. Mas até o jovem ator Finn Wolfhard, o Mike de "Stranger Things", é um dos destaques do elenco do filme.
Coisas estranhas
Na trama de "It", sete amigos de uma pequena cidade dos Estados Unidos decidem investigar a fundo o desaparecimento de crianças na região. Entre elas está Georgie, irmão de Bill (Jaeden Lieberher), o líder do simpático grupo conhecido como o Clube dos Perdedores.
Eles descobrem que o responsável pelos sumiços é um monstro que se abastece de medo, se alimenta de crianças e que toma a forma daquilo que mais assusta suas vítimas.
O que geralmente acaba sendo (e com razão) o palhaço encapetado Pennywise, interpretado aqui por Bill Skarsgård ("A série divergente").
Grupo de amigos nerds lutando contra uma ameaça sobrenatural
Membro do grupo raptado e desaparecido
Menina diferentona e carismática que se junta ao bando
Bicicletas a torto e a direito – e que sempre acabam largadas no meio da rua
O novo "It" segura a onda apesar das suas 2 horas e 15 minutos e é... Divertido.
A refilmagem até tenta resgatar o terror que arrepiou a nunca da criançada nos anos 1990 e transformou o primeiro Pennywise, de Tim Curry, em um dos maiores personagens do gênero. Mas o filme vai bem de verdade quando se debruça sobre a jornada de amizade "unidos venceremos" do Clube dos Perdedores.
Skarsgård aparece bem como o novo Pennywise, mais macabro e nojento que o original. O ator sueco empresta um olhar e um sorriso perturbadores à figura dentuça e de cabelos desgrenhados. Tem ainda uma a malemolência física necessária para as cenas mais dignas de pesadelos.
Quer dizer, teria... A primeira metade do filme é um vai e vem entre o dia a dia dos perdedores e a primeira vez que cada um deles viu Pennywise. Como a mudança é brusca, é fácil saber quando a cena é leve e quando é de tensão.
A trilha sonora fica pesada, a câmera se esconde, o personagem fica eletrizado, e aí não tem medo. São só momentos de sustos baratos, os "scare jumps", com algum barulhão do nada fazendo você saltar da cadeira. O novo palhaço Pennywise passaria fome na vida real com essa histeria toda.
Com um bom monstro sub-desenvolvido, cabe ao Clube dos Perdedores tocar o barco, o que acontece até com certa facilidade.
Cada membro do grupo parte de um dos vários estereótipos de filmes dos anos 1980 e 1990 – o líder tímido, o filhinho de mamãe, o gordinho etc. É assim que dão um banho de carisma, além de demonstrarem como essas personalidades podem ser complexas e terem relações profundas com os pais e o ambiente em casa.
São muitas cenas divertidas, às vezes com tantas piadas que lembram os filmes da Marvel. Mas o humor no geral trabalha para criar uma conexão forte com os personagens. E odiar, é claro, o grupo que faz bullying, liderado por um adolescente completamente psicopata.
Se você assistiu ao primeiro "It", vai notar que o novo só foca na fase criança dos protagonistas. A fase adulta, parte essencial do livro e do filme original, vai ficar para um segundo capítulo ainda sem previsão de estreia.
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