Cuiabá, Quinta-Feira, 26 de Março de 2026
O PESO DA IMPRUDÊNCIA
08.12.2025 | 08h00 Tamanho do texto A- A+

Cuiabá e VG lideram mortes no trânsito no país; motos são maioria

Delegado Christian Cabral diz que dados estão ligados ao alto número de motocicletas nas cidades

Victor Ostetti/MidiaNews

Trânsito registrado na Avenida Miguel Sutil, devido obras na Capital

Trânsito registrado na Avenida Miguel Sutil, devido obras na Capital

ANDRELINA BRAZ
DA REDAÇÃO

A imprudência no trânsito segue como um dos principais fatores para a ocorrência de acidentes com morte em Cuiabá e Várzea Grande, segundo o delegado titular da Delegacia de Delitos de Trânsito (Deletran), Christian Cabral.

 

A realização de manobras irregulares, o desrespeito à sinalização estão, sem erro, entre as principais causas de acidentes com morte

Em entrevista ao MidiaNews, o delegado afirmou que dados da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso mostram que a região metropolitana continua entre as capitais com maior violência no trânsito.

 

“Cuiabá e Várzea Grande, hoje, são, proporcionalmente ao número de habitantes, as cidades que têm mais mortos no trânsito no país. Isso está diretamente ligado à grande proporção de motocicletas que circulam nessas cidades”, explicou.

 

Apesar do cenário preocupante, Cabral ressaltou que Cuiabá registrou queda no número de mortes no trânsito entre janeiro e novembro de 2025, na comparação com anos anteriores.

 

Em 2023, foram 85 mortes. Em 2024, houve aumento, com 88 vítimas fatais. Já em 2025, de janeiro a novembro, foram contabilizados 66 óbitos.

 

Segundo o delegado, motociclistas representam entre 60% e 70% das ocorrências, sendo também os principais responsáveis pelos sinistros.

 

“Os sinistros e colisões fatais têm envolvido muitos motociclistas, de diversas formas. E, mais triste, é que na maioria dos casos a própria vítima é responsável pela causação do acidente”, disse.

 

Entre os fatores que mais contribuem para acidentes fatais estão excesso de velocidade, manobras proibidas, circulação em locais inadequados e trânsito imprudente pelos corredores.

 

“A realização de manobras irregulares, o desrespeito à sinalização semafórica e o desrespeito em cruzamentos estão, sem erro, entre as principais causas de acidentes com morte”, reforçou.

 

Pontos mais críticos

 

Levantamento da Deletran, entre 1º de janeiro e 30 de novembro, aponta que as principais avenidas de Cuiabá e Várzea Grande concentram boa parte das ocorrências graves. São elas:

 

  • Av. Fernando Corrêa da Costa – 7 ocorrências

  • Av. das Torres – 7 ocorrências

  • Av. Mário Andreazza – 4 ocorrências

  • Av. Jornalista Arquimedes Pereira Lima (Estrada do Moinho) – 4 ocorrências

  • Av. Historiador Rubens de Mendonça (CPA) – 3 ocorrências

  • Av. Beira Rio – 3 ocorrências

 

MidiaNews

Christian Cabral 23-01-2019

O delegado Christian Cabral, titular da Delegacia Especializada em Delitos de Trânsito

Um ponto que chamou atenção da Polícia Civil foi a queda de acidentes violentos na Avenida Miguel Sutil (2 registros) e na Avenida Rubens de Mendonça. Segundo o delegado, as obras para implantação do novo modal de transporte urbano têm reduzido a velocidade nessas vias e, consequentemente, a letalidade.

 

“Essas obras vão influenciar muito positivamente, porque você não consegue desenvolver altas velocidades. A velocidade é o que diferencia sinistros com vítimas lesionadas daqueles sem lesões”, destacou.

 

Mobilidade e crescimento desordenado

 

Com a diminuição dos acidentes graves, Cabral chama atenção para a necessidade de repensar o planejamento urbano e o sistema de mobilidade.

 

Ele explica que o aumento dos acidentes acompanha o crescimento da frota e da própria cidade, especialmente em áreas carentes de transporte público.

 

“Nós temos um transporte público muito limitado, que não atende muitas regiões, principalmente bairros surgidos a partir de ocupações irregulares, sem estrutura e sem apoio do poder público. O crescimento desordenado obriga as pessoas a percorrer grandes distâncias todos os dias”, afirmou.

 

O delegado também avalia que novos modelos de transporte urbano devem impactar positivamente os índices, reduzindo a necessidade de veículos particulares.

 

“Quando vemos esses debates, precisamos analisar sob a ótica do crescimento sustentável das cidades. Mesmo com melhorias, ainda seremos destaque negativo no país, porque nossa frota de motocicletas cresce a cada ano em ritmo maior que a frota de veículos de quatro rodas”, concluiu.

 

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