Indicador semanal do Metanol
O preço do etanol voltou a subir nesta semana em Cuiabá e mantém uma sequência de altas que tem preocupado os consumidores.

Em pouco mais de dois meses, o valor médio de revenda passou de R$ 4,38, registrado em novembro de 2025 pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), para cerca de R$ 4,80, conforme a tabela do início de fevereiro observada nos postos, o que representa um aumento de 9,36%.
Em alguns postos da Capital, o preço ultrapassa essa média, chegando a R$ 5,19 nesta quarta-feira (4)
O MidiaNews foi às ruas e conversou com os motoristas, que afirmaram que a alta tem impactado diretamente no bolso, e que muitas vezes são pegos de surpresa com os valores a cada novo abastecimento.
O consumidor Denis Santos é um exemplo das pessoas prejudicadas, já que trabalha como motorista de aplicativo e tem a renda mensal diretamente impactada pelo valor do combustível.
“Esse aumento, eu acho que ele está vindo já tem mais de dois meses. Afeta muito o dia a dia de quem trabalha de aplicativo. O nosso lucro está indo lá embaixo por conta do combustível. Está difícil, não está fácil, não”, afirmou.
Segundo ele, nos últimos meses, a sua renda diária caiu até 33,3% em relação ao normal, além da necessidade de trabalhar por mais tempo para compensar a perda.
Antes, Denis lucrava cerca de R$ 300 por dia, rodando entre 8 e 9 horas. Com a alta do etanol, passou a ganhar entre R$ 200 e R$ 270 e, para isso, precisa trabalhar até 15 horas por dia. A jornada mais longa também reduz o tempo disponível para outras atividades.
Mesmo tentando buscar postos com preços mais baixos, ele diz que nem sempre consegue escapar dos valores mais altos, já que precisa abastecer com mais frequência do que antes.
Victor Ostetti/MidiaNews
Denis é motorista de aplicativo e foi fortemente prejudicado com a alta no etanol
“A gente tem que rodar mais para poder bater a meta por dia. Antes, você poderia calcular uma meta até tal hora e hoje você não consegue. No posto de combustível, você tem que abastecer mais para rodar mais. Antigamente não, você podia abastecer menos, podia rodar menos também, porque o combustível rendia”, explicou.
O comerciante Edson Luiz também relatou dificuldade com os reajustes. Ele se surpreendeu ao abastecer nesta quarta-feira, após ver o preço subir de um dia para o outro.
“O aumento, além de exorbitante, é bem abusivo. Porque ontem mesmo na bomba estava R$ 4,49. Hoje de manhã a gente acorda e está R$ 4,77/4,79”, afirmou.
Edson disse que abastece uma vez por semana e estima que, em apenas um dia, o valor final do tanque terá aumento de pelo menos R$ 15.
Os dois consumidores afirmaram não entender por que o reajuste é tão alto, considerando que Mato Grosso está entre os maiores produtores de etanol do país.
“Ele é produzido em nosso estado e deveria ser mais em conta para nós. Mas se o diesel aumenta, o etanol vai aumentar, que é a questão que eles falam, para tirar a diferença do gasto do transporte. Mas aí eu acho totalmente errado como é feito em nosso estado aqui, para nós ele deveria ser mais em conta”, disse Denis.
À reportagem, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Mato Grosso (Sindipetróleo) afirmou que a alta do diesel pode influenciar indiretamente o preço do etanol, por impactar o custo do frete. Ainda assim, a entidade atribuiu o reajuste mais recente ao aumento semanal repassado pelas usinas.

O Sindipetróleo apresentou dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) que indicam que o preço no atacado do metro cúbico (m³) de etanol subiu 3,15% entre as semanas dos dias 2 e 30 de janeiro. Em valores reais, a variação foi de R$ 11,66 nas usinas.
Além disso, custos de distribuição, transporte e encargos também compõem o valor final cobrado nas bombas, informou a instituição
Após as reclamações dos consumidores, a reportagem questionou o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), que informou que, até o momento, a Coordenadoria de Fiscalização não recebeu denúncias formalizadas relativas ao preço do etanol. "Atualmente, 45 postos são monitorados e precisam comprovar como foram calculados os preços", afirmou, em nota.
O MidiaNews tentou contato com os responsáveis pelos postos de combustíveis visitados, mas não obteve retorno ou autorização para posicionamento.
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11 Comentário(s).
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| Manasses 05.02.26 11h46 | ||||
| FAZ O L !!!!!!! | ||||
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| luiz silva 05.02.26 08h30 | ||||
| Esse Sindipetróleo tem desculpa para tudo para defender aumento, produzimos o Etanol e pagamos mais por que? Ninguém fala nada, noticía e nada faz. a Mídia tinha que bater duro contra esse ABUSO, DIARIAMENTE, até alguém, com poderes, resolver fazer alguma coisa, enquanto isso só resta BATER DURO CONTRA . | ||||
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| Paulo Cesar 05.02.26 01h28 | ||||
| Não entendo pq aqui na capital é mais caro. Região de Jaciara, Rondonopolis e entorno é sempre preço menor | ||||
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| Eduardo Ralf 04.02.26 21h01 | ||||
| Precisamos de uma reforma tributária em todo nosso país. Pensem bem... Não adianta ficar nesse lenga lenga De Bolsonaro e Lula. Precisamos ser mais conscientes na hora de votar e precisamos nos mobilizar pra enfrentar esse povo que tem a caneta na mão ou seremos escravos do sistema. Mato Grosso planta, colhe cana, deveríamos pagar o menor preço de etanol da terra!!! | ||||
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| Rodrigo 04.02.26 18h29 | ||||
| Quem está acusando o Governo Federal deveria ser informar mais. O preço do combustível não está mais atrelado ao que faz a distribuidora Petrobrás.. ela foi vendida em 2019. | ||||
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