O zoológico da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que estava fechado desde março, quando dois macacos contaminados com febre amarela foram encontrados mortos no local, passará a ser um Centro de Medicina e Pesquisa de Animais Silvestres.
De acordo com a instituição, apenas visitas escolares serão permitidas, mediante autorização e monitoramento, após os trabalhos de adequação do espaço.
Conforme a UFMT, 50 jabutis e outros animais como o gavião-pega-macaco, tucanos, patos do mato e urubus reais foram transferidos para o Parque Nacional da Tijuca (RJ), zoológico e aquário de São Paulo (SP) e o Criadouro da Onça Pintada, em Curitiba (PR).
Outras espécies que também estão ameaçadas de extinção estão em processo de movimentação para transferência para outras unidades de preservação.
O novo centro de pesquisa terá como objetivo fomentar a pesquisa e a educação ambiental em Mato Grosso.

De acordo com o diretor da Faculdade de Medicina Veterinária (Favet) da UFMT, professor Roberto Lopes de Souza, a criação do Centro de Medicina e Pesquisa de Animais Silvestres deu-se através de uma "convergência de pensamentos".
“Uma delas foi a aproximação com o Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis], que fez o embargo no zoológico, mas reconheceu o esforço da Universidade e sugeriu que o espaço fosse aberto para receber novos animais, mas com outra filosofia, de reabilitação e reintrodução. Juntou a nossa vontade com a dos órgãos ambientais”, explicou.
Para ele, o centro de pesquisa foi a forma encontrada para utilizar a estrutura do zoológico para ações de educação ambiental. O professor ainda afirmou que o maior foco são as escolas.
O local também contará com uma área restrita para os animais resgatados na natureza, seja em acidentes ou vítimas de tráfico.
Obras de readequação
Segundo a administração, o anúncio do bloqueio de R$ 34 milhões no orçamento anual da UFMT, decretado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) no dia 29 de março, resultou na suspensão de obras necessárias no local, o que agravou a situação do zoológico.
Cortes do MEC
O bloqueio de R$ 1,7 bilhão das verbas destinadas às universidades federais representam 24,84% dos gastos não obrigatórios, que afetam diretamente o funcionamento das universidade, já que o dinheiro é utilizado para pagamento de contas de água, luz, bolsas acadêmicas, insumos de pesquisa, compra de equipamentos básicos e pagamento de funcionários terceirizados.
Também houve bloqueio de 3,43% do orçamento das federais destinado a despesas de investimento, basicamente usado para obras nas universidades, pagamento de salários e compra de equipamentos. Esse tipo de orçamento representa, em média, 80% da verba.
Sem o corte, a UFMT tinha um orçamento anual previsto de R$ 1.027.150.013,00.
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2 Comentário(s).
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| wagner 20.07.19 19h36 | ||||
| Pura mentira, há anos não fazem nada nesse zoo. Os animais viviam não sei como. Não foi o bloqueio que resultou na suspensão. Pura desculpa isso! | ||||
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| Luis 20.07.19 11h46 | ||||
| E quem nao for estudante vai ficar privado. Nao acho certo. Visitar o zoo sempre foi tradicao das familias cuiabanas. E criancas do interior? E turistas? | ||||
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