Alagamento Shopping Popular
Os comerciantes do Shopping Popular não completaram sequer um ano da tragédia que destruiu a estrutura do empreendimento e já têm que lidar com novos prejuízos. Da primeira vez, um incêndio descomunal; agora uma chuva que alagou córregos, ruas e avenidas de Cuiabá e inundou aproximadamente 60 centímetros da nova estrutura do camelódromo.

A reportagem esteve no local na manhã desta quarta-feira (9), quase um dia após o temporal de terça (8), e viu corredores vazios de clientes e trabalhadores puxando a água que restou de um lado para o outro.
A comerciante Jô Neves, que há 15 anos trabalha no Shopping Popular, avaliou a perda somente em perfumes importados. “A água estava até em cima, uns 60 centímetros. Cada perfume desses aqui, o valor de venda é R$ 550 a R$ 1,5 mil. Tenho Mont Blanc, Hypnotique, Sauvage, Dior. Foi prejuízo de uns R$ 15 mil”.
Além dos perfumes, que estavam na parte de baixo dos expositores e foram perdidos, Jô perdeu ursinhos de pelúcia e tentará recuperar roupas de banho. “Vou tentar bater com sabão neutro e colocar a etiqueta da loja, ver se tem como vender. Agora, se manchou, não tem o que fazer, porque são coloridos e mancham”.
Apesar dos danos causados pela inundação, Jô e outros comerciantes afirmam que os estragos não chegam perto da tragédia de 15 de julho de 2024, quando o shopping pegou fogo. “Depois do que aconteceu, esse aqui para gente é o menor de todos os danos. Da outra vez perdemos tudo. Mezanino, de cima a baixo, estoque de cima a baixo”.
“Hoje trabalhamos com estoque reduzido, devido ao medo mesmo, de acontecer qualquer outra coisa e vir a perder tudo. Coloquei um escritório em casa, uma salinha só para guardar mercadoria”, disse ela.
“Essas calamidades acabam ensinando a gente a viver de outro modo. Agora, por exemplo, já me ensinou outra lição. Na parte de baixo, vou colocar só produtos de plástico, produtos que podem molhar e não vou perder”, acrescentou.
Trauma
O comerciante José Cordeiro, que trabalha com produtos automotivos, disse ainda não ter estimado os prejuízos da chuva, mas, assim como Jô, afirma que nada chega perto do que perdeu com o incêndio.
“Ainda não sei o que perdi, primeiro vou organizar para depois saber. Mas depois do que aconteceu pelo fogo, para mim, isso aqui não foi nada”, afirmou.
Para José, o que foi inadmissível é não ter tido um aviso prévio do risco de inundação e de não serem alertados em tempo real.
“Fico mais indignado porque não teve um aviso prévio. ‘Olha, a água está subindo’. Não teve esse aviso. Se teve o aviso, para mim não chegou. Se tivessem avisado a hora que a água estivesse no posto, dava tempo de muita gente salvar alguma coisa. Não sei nem o que é recomeço, está traumática a situação”.

Já Daniele Polet trabalha com capinhas de celular e disse não ter perdido nada, apenas embalagens de alguns produtos. “Eu só perdi a embalagem, é só tirar e secar. Graças a Deus, não perdi nada”.
“Mas é um baque, porque a gente ainda não se recuperou do episódio do fogo, aí vem a chuva e você fica assustada”, acrescentou ela.
“Apenas um susto"
A comerciante Jaqueline Araújo, de uma loja de eletrônicos, minimizou o episódio e disse ter sido um susto.
“Foi um susto, porque estava a cidade toda alagada, você via o Shopping Pantanal, as casas... Mas não teve esse apavoro que postaram na mídia. Isso é muito triste, dá um susto mesmo, mas perder tudo é mentira. Está bagunçado? sim, porque a chuva foi na cidade toda. Mas não perdemos tudo”, afirmou.
Jaqueline conta que foi tudo muito rápido, “questão de segundos”, e a água já tinha invadido o camelódromo.
“Quando cheguei, antes no Atacadão, já tinha muita água, deixei meu carro lá do outro lado e vim a pé correndo. Naquele lado de cima do restaurante não tinha água. Só essa parte aqui, que é mais baixa, uma descida, perdemos mais a parte de baixo mesmo”.
Prejuízo
Segundo o presidente do Shopping Popular, Misael Galvão, os danos ainda estão sendo contabilizados, mas 30% das bancas foram afetadas, sendo que 10% delas tiveram um prejuízo maior.
Ele ainda alertou os comerciantes a suspenderem seus produtos acima de 50 centímetros do chão, para evitar outras situações como essa.
“Tivemos uma reunião há uns 30 dias, com todos os comerciantes dessa região. Eles apresentaram um projeto para melhorar a captação de água, para não acontecer isso. Eu alertei eles. Tenho experiência de mais de 35 anos aqui no Shopping Popular. Conheço bem essa região. É a região mais baixa de Cuiabá e mais afetada”.
Segundo Misael, há 10 anos o Shopping Popular não enfrentava problemas com inundações. “Nós construímos o Shopping Popular dois metros acima do ponto zero da rua para que a gente não sofresse com isso. Agora, como estamos no provisório, de novo estamos passando por essa situação”.
Os comerciantes fizeram um mutirão de limpeza para conseguir abrir as portas nesta quarta.
“Nós estamos todos num barco só, recomeçando e ressurgindo das cinzas por causa do incêndio e agora mais esse desafio com a inundação”.
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