08.05.2010 | 07h:35

APOLOGIA AO CRIME


Gangue prega morte de PMs, jornalistas e autoridades

Grupo de rap tem ligação com menores do bairro Mapim, um dos mais violentos de Várzea Grande

Grupos de rap identificados com organizações criminosas e compostos por menores do bairro Mapim, um dos mais violentos de Várzea Grande, pregam, em vídeo postado no site YouTube, morte a jornalistas, policiais militares e autoridades.

Trechos cantados pelos grupos intitulados "Conexão do Gueto e Condução Verbal" culpam a imprensa e, em especial, polícia, políticos e autoridades pelo "sistema injusto" em que vivem. Por conta disso, pregam união para iniciar uma revolução armada e, assim, solucionar os problemas.

"A gente veio pra somar e não pra dividir. A matemática do gueto é multiplicar sem dividir. O sistema vai tremer, vai ter pesadelo, quando unir a Conexão Verbal e a Condução do Gueto (...). O elo está formado, corrente inquebrantável, mais forte, firme, resistente (...). Somos militantes da quebrada, trupas firmes, todos do crime (...). Pra fazer revolução puxamos o gatilho e fazemos poesias", diz um dos trechos.

Admiração pelo crime

No vídeo com duração de 3min51, a apologia ao crime é feita com a apresentação de cenas de assaltos, guerras, dinheiro originado do tráfico de drogas, cemitérios, ações da Polícia Militar, famílias em situação de miséria e, repetidas vezes, o personagem do filme Cidade de Deus, Zé Pequeno. Na tela dos cinemas, Zé Pequeno é um garoto que intimida a comunidade em que vive, por conta da prática de crimes que sempre envolve o uso de armas de fogo.

Há ainda frases pregando revolta contra o que classificam de "sistema" e considera a classe política um adversário a ser eliminado. "Nossos inimigos estão de terno e gravata, em Brasília; estão tirando dinheiro dos cofres públicos e mandando para a Suíça (...). Enquanto nós matamos, eles tiram férias no Havaí, estão todos de gravata e bem vestidos (...)

Em certo momento, a canção ironiza a cobertura jornalística feita pelos órgãos de imprensa. "Nada de tragédia, nada sentimental, os jornalistas comemoram meu final (...). Esse aí vai dar ibope. Filma aí, câmera-men, olha a cara do safado, nem família ele tem (...) Aí, promotor, se tem dúvida abre inquérito, sente a revolta das ruas que vem em versos(...) Na mídia estão falando em avanço, mas no país da maravilha é só miséria na favela(...) Que porra! Que merda! Vem mais uma CPI! Só pra mostrar que essa porra de Justiça está de coma na UTI".

Culpados pelo "sistema"

Na canção, a responsabilidade pelo "sistema" marcado pela pobreza e participação de menores nos crimes é atribuída à cobertura jornalística que os apresentam como marginais associada à corrupção da classe política e a repressão imposta pelo Estado.

"O resultado do sistema limitando nossa vida vai fazendo do pivete mais um corpo suicida(...) Com todas as forças, os governos querem fazer a lei e transforma a sociedade em serial killer(...). Os pais se revoltam, pode crer. Enquanto os caras fazem caixa dois, não tem nada pra comer (...).

Ao final, prega-se união diante do que classificam de "luta" para sobreviver. "Vim pra somar e não pra dividir. Matemática do gueto é multiplicar sem dividir(...) Aliados e guerreiros do Mapim, estaremos nessa luta unidos até o fim(...).

Ousadia do crime

O encantamento e disposição de menores do bairro Mapim de Várzea Grande em participar de organizações criminosas parecem não ter limites e geram a ousadia de até exibir rostos e citar nomes em versos de música. As canções são embaladas pelo ritmo do funk e feitas nitidamente para intimidar a ação de policiais militares.

Mais discretos, alguns garotos posam com armas de fogo e, por meio de recursos gráficos, tampam seus olhos com símbolos de clubes de futebol, numa tentativa de preservar a identidade.

Independentemente da aparição ou não, o grupo se intitula "Família OMB" e os jovens não escondem suas admirações em terem controle de armas de fogo, dinheiro, drogas, bebidas alcoólicas e produtos de marcas estrangeiras.

Em um dos vídeos postados no site YouTube, garotos são exibidos na condição de chefes de quadrilha e os líderes são citados em versos de uma música funk.

"Bandido da Divinéia mete bala até nos homi (...) E aí, Leadrinho, estamos com a mente preparada e dispostos pra matar(...) Geléia, mete bala na PM, o Vitor e o Vlad teclam com a gente (...) William e Bodão, esse tem conceito, Boquinha chega e logo logo inflama (...) Entre bandido e criminoso, usamos só dignidade(...).

Penalidades

De acordo com o artigo 287 do Código Penal, fazer publicamente apologia de fato criminoso ou de autor de crime pode levar a uma detenção de três a seis meses ou pagamento de multa. A mesma punição está prevista no artigo 286, que trata de incitação pública a prática criminosa.

Confira os vídeos postados no You Tube pelas gangues de VG em apologia ao crime:

 

 

 


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