Grupos de rap identificados com organizações criminosas e compostos por menores do bairro Mapim, um dos mais violentos de Várzea Grande, pregam, em vídeo postado no site YouTube, morte a jornalistas, policiais militares e autoridades.
Trechos cantados pelos grupos intitulados "Conexão do Gueto e Condução Verbal" culpam a imprensa e, em especial, polícia, políticos e autoridades pelo "sistema injusto" em que vivem. Por conta disso, pregam união para iniciar uma revolução armada e, assim, solucionar os problemas.
"A gente veio pra somar e não pra dividir. A matemática do gueto é multiplicar sem dividir. O sistema vai tremer, vai ter pesadelo, quando unir a Conexão Verbal e a Condução do Gueto (...). O elo está formado, corrente inquebrantável, mais forte, firme, resistente (...). Somos militantes da quebrada, trupas firmes, todos do crime (...). Pra fazer revolução puxamos o gatilho e fazemos poesias", diz um dos trechos.
Admiração pelo crime
No vídeo com duração de 3min51, a apologia ao crime é feita com a apresentação de cenas de assaltos, guerras, dinheiro originado do tráfico de drogas, cemitérios, ações da Polícia Militar, famílias em situação de miséria e, repetidas vezes, o personagem do filme Cidade de Deus, Zé Pequeno. Na tela dos cinemas, Zé Pequeno é um garoto que intimida a comunidade em que vive, por conta da prática de crimes que sempre envolve o uso de armas de fogo.
Há ainda frases pregando revolta contra o que classificam de "sistema" e considera a classe política um adversário a ser eliminado. "Nossos inimigos estão de terno e gravata, em Brasília; estão tirando dinheiro dos cofres públicos e mandando para a Suíça (...). Enquanto nós matamos, eles tiram férias no Havaí, estão todos de gravata e bem vestidos (...)
Em certo momento, a canção ironiza a cobertura jornalística feita pelos órgãos de imprensa. "Nada de tragédia, nada sentimental, os jornalistas comemoram meu final (...). Esse aí vai dar ibope. Filma aí, câmera-men, olha a cara do safado, nem família ele tem (...) Aí, promotor, se tem dúvida abre inquérito, sente a revolta das ruas que vem em versos(...) Na mídia estão falando em avanço, mas no país da maravilha é só miséria na favela(...) Que porra! Que merda! Vem mais uma CPI! Só pra mostrar que essa porra de Justiça está de coma na UTI".
Culpados pelo "sistema"
Na canção, a responsabilidade pelo "sistema" marcado pela pobreza e participação de menores nos crimes é atribuída à cobertura jornalística que os apresentam como marginais associada à corrupção da classe política e a repressão imposta pelo Estado.
"O resultado do sistema limitando nossa vida vai fazendo do pivete mais um corpo suicida(...) Com todas as forças, os governos querem fazer a lei e transforma a sociedade em serial killer(...). Os pais se revoltam, pode crer. Enquanto os caras fazem caixa dois, não tem nada pra comer (...).
Ao final, prega-se união diante do que classificam de "luta" para sobreviver. "Vim pra somar e não pra dividir. Matemática do gueto é multiplicar sem dividir(...) Aliados e guerreiros do Mapim, estaremos nessa luta unidos até o fim(...).
Ousadia do crime
O encantamento e disposição de menores do bairro Mapim de Várzea Grande em participar de organizações criminosas parecem não ter limites e geram a ousadia de até exibir rostos e citar nomes em versos de música. As canções são embaladas pelo ritmo do funk e feitas nitidamente para intimidar a ação de policiais militares.
Mais discretos, alguns garotos posam com armas de fogo e, por meio de recursos gráficos, tampam seus olhos com símbolos de clubes de futebol, numa tentativa de preservar a identidade.
Independentemente da aparição ou não, o grupo se intitula "Família OMB" e os jovens não escondem suas admirações em terem controle de armas de fogo, dinheiro, drogas, bebidas alcoólicas e produtos de marcas estrangeiras.
Em um dos vídeos postados no site YouTube, garotos são exibidos na condição de chefes de quadrilha e os líderes são citados em versos de uma música funk.
"Bandido da Divinéia mete bala até nos homi (...) E aí, Leadrinho, estamos com a mente preparada e dispostos pra matar(...) Geléia, mete bala na PM, o Vitor e o Vlad teclam com a gente (...) William e Bodão, esse tem conceito, Boquinha chega e logo logo inflama (...) Entre bandido e criminoso, usamos só dignidade(...).
Penalidades
De acordo com o artigo 287 do Código Penal, fazer publicamente apologia de fato criminoso ou de autor de crime pode levar a uma detenção de três a seis meses ou pagamento de multa. A mesma punição está prevista no artigo 286, que trata de incitação pública a prática criminosa.
Confira os vídeos postados no You Tube pelas gangues de VG em apologia ao crime:
Comentários (13)
culpam a imprensa e, em especial, polícia, políticos e autoridades pelo "sistema injusto" em que vivem. isso tudo é verdade msm pq os politicos não estao nem ai pra ninguém so para o bolso deles e a mídia só sabe mostrar as coisas ruins dos bairros e os policiais nao respeitam ninguém e qdo vao revista as pessoas ja chegam batendo.
enviada por: Carol Fontes Data: 17/05/2010 12:12:36
A favela, ta ai, so e vista agora em epoca de eleiça, o povo e oprimido e ta se rebelando, os legisladores nao fazem leis severas, pois eles querem o sistema assim mesmo, podre e de facil manipulaçao, viver na periferia e como viver no iraque, guerra urbana no Brasil, so alguns nao percebem, EDUCAÇAO PRA FILHOS DE POBRES,NAO PARA FILHOS DE RICOS...
enviada por: anjo negro Data: 08/05/2010 20:08:24
Trabalhar ninguém quer...
enviada por: senhor Data: 08/05/2010 16:04:14
esses ai nao darao retorno nenhum pra sociedade, nao trabalham, nao estudam, nao pagam impostos morte a todos eles.
enviada por: paulo henrique Data: 08/05/2010 14:02:25
Vendo essas cenas, ficou com saudades do Des. Oscar Travassos quando era Secretario de Segurança Pública. Naquele tempo a margilanildade não prosperava em Mato Grosso, pois, era tratada com os rigores da Lei.
enviada por: Carlos Data: 08/05/2010 13:01:29
Parabéns à Conexão Verbal e a Condução do Gueto !!! >>
enviada por: Antônio Alberto Pe Alberto Mendes Ferre Data: 08/05/2010 13:01:11
A maioria das imagens são montagens de apreenções da policia em regiões como Rio e São Paulo, isso tudo nao passa de uma onda, garotos de bones virados, que ouvem funk carioca, tenho um cunhado de 15 anos que canta isso o dia inteiro, mas nao falta aula, joga futebol e nunca nem viu uma arma. Pura falta do que fazer, se esses guris tivessem educação dos pais, estavam soltando pipa e correndo de carrinho de rolimã, agora quem educa é a tv, Será que os garotos desses videos são marginais, por que se esses videos dizem algo, a massa de 12 a 16 anos são todos bandidos.
enviada por: Kadu lima Data: 08/05/2010 13:01:11
Eu entendo o que esta havendo: A inexistencia de uma politica de controle de natalidade eficaz gerou um excesso de contingente populacional que representa um risco ao que chamam de 'sistema', porque foge a capacidade dos serviços publicos oferecidos. Esse 'sistema' deve impedir a multiplicaçao de pessoas que se desenvolvem sob a influencia dessa mentalidade suburbana e criminosa ai em cima, que seria algo tal como um virus agindo num organismo. Como? ou educando a prole da ralé ou desistimulando/impedindo a sua geraçao, atravez de politicas de incentivo a um filho por casal, p. ex., ou esterelizaçao voluntaria; Em alguns anos, alem de nao gerarem problemas para o sistema, até podem a ele se incorporar..e levar uma vida em harmonia com ele; a pratica leva a teoria;
enviada por: Paulo Monteiro Data: 08/05/2010 11:11:55
Já viram as caras deles, agora é só buscar e dar um destino correto a esses aprendizes de marginal!!!
enviada por: José Pires da Conceição Silva Data: 08/05/2010 11:11:54
Existe um momento em que o estado tem que intervir dentro da legalidade que a Lei lhe garante com o uso da Força letal. esta na hora das polícias ( O barsil é um dos poucos países do mundo com tanta instituição policial, cada uma cuidano de seu umbigo)agirem de forma coercitiva. No caso de Várzea Grande, a polícia não sabe para que lado acode a população. Muda-se os comandos, mudam-se as doutrinas e ações. Falta um planejamento estratégico a longo prazo, independendte de que comamanda a Polícia Civil ou Militar.Devemos tomar cuidado com estas gangues que começam a -dar crias- na cidade. Só eiste um método abortivo para calar estes encubatórios de facções criminosas: O Uso da Força pelo braço armado do Estado. BOPE NELES!!!!!!!!!
enviada por: Jeferson Kleves Data: 08/05/2010 11:11:45
Sem fazer apologia ao crime, onde está a duvida sobre o que grande parte da sociedade pensa... A sociedade esclarecida como um todo vê a cobertura da imprensa totalmente tendenciosa, sempre em conluio com o poder dominante, o que era um dos poderes da democracia, hoje nada mais é que uma mercadoria na mão de politicos que tentam induzir a sociedade a um pensamento comum, sem nenhum senso critico, levando a sociedade a uma incultura global numa clara teoria da vaca...abaixa a cabeça e siga o berrante. Onde está a indignação sobre as letras das musicas de teor critico e apologico aos crimes?? aonde está a diferença com os MC s da vida??/ sinceramente é muita hipocrisia achar que a culpa é dos "bodãos da vida", a culpa é do modelo politico que usa o povão como massa de manobra.
enviada por: Bonifacio Data: 08/05/2010 11:11:42
o engraçado é q qdo a policia pega o nego chora pede por amor a deus sou trabalhador dodor bando de marginalzinho serra fox
enviada por: pedro Data: 08/05/2010 11:11:28
são delinguentes que acham que podem levar o crime como normal, mas da bem pra ver que usam armas obsoletas, a policia pega esses caras rapidão, no fundo são uns coitados, não tem coragem de nada
enviada por: marcos Data: 08/05/2010 11:11:20