A imprudência no trânsito segue como um dos principais fatores para a ocorrência de acidentes com morte em Cuiabá e Várzea Grande, segundo o delegado titular da Delegacia de Delitos de Trânsito (Deletran), Christian Cabral.

Em entrevista ao MidiaNews, o delegado afirmou que dados da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso mostram que a região metropolitana continua entre as capitais com maior violência no trânsito.
“Cuiabá e Várzea Grande, hoje, são, proporcionalmente ao número de habitantes, as cidades que têm mais mortos no trânsito no país. Isso está diretamente ligado à grande proporção de motocicletas que circulam nessas cidades”, explicou.
Apesar do cenário preocupante, Cabral ressaltou que Cuiabá registrou queda no número de mortes no trânsito entre janeiro e novembro de 2025, na comparação com anos anteriores.
Em 2023, foram 85 mortes. Em 2024, houve aumento, com 88 vítimas fatais. Já em 2025, de janeiro a novembro, foram contabilizados 66 óbitos.
Segundo o delegado, motociclistas representam entre 60% e 70% das ocorrências, sendo também os principais responsáveis pelos sinistros.
“Os sinistros e colisões fatais têm envolvido muitos motociclistas, de diversas formas. E, mais triste, é que na maioria dos casos a própria vítima é responsável pela causação do acidente”, disse.
Entre os fatores que mais contribuem para acidentes fatais estão excesso de velocidade, manobras proibidas, circulação em locais inadequados e trânsito imprudente pelos corredores.
“A realização de manobras irregulares, o desrespeito à sinalização semafórica e o desrespeito em cruzamentos estão, sem erro, entre as principais causas de acidentes com morte”, reforçou.
Pontos mais críticos
Levantamento da Deletran, entre 1º de janeiro e 30 de novembro, aponta que as principais avenidas de Cuiabá e Várzea Grande concentram boa parte das ocorrências graves. São elas:
Av. Fernando Corrêa da Costa – 7 ocorrências
Av. das Torres – 7 ocorrências
Av. Mário Andreazza – 4 ocorrências
Av. Jornalista Arquimedes Pereira Lima (Estrada do Moinho) – 4 ocorrências
Av. Historiador Rubens de Mendonça (CPA) – 3 ocorrências
Av. Beira Rio – 3 ocorrências
MidiaNews
O delegado Christian Cabral, titular da Delegacia Especializada em Delitos de Trânsito
Um ponto que chamou atenção da Polícia Civil foi a queda de acidentes violentos na Avenida Miguel Sutil (2 registros) e na Avenida Rubens de Mendonça. Segundo o delegado, as obras para implantação do novo modal de transporte urbano têm reduzido a velocidade nessas vias e, consequentemente, a letalidade.
“Essas obras vão influenciar muito positivamente, porque você não consegue desenvolver altas velocidades. A velocidade é o que diferencia sinistros com vítimas lesionadas daqueles sem lesões”, destacou.
Mobilidade e crescimento desordenado
Com a diminuição dos acidentes graves, Cabral chama atenção para a necessidade de repensar o planejamento urbano e o sistema de mobilidade.
Ele explica que o aumento dos acidentes acompanha o crescimento da frota e da própria cidade, especialmente em áreas carentes de transporte público.
“Nós temos um transporte público muito limitado, que não atende muitas regiões, principalmente bairros surgidos a partir de ocupações irregulares, sem estrutura e sem apoio do poder público. O crescimento desordenado obriga as pessoas a percorrer grandes distâncias todos os dias”, afirmou.
O delegado também avalia que novos modelos de transporte urbano devem impactar positivamente os índices, reduzindo a necessidade de veículos particulares.
“Quando vemos esses debates, precisamos analisar sob a ótica do crescimento sustentável das cidades. Mesmo com melhorias, ainda seremos destaque negativo no país, porque nossa frota de motocicletas cresce a cada ano em ritmo maior que a frota de veículos de quatro rodas”, concluiu.
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