Centro cirúrgico e equipamentos
Com integrantes mato-grossenses, a Ong norte-americana Children and Horse Association já promoveu reformas e doações de equipamentos, além de manutenção, em pelo menos cinco hospitais de Mato Grosso. A iniciativa também atua com ações voltadas para o público infantil.

Criada em 2016 na cidade de Aventura, na Flórida, a Ong é voltada para o auxílio especialmente de crianças e cavalos, paixões da mãe e do padrasto do médico Braz Martins Neto, que é nascido em Juína. Eles e seus outros três irmãos também são os membros da instituição.
Único integrante da Ong que mora no Brasil, Braz explicou ao MidiaNews que no início a organização atuava apenas nos Estados Unidos, já que seu padrasto e irmãos são norte-americanos. Mas há cerca quatro anos começou a realizar ações em Mato Grosso.
“Foi quando eu fazia Medicina e estudava no Hospital Geral Universitário (HGU). Lá eu atendia no SUS (Sistema Único de Saúde) e via a precariedade e a necessidade mais de infraestrutura. Foi quando comecei a influenciar a minha família para a gente começar a investir em projetos aqui no Brasil”, explica o médico.
A partir desta constatação deu-se início à primeira ação no Estado: a reforma de salas de atendimento médico no Instituto de Tumores e Cuidados Paliativos de Cuiabá (ITC), que funciona dentro do HGU, e a reforma de três centros cirúrgicos no próprio HGU. A ação teve como objetivo promover cirurgias e recuperações mais seguras e com equipamentos tecnológicos que não eram empregados até então. As salas são mantidas pela organização, a fim de não correr o risco de deixar de funcionar por quebra e falta de equipamentos.
“Se quebra uma pinça lá e a pessoa já repõe por uma nova, a sala fica funcional. A gente doa o material e esse material uma hora, por mau uso, por descuido, vai quebrar. E se não conserta, fica parado. A gente se preocupa bastante com isso, com o uso que vai ter o produto final. Este é o meu foco na Ong, porque, como sou médico, e estou na saúde, é o que é mais palpável para mim”, afirma.
Nesta quinta-feira (5) foram entregues oito monitores multiparâmetros (com valor entre R$ 8 mil e R$ 15 mil por unidade) para três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Mato Grosso. Foram quatro para Juína (745,8 km de Cuiabá), dois para Castanheira (788,2 km) e dois para Aripuanã (1.001,6 km).
A organização, que não revela o quanto já empregou em Mato Grosso, faz doações pontuais para as unidades de saúde, como computadores e cadeiras, pequenos objetos de centro cirúrgico, equipamentos de torre de vídeo de cirurgia e objetos descartáveis.
Braz explica que pessoas que frequentam as unidades públicas também recebem apoio. “Por exemplo: um paciente que está em tratamento de quimioterapia e usa cateter, que é caro. Às vezes o paciente tem que trocar ou acontece alguma coisa. Se for através do governo, demora um pouco. E a gente vê que é um momento difícil da vida da pessoa para ela ainda tem que esperar. Já fizemos as compras de alguns cateteres para as pessoas”, relata.
Funcionamento da Ong
A Children and Horse Association consiste em uma iniciativa única e exclusivamente dos cinco integrantes da família, sem auxílio financeiro externo.
Todos os anos são realizadas reuniões para votação de orçamento da fundação, seguida de escolha e definição dos projetos que serão beneficiados. Cada membro tem um valor pré-determinado de acordo com essa reunião, e pode definir conforme suas preferências, desde que sejam projetos que possam auxiliar crianças e cavalos.
Braz explica que, quando um deles deseja ajudar iniciativas maiores, que exigem um orçamento maior do que o determinado, outros membros da família podem doar parte de seus orçamentos, o que aconteceu no HGU em Cuiabá. Os centros cirúrgicos são um projeto que exige a atenção de toda a família, sendo visitados todos os anos.
A organização, no entanto, não consegue atender todas as necessidades que os membros percebem. “Não somos uma Gates Foundation, mas tentamos fazer o máximo que podemos”, diz Braz, referindo-se à Ong fundada pelo bilionário Bill Gates, focada em reduzir a pobreza extrema, melhorar a saúde global e promover a educação.
Outras ações
Além do auxílio nos projetos relacionados à saúde em Mato Grosso, outras ações mais pontuais também são feitas por Braz e sua mãe, o único outro membro brasileiro da família. Ela se dedica a iniciativas educacionais de crianças, e ele também ajuda quando é acionado e vê possibilidade financeira.
A Ong também auxilia cavalos e pessoas que lidam com os tratamentos dos animais. Ele exemplifica, ao falar sobre cavalos, que geralmente são idosos e precisam se aposentar, o que exige custo de locomoção e tratamento. A organização atua para evitar o abandono animal.
Pessoas que trabalham próximas aos animais e acabam sofrendo acidentes, o que as levam a questões médicas, também são parte do público atendido pela fundação, principalmente porque nos Estados Unidos a saúde privada é cara.
Para o médico, a sensação ao ajudar é de dever cumprido.
“Se você tem as condições de ajudar, passa a ser uma responsabilidade sua. Se hoje eu tenho condições, nós temos essa fundação e ela consegue ajudar crianças, impactar diretamente na saúde dessas crianças. Eu me sinto com o dever cumprido, realmente fazendo a minha parte. Não vejo isso como algo a mais, nem extraordinário. Vejo como fazendo simplesmente a minha parte”, diz.
Ele finaliza dizendo que lamenta a resistência de muitos em fazer filantropia.
“As pessoas [precisam] devolver para a sociedade aquilo que está transbordando. Eu realmente espero que cada vez mais as pessoas, olhando o nosso trabalho, possam e sejam motivadas a fazer também”.
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