Neste domingo (8), quando se celebra o Dia Internacional da Mulher, um tema ainda cercado de tabus ganha destaque: a menopausa. Marcado pelo fim da menstruação, esse período costuma ser associado a problemas de saúde, queda da libido e diversos sintomas físicos e emocionais. No entanto, segundo a ginecologista Zuleide Cabral, a forma como cada mulher atravessa essa fase também está diretamente ligada aos hábitos de vida.

Em entrevista ao MidiaNews, a médica explicou que os sinais costumam surgir e se intensificar na perimenopausa, período de dois a três anos antes da menopausa, quando começam as alterações na menstruação. A menopausa é caracterizada quando ocorre o último fluxo menstrual.
Há também sintomas que aparecem de forma silenciosa e podem causar problemas com o tempo. Eles estão relacionados à queda na produção de hormônios que o organismo deixa de produzir nessa fase, como estrogênio, testosterona e progesterona.
Apesar disso, a médica afirmou que as mulheres não podem culpar a menopausa por todos os problemas que aparecem com ela, já que alguns deles estão relacionados às suas próprias rotinas.
“Isso também está muito relacionado com o meio, com a situação que nós vivemos. Por exemplo, temos alguma questão de memória, então é claro que surge na menopausa [cérebro da menopausa], mas não pode ser atribuída só a ela. Muitos sintomas também estão relacionados com o hábito de vida, com a questão social, familiar, emocional”, explicou.
O mesmo vale para sintomas emocionais, como cansaço, irritabilidade ou tristeza. Conforme a ginecologista, é preciso avaliar cada caso com cuidado.
“[Há mulheres que] costumam falar ‘nossa, mas ultimamente eu ando mais irritada’, ‘eu ando mais nervosa' ou ao contrário: ‘sabe, eu não sei porque eu ando muito triste’, ‘eu estou sem vontade de fazer coisas que eu gostava’. Você tem que fazer uma boa anamnese complementar com os exames para fazer o diagnóstico, se aquilo é do climatério ou se pode ser do climatério associado a outras situações”, informou.
O climatério é a fase de transição biológica que geralmente ocorre a partir dos 40 anos, quando a mulher passa do período reprodutivo para o não reprodutivo. Esse processo está relacionado à menopausa.
Além disso, a perimenopausa e a menopausa surgem com diversos problemas que afetam a rotina das mulheres, como os fogachos (calor intenso), ressecamento da mucosa vaginal, baixa libido, falta de motivação, perda de massa óssea, e outros desconfortos que podem afetar a rotina.
Ainda assim, segundo a médica, é possível manter a qualidade de vida durante essa fase. Um dos principais caminhos é a adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada e prática regular de atividade física.
“Os alimentos e atividade física vão melhorar a qualidade de vida dela. A mulher na menopausa tem uma tendência, o metabolismo dela é mais lento, ela ganha mais gordura, aí sim ela vai perdendo mais massa muscular, começa a ter mais dores articulares. Então a alimentação e atividade física vão trabalhar nesse aspecto”, disse.
Reposição hormonal
Outra forma de ajudar as mulheres neste período em diante é a reposição hormonal.
“Quando a gente cuida da menopausa, a gente não está somente aliviando os sintomas, estamos melhorando a mulher para que ela tenha uma qualidade de vida. Hoje as mulheres vivem até 87/90 anos e entram na menopausa por volta dos 50, então dos 50 até 80, 30 anos, como que você vai viver 30 anos com déficit hormonal, se você pode suplementar, repor isso?”.

A médica explicou que cada um dos hormônios que deixam de ser produzidos possuem uma função, e a falta deles é que causa os sintomas, por isso a importância da reposição.
Existem diferentes vias de reposição hormonal, como a oral, a atópica, por meio de gel e adesivos, e os implantes hormonais.
Segundo a médica, a indicação de cada uma delas depende das condições de saúde de cada paciente.
“Uma mulher que é hipertensa controlada, por exemplo, e optou e tem indicação da reposição hormonal, qual a melhor via para ela? A não oral, porque não passa pelo sistema portal, pela questão metabólica. Para essa mulher, você vai optar por transdérmico, tópico, ou os implantes. É muito individualizado”, explicou.
Contraindicações
Nem todas as mulheres, no entanto, podem fazer reposição hormonal. Existem situações em que o tratamento é contraindicado.
“Existem algumas situações que a mulher tem sintomas, mas ela não pode usar. Por exemplo, mulheres que tiveram câncer de mama, que sofreram Acidente Vascular Cerebral (AVC), que têm uma doença hepática, alguns tumores, tumor de ovário, por exemplo. Aí tem contraindicação ao uso de hormônio”, explicou.
Também podem apresentar maior risco mulheres fumantes, sedentárias, obesas ou com hipertensão não controlada.
Nesses casos, existem outras alternativas para melhorar a qualidade de vida, ainda que não tenham o mesmo efeito da reposição hormonal.
“Alimentação adequada, vitaminas, repor cálcio, cuidar do osso. Nós temos o tratamento para atrofia genital, como cremes ginecológicos hidratantes, a laserterapia, que é para trofismo vaginal, e uma gama de outros. Não é a mesma coisa que a reposição hormonal, mas ajuda”, disse.
Reposição hormonal causa trombose?
Victor Ostetti/MidiaNewss
A médica ginecologista Zuleide Cabral: sintomas da menopausa
De acordo com a médica, o período em que a mulher corre mais risco de ter trombose é durante a gravidez, não na menopausa. Quando se trata de uma mulher no climatério, é necessário avaliar se ela já teve ou se corre o risco de ter trombose. Apenas nestes casos há a contraindicação da reposição hormonal.
“Qualquer uma de nós pode ter trombose. Então, se uma mulher tem risco, eu vou pensar se vou prescrever. Se a paciente já teve trombose, ela tem um fator de risco grave, então, eu não vou prescrever”, explicou.
No entanto, Zuleide Cabral explicou ser impossível garantir que a mulher não vai ter a doença. “Se ela não tem um fator predisponente nenhum, eu acredito que não, mas eu não posso dar essa certeza”, disse.
Anticoncepcional atrasa a menopausa?
Conforme a médica, a ideia de que o uso de anticoncepcional atrasa a chegada da menopausa é um mito. Isso porque, quando a mulher toma o anticoncepcional, bloqueia a ovulação, não o consumo dos óvulos.
“Nós nascemos com uma quantia de óvulos e eles vão reduzindo com o passar do tempo até que cessem a produção e estabeleçam a menopausa. Quem usa ou não usa anticoncepcional, a contracepção hormonal, vai ter a sua menopausa estabelecida pelo seu fator constitucional”, afirmou.
Segundo ela, não há medidas capazes de adiar a menopausa. O que pode mudar é a forma como a mulher chega a essa fase, dependendo da qualidade de vida ao longo dos anos.
“O que muda é a qualidade de como você vai chegar a esse período — e isso vale para tudo: se eu tenho uma boa dieta, se pratico atividade física, porque o envelhecimento é para todos”, disse.
Por fim, a médica reforçou a importância do acompanhamento médico regular e do cuidado com a própria saúde.
“[Meu conselho] é frequentar o ginecologista e cuidar de si, pensar em si, porque nós, mulheres, de modo geral, sempre pensamos no outro. Não deixar de fazer isso, que é nobre da nossa parte, mas não esquecer de si, para chegar aos 80 anos cheia de vida e curtindo”, finalizou.
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