Cuiabá, Quinta-Feira, 26 de Março de 2026
CICLO DA VIOLÊNCIA
09.03.2025 | 11h50 Tamanho do texto A- A+

Feminicídios em MT: 89 crianças perderam as mães em 2024

No total, 47 mulheres foram vítimas de feminicídio no ano passado no Estado, e 41 eram mães

Reprodução

Gleiciane de Souza (no detalhe) foi morta na cidade de Jaciara, em setembro de 2024

Gleiciane de Souza (no detalhe) foi morta na cidade de Jaciara, em setembro de 2024

DA REDAÇÃO

Oitenta e nove crianças e adolescentes ficaram órfãos após suas mães serem assassinadas em situações de violência doméstica ou por menosprezo à condição de gênero em Mato Grosso, em 2024. No total, 47 mulheres foram vítimas de feminicídio no ano passado no Estado, e 41 eram mães.

 

Os dados fazem parte da análise detalhada da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil. O relatório “Mortes Violentas de Mulheres e Meninas em Mato Grosso por razões de gênero 2024” foi elaborado com base nos boletins de ocorrência de homicídios e feminicídios, cruzamento de informações e inquéritos policiais.

 

O documento traz o perfil das vítimas e autores dos crimes, além de informações sobre o local, o meio empregado, a solicitação de medidas protetivas e os impactos da violência contra mulheres e adolescentes.

 

Dos 89 órfãos do feminicídio, 17 eram filhos biológicos dos autores; quatro perderam também os pais, que cometeram suicídio após assassinarem suas companheiras ou ex-companheiras.

 

Nove mulheres foram mortas na frente dos filhos, entre elas Gleiciane de Souza, de 35 anos, assassinada na cidade de Jaciara, em setembro de 2024.

 

Antes de matá-la, o esposo a agrediu dentro de casa, arrastou-a para a rua e efetuou vários disparos contra a vítima. O crime foi cometido na frente dos filhos do casal, duas crianças de 8 e 9 anos de idade. Após o assassinato, o agressor ateou fogo no corpo da vítima.

 

Romper o silêncio pode salvar vidas

 

A violência contra as mulheres deixa marcas profundas em todo o círculo familiar. Muitas vezes, a única alternativa para as vítimas é buscar romper o ciclo de violência e procurar auxílio nos órgãos estatais.

 

Em 2024, a Polícia Civil registrou 17.910 medidas protetivas de urgência, representando um aumento de 6% em relação ao ano anterior. A medida protetiva, prevista no artigo 24 da Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), é um mecanismo judicial que proíbe o agressor de se aproximar da vítima, seja fisicamente ou por meios eletrônicos.

 

Entre as 47 mulheres vítimas de feminicídio, apenas uma possuía medida protetiva ativa. Além disso, 38% das vítimas já haviam sofrido violências anteriores de parceiros passados ou atuais, mas somente 17% delas denunciaram os autores dos assassinatos.

 

Esses números evidenciam a necessidade de ampliação e fortalecimento dos serviços públicos de apoio às mulheres, para que se sintam seguras e encorajadas a buscar ajuda e utilizar os mecanismos de denúncia e proteção.

 

A Lei 14.994, sancionada em outubro de 2023, tornou o feminicídio um crime autônomo e hediondo, com pena de 20 a 40 anos de reclusão. A legislação prevê agravantes que podem aumentar a pena, incluindo o descumprimento de medidas protetivas de urgência. Em 2024, houve um aumento de 7% nos casos de descumprimento dessas medidas, totalizando 3.171 registros contra 2.904 no ano anterior.

 

Acolhimento e ferramentas de proteção

 

Além das unidades especializadas em oito cidades-polo do estado e 24 núcleos em delegacias do interior, a Polícia Civil oferece o aplicativo SOS Mulher MT, uma ferramenta digital criada há quatro anos em colaboração com o Tribunal de Justiça e a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).

 

O aplicativo permite a solicitação online de medidas protetivas, oferece um botão do pânico virtual para situações de emergência e disponibiliza contatos úteis, como telefones de emergência, canal de denúncias e acesso à Delegacia Virtual. Por meio do endereço sosmulher.pjc.mt.gov.br, as vítimas podem solicitar medidas protetivas sem a necessidade de deslocamento até uma delegacia.

 

O botão do pânico é um pedido de socorro virtual que pode ser acionado quando o agressor descumpre a medida protetiva. Em 2024, foram deferidos 5.223 pedidos dessa funcionalidade, e o botão foi acionado 649 vezes em cidades como Cuiabá, Rondonópolis, Várzea Grande e Cáceres. Ao acionar o botão, o pedido é direcionado ao Centro Integrado de Operações de Segurança Pública, que envia a viatura mais próxima para prestar socorro à vítima.

 

O combate à violência de gênero exige esforço coletivo e políticas públicas que garantam proteção e acolhimento às vítimas, ajudando a romper ciclos de violência e a preservar vidas.

 

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