Cuiabá, Domingo, 29 de Março de 2026
"O SER E O NADA"; VÍDEOS
29.03.2026 | 08h00 Tamanho do texto A- A+

Artista retorna a Cuiabá para 1ª exposição solo: “Emocionante”

"Cria" do ateliê da UFMT, Dilson Cunha destacou a importância cultural do estado

Yasmin Silva/MidiaNews

O artista plástico Dilson Cunha, que realiza exposição no MACP-MT

O artista plástico Dilson Cunha, que realiza exposição no MACP-MT

ANDRELINA BRAZ
DA REDAÇÃO

Quando pegou um pincel pela primeira vez, ainda criança, o artista plástico Dilson Cunha entrou em êxtase diante de uma tela em branco. Mas foi aos 14 anos que sua paixão pela arte começou a ganhar forma, ao conhecer o ateliê da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que, sob o comando de Nilson Pimenta, impulsionou jovens talentos das artes plásticas no Centro-Oeste.

 

Conhecer o ateliê, o métier, foi aqui em Cuiabá, no ateliê livre da UFMT. Então, para mim, é muito emocionante estar aqui

Natural de Brasília, Dilson mudou-se ainda adolescente com a família para o bairro Tijucal, em Cuiabá. Foi por acaso que conheceu o ateliê da universidade, onde deu as primeiras pinceladas em busca de sua identidade artística, trajetória que hoje já soma 30 anos de carreira.

 

Agora, é no Museu de Arte e Cultura Popular (MACP) que ele apresenta sua primeira exposição individual da carreira, intitulada "O Ser e o Nada".

 

“Foi em Cuiabá, no ateliê livre da UFMT, que realmente pus o pé na estrada e conheci o métier. Por isso, é muito emocionante estar aqui”, destacou o artista em entrevista ao MidiaNews.

 

Sob a curadoria da crítica Aline Figueiredo, a exposição traz a trajetória de Dilson por meio da arte. Descrita por Figueiredo como uma “tradução entre o real e o surreal”, o artista aborda, em suas obras, filosofia e vida cotidiana.

 

“O título da minha exposição nasceu de um trabalho. Eu pintei esse quadro, que é um mergulho, um escuro. Eu olhei para a pintura e o que veio à cabeça foi o nome da obra de Sartre, 'O Ser e o Nada' [publicada em 1943 e considerada um marco do existencialismo], sem nenhuma pretensão filosófica. Mas esse tema me tocou”, explicou Dilson.

 

 

Formado em História e em Arquitetura, Dilson acredita que suas experiências profissionais influenciam pouco suas obras, que adquirem tons filosóficos e reflexivos a partir dos temas que o inspiram.

 

“A obra de arte é interessante porque chega um ponto em que ela adquire vida própria, é algo estranho de explicar. É uma ideia parecida com o que Picasso dizia: ‘Eu não sei o que procuro, mas sei o que encontro’”, acrescentou.

 

Entre suas buscas, Dilson citou a descoberta pessoal e a satisfação como força motriz para dar continuidade ao trabalho artístico.

 

Yasmin Silva/MidiaNews

Obras de Dilson Cunha

 

“Eu acho que a arte, no dia em que ela para de buscar, ela se perde. Lembro-me aqui, em Mato Grosso, de Clóvis Irigaray. O Clóvis tinha um tipo de pintura, trabalhava muito com pastel, e um dia deu uma virada: por algum motivo, exauriu aquela fase e partiu para outro estilo. Há vários artistas assim, mas, em resumo, eu procuro a arte, procuro me superar, me procurar onde não sei, só sei que enfrento o desafio. E, às vezes, essa busca dá uma satisfação imensa"; 

 

Amizades e influências 

 

Para além da satisfação pela arte, Dilson destacou a importância das amizades construídas com outros artistas ao longo de sua trajetória, por meio do interesse comum pelas telas e pelos pincéis.

 

Essa relação começou ainda garoto, quando saía de casa empolgado para passar a tarde no ateliê de Gervane de Paula, em Cuiabá, conversando e refletindo sobre a criação.

 

“Tenho uma gratidão muito grande com o Gervani, porque eu passava tardes inteiras no ateliê, sentado, batendo altos papos, enquanto ele pintava. Saía de casa como se fosse ver a menina dos meus sonhos. Aquela alegria... Tarde toda de arte, de literatura”, relembrou.

 

A amizade possibilitou viagens e o contato com artistas que, na infância de Dilson, eram vistos quase como ícones das artes plásticas.

 

 

“Tenho uma relação umbilical com a UFMT, muito antiga. Foi uma delícia [os anos no atêlie]. Conheci uma turma que era a minha geração: Sebastião Silva, Adão Domiciano, Júlio César, Aleixo [Cortez], o próprio Nilson Pimenta, em um ateliê que era, de fato, livre”. 

 

Yasmin Silva/MidiaNews

Dilson Cunha

 

“As minhas experiências mais significativas da vida foram aqui, porque depois a vida entra em piloto automático. Mas o que acontece lá atrás, que define muita coisa da vida, aconteceu aqui". 

 

Dilson ressaltou que retornar a Mato Grosso e ao espaço onde inciou a trilhar sua trajetória como artista profissional  é como obra do destino ao dar oportunidade para iniciar uma nova etapa em sua carreira por meio da apresentação da sua primeira exposição individual.

 

“É minha primeira exposição individual. Já tive outras oportunidades em Brasília, mas não fiz muita força. Quando chegou a oportunidade de fazer [a exposição em Cuiabá], eu disse: ‘Cara, é isso, tem que ser em Cuiabá’. A exposição aqui, para mim, tem outro significado. Não foi nada projetado ou programado [voltar a Cuiabá]. É o destino, chame do que quiser, mas estou chamando de felicidade”, finalizou o artista.

 

 A exposição O Ser e o Nada tem entrada gratuita ao público e está em exibição no MACP-MT, de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30 às 17h30, até o dia 29 de maio.

 

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Procev UFMT

Abertura da exposição O Ser e o Nada

Procev UFMT

Abertura da exposição O Ser e o Nada

Yasmin Silva/MidiaNews

Dilson Cunha

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Dilson Cunha

Yasmin Silva/MidiaNews

Dilson Cunha

Yasmin Silva/MidiaNews

Obras de Dilson Cunha




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