Cartão de crédito, cheque especial e compras por impulso estão entre os principais vilões do orçamento dos brasileiros no início do ano, segundo o economista Emanuel Daubian.

Em entrevista ao MidiaNews, ele reuniu uma série de orientações sobre como escapar do endividamento e manter o orçamento sob controle.
“Quem tem dívida e está inadimplente é uma pessoa problemática financeiramente. Se a pessoa está inadimplente com uma ou mais dívidas, ela precisa fazer um replanejamento financeiro”, afirmou.
Daubian explicou que o primeiro passo é estabelecer prioridades. “A prioridade é pagar primeiro as dívidas com os maiores juros. Em segundo lugar, as dívidas de maior valor”, resumiu.
Outra recomendação simples, mas eficaz, é planejar as compras. “Antes de ir às compras, faça uma lista do que vai comprar”, orientou. Segundo ele, esse hábito evita gastos excessivos e reduz o risco de endividamento.
Renegociar é o começo do alívio

O economista orientou que pessoas endividadas procurem os credores para entender quanto estão pagando de juros e quais são os prazos de pagamento. Esse movimento, segundo ele, já representa o início do alívio financeiro.
“O cartão de crédito e o cheque especial têm juros altíssimos, acima de 400% ao ano. Se a pessoa for renegociar essas dívidas com o banco, geralmente consegue descontos para quitar”, explicou.
Para ilustrar o impacto dos juros, Daubian fez um alerta direto: “Uma dívida de R$ 1 mil no cartão de crédito, se ficar um ano sem pagamento, pode virar R$ 5 mil”.
Ele recomendou que o devedor tome a iniciativa e procure os canais de atendimento das instituições financeiras, seja pela central telefônica, meios digitais ou diretamente na agência.
“A pessoa precisa dizer: ‘eu quero pagar, tenho como pagar X por mês. Vamos renegociar essa dívida’. O ideal é trocar um juro de 400% ao ano por um juro de consignado, que gira em torno de 35% a 40% ao ano”, exemplificou.
Segundo o economista, dívidas de alto valor precisam ser renegociadas o quanto antes, independentemente da origem. “Se a dívida é muito alta e a pessoa não começa a pagar, ela vai crescer ainda mais, pode até dobrar”, alertou.
Menos cartões, menos risco
Sobre o uso do cartão de crédito, Daubian fez recomendações simples, mas frequentemente ignoradas. A principal delas é reduzir a quantidade de cartões.
“A pessoa não precisa ter cinco cartões de crédito. Quem tem cinco pode ficar muito bem com dois ou até com um. Quem tem dois, é melhor ficar com apenas um”, afirmou.
Ele explicou que cada cartão representa um limite disponível e, na prática, quanto mais cartões, maior o potencial de endividamento. “Dois cartões significam dois limites, o que dobra o volume de recursos disponíveis para gastar”, disse.
Outro alerta importante é não usar o crédito rotativo como complemento do salário. “Não use o rotativo do cartão como se fosse renda”, reforçou.

Compras por impulso: uma armadilha comum
Daubian também chamou atenção para o consumo compulsivo e as compras por impulso, estimuladas por propagandas e promoções.
Para escapar dessa armadilha, ele sugere um método simples, mas eficaz: fazer três perguntas antes de comprar.
“Eu preciso disso? Eu preciso disso agora? Eu tenho como pagar isso no futuro?”, enumerou.
“Se a resposta for ‘não’ para pelo menos uma dessas perguntas, é melhor não comprar. Isso é compra por impulso e depois vira problema para pagar”, alertou.
Limitar gastos e criar reserva de emergência
Além de evitar dívidas e controlar o consumo, o economista defendeu a criação de uma reserva financeira para emergências, inclusive para ajudar no pagamento de dívidas renegociadas.
O primeiro passo, segundo ele, é limitar os gastos fixos, que incluem despesas essenciais como alimentação, higiene, transporte, energia, água, moradia, educação e saúde.
“Esses gastos fixos devem ser limitados a, no máximo, 70% da renda”, orientou.
Dos 30% restantes, Daubian recomendou que apenas 20% sejam usados para gastos variáveis, como lazer, viagens, festas, restaurantes ou novas compras não essenciais.
“Sobram 10%. Esses 10% devem ser poupados, reservados. Porque sempre surgem imprevistos, inclusive despesas para honrar dívidas renegociadas”, concluiu.
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