ENQUETES

Como você vai gastar seu 13º salário?

PUBLICIDADE

Judiciário / VENTRÍLOQUO 2
06.10.2016 | 11h28
Tamanho do texto A- A+

Gaeco: assessor preso recebeu R$ 301,9 mil em esquema na Assembleia

Francisvaldo Mendes teria cobrado parte de dinheiro supostamente desviado da Assembleia

Marcus Mesquita/MidiaNews/Reprodução

Clique para ampliar

A segunda fase da Operação Ventríloquo foi deflagrada nesta quarta-feira

AIRTON MARQUES
DA REDAÇÃO

O Ministério Público Estadual (MPE) revelou que o chefe de gabinete do deputado estadual Romoaldo Júnior, Francisvaldo Mendes Pacheco, teria se beneficiado com R$ 301,9 mil supostamente desviados da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, entre os anos de 2013 e 2014.

 

A acusação resultou em uma denúncia oferecida contra o servidor, à juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital. Francisvaldo Mendes foi preso pelo Gaeco na tarde desta quarta-feira (5), na deflagração da segunda fase da Operação Ventríloquo, denominada Filhos de Gepeto.

 

A segunda fase foi deflagrada após novas informações surgirem com o acordo de colaboração premiada do advogado Julio Cesar Domingues Rodrigues - apontado como "lobista" no suposto esquema.

 

A operação apura suposto esquema que teria desviado R$ 9,4 milhões da Assembleia, por meio de pagamentos indevidos ao então advogado do HSBC e delator dos crimes, Joaquim Fábio Mielli Camargo.

 

Conforme quebra de sigilo bancário autorizado judicialmente, logrou-se apurar que a importância de R$ 241.900,00, que foi depositada em duas parcelas por Joaquim Fabio Mielli

Os pagamentos eram referentes a uma dívida do Legislativo com o antigo Seguro Saúde Bamerindus. Do valor total pago, segundo o Gaeco, 45% voltaram para os membros do suposto esquema.

 

De acordo com a denúncia, em 2012, Francisvaldo Mendes foi procurado pelo advogado Julio Cesar, para que intermediasse junto ao deputado Romoaldo – presidente da Mesa Diretora, na época -, os trâmites para o pagamento da dívida.

 

Na ocasião, segundo o Gaeco, Franscivaldo Mendes, teria exigido para si  "uma percentagem do valor que viesse a ser pago, o que posteriormente efetivamente veio a ocorrer". 

 

Conforme a denúncia, o chefe de gabinete recebeu R$ 241,9 mil usados para o pagamento de um empréstimo com o empresário  Rodrigo Santiago Frisson, da empresa Canal Livre Comércio e Serviços Ltda.

 

"Conforme quebra de sigilo bancário autorizado judicialmente, logrou-se apurar que a importância de R$ 241.900,00 (duzentos e quarenta e um mil e novecentos reais), que foi depositada em duas parcelas por Joaquim Fabio Mielli Camargo em favor da empresa Canal Livre Comercio e Serviços Ltda, nas datas de 28/04/2014 (R$ 72.000,00) e 08/05/2014 (R$ 169.900,00)", diz trecho. 

 

“Rodrigo Santiago Frison declarou neste Gaeco que não conhecia a pessoa do depositante (Joaquim) e acreditava que os depósitos tinham relação com um empréstimo feito por ele à pessoa de Francisvaldo Mendes Pacheco (fls. 420/424). Posteriormente, Frison compareceu novamente neste Gaeco e reafirmou que a importância citada se referia ao pagamento de um empréstimo a Francisvaldo, apresentando, inclusive, documentação a respeito”, diz trecho da denúncia.

 

O Gaeco ainda declarou que Francisvaldo Mendes recebeu mais R$ 60 mil, do suposto esquema.

 

“Através do cheque nº 139, de Joaquim Fabio Mielli Camargo, do Banco Safra agência 145, conta corrente 12431, que foi repassado por Francisvaldo para a pessoa de Fernando Luiz Piran, com o objetivo de quitar um empréstimo feito por ele com este último em outubro de 2013”, afirmou o Gaeco.

 

Além de Francisvaldo Mendes, nesta segunda fase da Operação Ventríloquo, o advogado Julio Cesar foi novamente denunciado pelo Gaeco, pela prática do crime de extorsão.

 

A primeira fase da operação, realizada em julho de 2015, resultou em uma ação penal, já na fase final. Além de Julio Cesar são réus: o ex-deputado José Riva; o ex-procurador jurídico da Assembleia Legislativa, Anderson Flavio de Godoi; e o ex-secretário-geral do Legislativo, Luiz Marcio Bastos Pommot.

 

A nova denúncia

 

Na nova denúncia, o MPE afirma que no período compreendido entre os anos de 2013 e 2014, os acusados, bem como outros agentes e Parlamentares Estaduais, "constituíram uma organização criminosa estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, com o fito de saquear os cofres públicos, notadamente os recursos públicos da Assembleia Legislativa".

 

Os promotores esclareceram que os "investigados teriam ocultado e dissimulado a natureza e a origem dos valores provenientes de infração penal (lavagem de capitais)".

 

Com relação aos parlamentares, as investigações estão em andamento no Tribunal de Justiça, em razão do foro por prerrogativa de função.

 

O MPE também disse na denúncia que, logo após a deflagração da primeira fase da Operação Ventríloquo, em julho de 2015, já sabendo que tinha sido expedido em seu desfavor mandado de prisão preventiva, Julio Cesar tentou extorquir Romoaldo Júnior a lhe entregar a quantia de R$ 1 milhão, mediante ameaça de entregar à Justiça o áudio de uma conversa mantida entre ambos.

 

Segundo o apurado, no dia 7 de julho de 2015, por volta das 14 horas, Julio Cesar encaminhou um SMS de seu celular para o telefone do irmão de Romoaldo, Juliano Jorge Boraczynki, exigindo a entrega de dinheiro, sob pena de entregar o áudio ao Gaeco.

 

Segundo a denúncia, a mensagem encaminhada foi a seguinte: “Tenho seu mano gravado várias vezes...Quero um milhão para segurar a bronca toda..Vocês têm 3 dias”. Logo em seguida encaminhou outra com os seguintes dizeres: “Sim ou não?”.


Segundo os integrantes do Gaeco, as razões apontadas para embasar o pedido de prisão preventiva de Francisvaldo também se aplicam a Romoaldo e Mielli, já que o "falseamento da verdade com vistas a prejudicar as investigações se deu em conluio e conjugação de esforços dos acima nominados".

 

No entanto, com relação a Mielli, segundo o Gaeco, é necessário que ocorra o "reconhecimento judicial de causa rescisória da colaboração premiada (já requerido pelo Gaeco e Naco)".

 

Já em relação a Romoaldo, cuja investigação corre em segunda instância, por força de foro por prerrogativa de função, a legislação proíbe a decretação de prisão preventiva de parlamentar estadual, motivo pelo qual os promotores pediram apenas a decretação da prisão preventiva de seu chefe de gabinete.

 

Confira Fac-símile de trecho da denúncia:

 

 

Leia mais:

 

Gaeco diz que Riva mentiu e que delator tentou encobrir Romoaldo

 

Deputado depõe e sai em defesa de assessor preso pelo Gaeco

 

Gaeco deflagra operação e prende chefe de gabinete de deputado

 

Riva: deputados receberam R$ 4,2 mi desviados; veja planilha




Clique aqui e faça seu comentário


0 Comentário(s).

COMENTE
Nome:
E-Mail:
Dados opcionais:
Comentário:
Marque "Não sou um robô:"
ATENÇÃO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. Comentários ofensivos, que violem a lei ou o direito de terceiros, serão vetados pelo moderador.

FECHAR

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

1999-2017 MidiaNews - Credibilidade em Tempo Real - Tel.: (65) 3027-5770 - Todos os direitos reservados