A Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) suspendeu o recebimento de novos animais no Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães.

A notificação à instituição foi expedida no dia 23 de dezembro, cerca de uma semana após a morte da elefanta Kenya, que havia sido transferida da Argentina para o santuário em julho de 2025.
De 2019 a 2025, quatro elefantes faleceram menos de um ano após a chegada ao lugar, de acordo com informações divulgadas no site da instituição. O santuário é especializado em receber elefantes que passaram décadas em cativeiro. Antes de Kenya, a elefanta Puppy faleceu em outubro de 2025; ela estava no santuário desde abril do mesmo ano.
Segundo a Sema, o santuário tem o prazo de 60 dias para encaminhar os documentos e informações solicitados. A notificação visa analisar “informações acerca do cumprimento dos protocolos de biossegurança e dos padrões éticos de manejo adotados pelo santuário".
Ao MidiaNews, o Santuário afirmou ter recebido a notificação com “serenidade” e disse ser o único espaço na América Latina reconhecido por práticas de alto padrão de manejo e gestão de santuário, segundo Federação Global de Santuários Animais.
“Atuamos há mais de uma década sob fiscalização contínua dos órgãos ambientais, sem nunca termos sofrido qualquer sanção ou apontamento relevante. Nossos processos e protocolos de biossegurança, manejo e ética sempre foram construídos em diálogo e chancelados tecnicamente pela própria Sema, o que nos dá plena confiança na condução do nosso trabalho”, diz trecho da nota.
O santuário ainda destacou que mantém contato com a Sema para esclarecer os fatos e as informações solicitadas e que tem sido alvo de disseminação de informações falsas que tentam atingir a reputação do espaço.
“Paralelamente ao debate técnico, temos observado a disseminação sistemática de desinformação e fake news, muitas vezes com o claro objetivo de prejudicar a reputação do santuário e do modelo ético que ele representa, historicamente contrário a interesses econômicos ligados à exploração de animais em cativeiro”, declarou a instituição.
O que diz o Ibama
Por meio de nota, o Ibama informou que acompanha o caso e as recentes mortes no Santuário. Segundo o órgão, o espaço é licenciado pela Sema, a quem cabe a fiscalização primária para avaliar os cuidados médicos e as condições dos animais.
A pasta também relatou ter realizado fiscalizações no local, constatando que o santuário possui uma área maior do que a determinada para zoológicos, com estruturas adequadas para manejo e cercas fortes para manter os animais em espaço restrito.
“Nessa avaliação, também foi constatada a presença de técnicos habilitados, biólogos e veterinários trabalhando no local”, acrescentou o órgão.
Ainda conforme o Ibama, não é possível afirmar se a morte dos animais foi ocasionada por maus-tratos ou manejo inadequado, já que a maioria dos elefantes é proveniente de circos ou de outros países.
“Sabe-se que boa parte desses elefantes são idosos, apresentam comorbidades e possuem histórico delicado. Eles foram direcionados para esse criadouro a fim de ter mais qualidade de vida e manejo adequado”, informou o órgão.
Por fim, o Ibama declarou que as mortes não passaram despercebidas e que um laudo de necropsia foi solicitado à equipe da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com previsão de conclusão em até 30 dias.
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1 Comentário(s).
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| Marcos 05.01.26 18h00 | ||||
| São animais idosos e que sofreram muito. Morreram em paz, sem sofrimentos e tiveram um restante de vida com dignidade. | ||||
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