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O Alcoólicos Anônimos chegou a Cuiabá em 1973 e busca oferecer um atendimento compassivo e acolhedor
O grupo de apoio Alcoólicos Anônimos está completando 50 anos de atuação em Cuiabá. Com depoimentos de ex-alcoólatras, a irmandade busca ajudar dependentes que sofrem com os prejuízos do vício.
No Alcoólicos Anônimos o anonimato recai sobre todas as identidades porque a irmandade considera os princípios comportamentais para combater o vício mais importantes que as personalidades. O aposentado L.C.M., de 69 anos, é integrante do grupo há 41 anos e recorreu a ele para vencer o alcoolismo.
“Eu tinha muito medo de morrer de alcoolismo. Tinha comas alcoólicos e situações constrangedores que sofria. Eu bebi, bati, apanhei, fui preso e abandonei a família. Eu queria parar, mas tinha medo de que fosse muito ruim. O alcoolismo é uma doença física, mental, emocional, progressiva e incurável”, afirma.
L.C.M. compartilha que uma das ilusões é achar que a bebida desenvolve as habilidades interpessoais, citando como exemplo os tímidos que após beberem se tornam comunicativos, conseguindo até dançar ou paquerar nas festas. Conforme ele, essas sensações são ilusórias, pois em pouco tempo o álcool se torna o único interesse da pessoa.
Ele explica que os alcoólicos anônimos acreditam que o alcoolismo é incurável e por isso aderem à frase “não beberei só por hoje”, buscando tornar a ideia de parar de beber menos desafiadora.
“Costumamos dizer que a recuperação do alcoolismo ocorre só por hoje. A doença não tem cura, ninguém pode dizer ‘eu estou recuperado’. Se fosse assim, a pessoa ‘recuperada’ poderia voltar a beber normalmente. De ‘só por hoje’ tem gente que está completando 50 anos de recuperação”, explica.
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L.C.M, integrante do Alcoólicos Anônimos há mais de 40 anos, conta que a bebida já prejudicou radicalmente sua vida pessoal
O grupo Alcoólicos Anônimos surgiu nos Estados Unidos, em 1935, fruto de uma conversa entre dois alcoólatras, Bill Winson e Bob Smith, que perceberam os benefícios de ter uma rede de apoio.
A irmandade chegou ao Brasil em 1947 e se consolidou em Cuiabá em 1973. Atualmente, todos os trabalhos de acolhimento aos alcoólatras são gratuitos e voluntários, contando com o apoio de pessoas que já superaram o vício.
Notando a gravidade dos prejuízos causados pela dependência alcoólica, em 1967 a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu o alcoolismo como doença e recomenda que as autoridades encarem o assunto como questão de saúde pública.
L.C.M. diz que, além dos danos que o alcoolismo pode causar à vida social, há perigos à saúde física e mental, desenvolvendo ou agravando doenças como cirrose, pancreatite e transtornos emocionais.
Ele lembra que uma das fases mais importantes da superação é a honestidade do alcoólatra consigo mesmo ao assumir que é doente e que precisa de ajuda, sem responsabilizar outras pessoas pelos danos que causa a si mesmo ao beber.
Nessa batalha entre vício e superação, L.C.M. relata que jovens de 15 anos já recorreram ao Alcoólicos Anônimos a fim de se livrarem da obsessão por álcool. Ele conclui dizendo que um dos pontos mais fortes da irmandade é o verdadeiro acolhimento.
“O Alcoólicos Anônimos não rotula, apenas descobrimos que há uma solução e que conseguimos parar. A conversa com o alcoólatra deve ser serena e sem acusar, porque a essa altura ele deve estar cansado de ter esse tipo de conversa. Ninguém deveria ficar constrangido em pedir ajuda. O grupo é fundamental para se recuperar, é onde trocamos experiências”, aconselha.
Procure ajuda
Em Cuiabá, a sede do Alcoólicos Anônimos fica na Rua 13 de Junho, número 207, no Edifício Galeria GG, 4° andar.
O telefone de contato é (65) 3321-1020.
O e-mail da irmandade é esl@area5mt.aa.org.br.
Para mais informações, acesse o site da instituição.
Comentários (1)
Excelente matéria. Conheço muitas pessoas q se salvaram da doença do alcoolismo com a ajuda dessa Irmandade Alcoólicos Anônimos.
enviada por: Vera Lúcia guerra Data: 09/04/2023 10:10:59