Cuiabá, Quinta-Feira, 26 de Março de 2026
35 ANOS DE CARREIRA
02.03.2025 | 08h00 Tamanho do texto A- A+

"Hoje todo mundo é um pouco colunista; redes são o novo palco"

Warner Willon relembra trajetória, fala de preconceito e projeta futuro do colunismo social

Victor Ostetti/MidiaNews

O colunista social Warner Willon, que completa 35 anos de carreira

O colunista social Warner Willon, que completa 35 anos de carreira

PIETRA NÓBREGA
DA REDAÇÃO

Figura icônica do colunismo social de Mato Grosso, o rondonopolitano Warner Willon completa em março 35 anos de carreira. Neste período, ele não apenas testemunhou, como também protagonizou histórias com as principais personalidades econômicas, políticas e culturais do Estado. 

 

Minta mais. Ninguém gosta de ouvir a verdade. Se eu pudesse voltar no tempo, diria ao meu eu mais jovem para ser mais cauteloso

Em uma entrevista repleta de memórias, Warner compartilhou com o MidiaNews detalhes de sua trajetória, os desafios e como o colunismo social se transformou ao longo das décadas. 

 

Warner começou sua carreira aos 17 anos na sua cidade natal. “Eu era muito jovem, semianalfabeto e de uma família periférica. Caí de paraquedas no mundo social”, relembra. Ele iniciou no jornal Correio do Oeste, ainda no sistema offset, e depois editou a revista Flash.

 

“Naquela época, ser colunista social era um título pomposo. Você era tratado como uma celebridade, mas também enfrentava muitos desafios. Eu sou homossexual, e isso pesou muito no início. Havia um preconceito enorme, mas eu nunca deixei que isso me derrubasse.” 

 

 

 

Com o surgimento das redes sociais, o colunismo social passou por uma transformação radical. “Hoje, todo mundo é um pouco colunista. As pessoas mostram suas vidas, suas viagens, seu lifestyle. Os influenciadores digitais são os novos colunistas da atualidade”, observa Warner.

 

Ele também reflete sobre a vaidade, que sempre impulsionou o colunismo social. “As pessoas gostam de se ver no jornal, na TV, nas colunas. Isso não mudou. O que mudou foi a forma como isso é feito. Hoje, as redes sociais são o novo palco.” 

 

O colunista reconhece que a internet democratizou o acesso à informação, mas também trouxe desafios. “Antes, éramos considerados o ‘quarto poder’ da imprensa. Hoje, a credibilidade é mais difícil de manter, porque a internet desmente tudo rapidamente. Mas ainda há espaço para o colunismo tradicional, desde que a gente se adapte.” 

 

 

Preconceito e superação 

 

Por trás do glamour, Warner enfrentou preconceitos e dificuldades que moldaram sua trajetória. “Eu era homossexual, jovem e de família periférica. Isso pesou muito no início da minha carreira”, revela.

 

Ele lembra das noites intermináveis em eventos, fotografando e escrevendo, enquanto outros celebravam. “Trabalhei madrugadas inteiras, desejando ‘Feliz Ano Novo’ para pessoas que eu nem conhecia. Era difícil, mas nunca perdi a alegria.” 

 

Ele também enfrentou a gordofobia. “Eu pesava 180 quilos e ouvia comentários cruéis. Hoje, depois de uma cirurgia bariátrica, as pessoas me oferecem cirurgias plásticas para ‘esticar o rosto’. Mas eu sou esse aqui, de frente com você. Não preciso mudar para agradar ninguém.” 

 

Se pudesse voltar no tempo, Warner daria um conselho ao seu eu mais jovem: “Minta. Como diz Sofia Loren, 'mento' em italiano. Porque eu falei muitas verdades, e todas reverberaram contra mim. Ninguém gosta de ouvir a verdade, diria ao meu eu mais jovem para ser mais cauteloso”, afirma.

 

Warner não nega que o colunismo social convive com um mundo de aparências. “Tem muita mentira. Todos os fatos têm algumas versões. Não tem uma verdade absoluta. Essa que eu conto aqui é a minha trajetória. Fui eu que calcei esse chinelo e, às vezes, andei descalço para chegar até aqui”, reflete.  

 

Um dos trabalhos mais marcantes de Warner foi a organização, por décadas, do Miss Mato Grosso, do qual saíram vencedoras que também conquistariam o Miss Brasil: Márcia Gabrielle (1995), Josiane Kruliskoski (2000) e Jaqueline Oliveira (2013). “Hoje, não basta ser bonita. A Miss precisa ser inteligente, falar inglês e ter uma causa. Beleza e simpatia não são suficientes”, afirma.

 

Ele destaca Jaqueline Oliveira como a Miss que melhor representa Mato Grosso. “Ela é mato-grossense de nascimento e carrega a essência do nosso Estado. Foi a única Miss Brasil que elegemos que nasceu aqui.” 

 

Warner cita algumas das figuras femininas que mais admira em Mato Grosso. “Lucimar Campos, Teté Bezerra, Isabel Campos e Virgínia Mendes são mulheres de atitude. Elegância, para mim, não é sobre roupas, mas sobre postura.”

 

Ele também menciona Leila Maluf como a mulher mais elegante de Cuiabá. “Ela é um exemplo de classe e discrição.” 

 

 

 

Professor de Geografia

 

Se não fosse colunista social, Warner teria seguido outra paixão: a Geografia. “Eu gostaria de ser professor de Geografia. Cheguei a cursar três semestres na UFMT. Gosto de me situar no Mundo. Quando alguém fala que aconteceu algo no Sri Lanka, eu sei exatamente onde fica”, diz.  

 

Willon acredita que o colunismo social migrará totalmente para a internet nos próximos anos. “Quem não se adaptar, ficará para trás. A vibe agora é o TikTok, os influenciadores digitais. Mas o colunismo sempre existirá, seja na TV, na internet ou em outras plataformas. O importante é se reinventar.” 

 

Ao final da entrevista, Warner resume sua trajetória com uma frase: “Eu sou o que foi possível ser.” E completa: “Deixo para todos fé, esperança e Deus. Para meus amigos, parceiros e até inimigos. A vida é para ser celebrada.” 

 

35 anos de carreira

 

No dia 27 de março, Warner vai celebrar suas três décadas e meia de colunismo com o evento "L’Apogée", na Associação Mato-grossense dos Magistrados (Amam).

 

“Será uma noite elegante, com buffet do Val Wunther, show da Vatuzzi, uma cantora que foi estrela do Moulin Rouge, e homenagens a personalidades que marcaram minha trajetória”, adianta. “Quero celebrar homenageando as pessoas que fizeram parte dessa jornada", afirma. 

 

Serviço 

 

Para quem tiver interesse em ir no evento "L’Apogée", entre em contato com o número 65-9974-2488 

 

Veja a entrevista completa:

 

 

 

 

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