A empresária Adriana Nunes Lunguinho de Almeida, de 52 anos, acusou o filho, o prefeito de Nossa Senhora do Livramento, Thiago de Almeida (União), de violência psicológica e perseguição. "Não estou tendo paz”, disse.

Adriana é acusada de aplicar quase R$ 1 milhão em golpes usando o nome do filho para angariar recursos para pagar dívidas de jogos de azar.
Segundo as apurações, ela alegava que os valores captados seriam investidos em empresas supostamente prestadoras de serviços ao município, estratégia que tinha como objetivo conferir credibilidade à captação e atrair investidores. A denúncia de estelionato foi feita pelo prefeito.
Em entrevista ao programa SBT Comunidade, Adriana, que preferiu não mostrar o rosto, disse ter decidido “quebrar o silêncio” e falar a “verdade” do que está vivendo. Ela se recusou a comentar as acusações contra ela.
“Tudo isso que está acontecendo não é por causa de jogos e dívida. O Thiago começou a me procurar, me agredir com palavras, com ligações sempre ofensivas. Estou vivendo uma vida super difícil por causa dele. Não estou tendo paz", disse ela.
"Ele manda pessoas atrás de mim, queria me internar compulsoriamente para preservar a imagem política dele”, acrescentou.
O advogado Pablo Gustavo Moraes Pereira, que faz a defesa do prefeito, negou qualquer acusação de violência que supostamente teria sido cometida contra Adriana.
Segundo Adriana, a convivência com o filho era boa, mas tudo teria mudado desde que o filho teria tentado uma procuração para administrar os bens dela. Ela disse ter pedido uma medida protetiva contra o filho e que levará adiante um processo contra ele. Ela registrou dois boletins de ocorrência contra o filho.
SBT Comunidade
Adriana Nunes em entrevista ao SBT Comunidade, preferiu não mostrar o rosto
Conforme Adriana, o filho começou a “persegui-la”, e chegou a invadir sua casa proferindo xingamentos, na tentativa de interná-la em uma clínica.
“Falou que eu era uma desgraçada, uma vagabunda, que não prestava, que ele ia me enterrar. Só palavras fortes e ele veio agredir, veio bater em mim”, disse.
Adriana afirmou ter entregado todas às provas à Polícia. “Isso precisa parar, ele como um homem público, tem que ter sabedoria suficiente para ver o que ele está fazendo. Não sou eu que estou prejudicando ele, é ele que está se prejudicando”, afirmou.
“Eu quero deixar bem claro que estava sofrendo violência da parte do Thiago, meu filho, me dói ter que falar dele, porque a gente tinha uma relação muito boa. [...] No momento ele não está administrando a Prefeitura, está administrando a minha vida, ele não está dando trégua, não está dando paz”.
Adriana disse temer por sua segurança, porque, segundo ela, outras pessoas estariam indo atrás dela a mando do filho.
Outro lado
Procurado pelo MidiaNews, o advogado Pablo Pereira afirmou que foram contraídos vários empréstimos usando a figura do prefeito e serviços que a prefeitura poderia oferecer, sem a anuência do parlamentar.
“Quando isso veio à tona, as pessoas começaram a ir atrás dele, procurar para ver como iriam acertar isso. Ele ficou tão surpreso quanto as pessoas que emprestaram dinheiro à genitora dele”, disse o advogado.
O caso chegou à Polícia e o prefeito, segundo o advogado, foi ouvido, assim como diversas vítimas. “O inquérito foi concluído, mandou para o Judiciário e o Judiciário estabeleceu medidas cautelares contra Adriana”, disse.
Quanto às acusações de violência contra a mãe, o advogado negou as acusações feitas contra o prefeito. “Não procede, essas afirmações não são verdadeiras".
O caso
As investigações apontam que Adriana utilizava o cargo do filho para ganhar credibilidade. Ela teria montado uma rede para conseguir empréstimos de investidores para uma suposta empresa que, segundo ela, prestaria serviços à Prefeitura de Livramento.

Segundo Thiago, a mãe se aproximava das vítimas oferecendo negócios de alta lucratividade. No início, ela cumpria o combinado com valores baixos para ganhar confiança e, com o tempo, passava a captar quantias maiores, alegando que os negócios tinham o respaldo do filho prefeito.
A denúncia aponta ainda que Adriana teria falsificado assinaturas em folhas de cheque de Thiago e produzido montagens de conversas de WhatsApp para simular o apoio do prefeito às transações.
O dinheiro, conforme as investigações, seria destinado a alimentar uma dependência patológica em jogos de azar.
Indiciamento e cautelares
Adriana foi indiciada por estelionato e falsa identidade, e 14 vítimas do esquema foram identificadas. Entre elas, oito decidiram representar criminalmente contra Adriana.
A Justiça determinou que Adriana faça uso de tornozeleira eletrônica, dentre uma série de outras medidas restritivas. As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá.
Além do monitoramento pela tornozeleira, as medidas aplicadas incluem: restrição de mobilidade internacional (apreensão de passaporte), proibição de cadastro em sistema de apostas e, bloqueio e sequestro de valores em contas bancárias, até o limite de R$ 1 milhão.
A autoridade judicial determinou ainda, a aplicação de medidas cautelares à indiciada como a proibição de frequentar determinados locais, inclusive o estabelecimento comercial de sua propriedade, se aproximar ou ter contado com as vítimas, exceto por meio de advogado.
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