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BELEZA E ADRENALINA
18.05.2025 | 08h00 Tamanho do texto A- A+

Os aventureiros que caminham entre os paredões de Chapada

Grupo realiza eventos para o público e visa expandir prática do esporte em Mato Grosso

Arquivo pessoal

Prática de highline em um dos paredões de Chapada dos Guimarães

Prática de highline em um dos paredões de Chapada dos Guimarães

LARISSA AZEVEDO
DA REDAÇÃO

O município de Chapada dos Guimarães é o principal ponto de prática de highline no Estado. O esporte consiste em fazer travessias andando sobre uma fita. A prática requer equipamentos de segurança para evitar mortes em caso de desequilíbrio e queda.

 

Com pouco mais de 20 anos de existência no Brasil, a modalidade é praticada em Mato Grosso pelo grupo Slackline MT. 

 

O visual é alucinante. É um grande privilégio estar lá naquele lugar que às vezes ninguém nunca esteve. Isso é o privilégio do Highline

Um dos integrantes mais antigos do grupo – que tem pouco mais de 10 anos –, Juliano Ferris viralizou nas redes sociais recentemente por aparecer em um vídeo andando sobre fitas nos paredões de Chapada. 

 

Para ele, a região é uma das mais desafiadoras de se praticar o esporte, mais inclusive do que cachoeiras.

 

“O caminho mais assustador é o highline de Chapada dos Guimarães. Não só pela altura. Mas por toda a exposição ao fundo e ao céu. Você está ali no paredão e para baixo é o Pantanal. Então é bem exposto. Você fica no vazio, parece que você tá voando”, diz. 

 

“Dos paredões, você vê, por exemplo, Cuiabá. Então tem uma exposição muito grande. E o desafio sempre vai ser principalmente o mental”, complementa. 

 

Mesmo com os desafios, Juliano ama a prática do esporte e afirma que a sensação de estar sobre fitas é insubstituível. 

 

“A sensação é incrível. O que você mais sente quando você está em cima de uma fita e caminhando é viver o presente. Nada mais importa, só aquilo. Você não consegue pensar em mais nada, só em respirar e andar. E o visual é alucinante. É um grande privilégio estar lá naquele lugar que às vezes ninguém nunca esteve. Isso é o privilégio do highline”, diz. 

 

O Slackline MT realiza a prática do highline em diversos pontos do Estado, como em Campo Novo do Parecis (402,1 km de Cuiabá), Vila Bela da Santíssima Trindade (522,7 km de Cuiabá) e Tesouro (370 km de Cuiabá). 

 

O grupo inclusive já realizou highline na segunda maior queda d'água do Estado, a Cachoeira do Jatobá, a 250 metros de altura, em Vila Bela. 

 

Juliano afirma que o Slackline MT compõe uma das equipes mais antigas de slackline do Brasil. 

 

O highline e o slackline são duas modalidades diferentes, embora possam parecer a mesma coisa. O atleta explica que enquanto o highline é a prática na montanha, em ambientes naturais, mais desafiadores ou altos, o slackline é andar sobre a fita mais próxima do chão, sendo uma prática necessária antes de a pessoa partir para o highline. 

 

“O esporte surgiu em Mato Grosso a partir do momento que o pessoal viu alguns vídeos, se interessou, e acabou adquirindo as fitas. E aí, como é um esporte muito novo, muita coisa a gente aprendeu fazendo, conforme também o esporte foi evoluindo". 

 

Arquivo pessoal

montagem highline 1

 O grupo existe há cerca de uma década em Mato Grosso

Equipamentos e segurança 

 

A prática do highline envolve muito mais que andar na fita, como explica Juliano. É preciso preparar todos os equipamentos para garantir a segurança. 

 

“Às vezes montar o highline é mais importante que andar. Tem muita gente que, às vezes, nem consegue andar muito. Mas o highline não é só andar na fita, envolve muito mais coisas. Toda a montagem é trabalhosa”, diz. 

 

Ele explica que os equipamentos utilizados no esporte possuem resistência mínima de 2.500 quilos, sendo que a pessoa praticante pesa muito menos. Deste modo, os equipamentos garantem uma grande margem de peso suportado. 

 

Prática na Arena Pantanal 

 

A prática do slackline começou no campus de Cuiabá da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), mas foi transferida para a Arena Pantanal a fim de ter mais visibilidade para iniciar mais pessoas. 

 

Slackline MT realiza oficinas frequentes na Arena Pantanal com o objetivo de atrair os olhares do público para o esporte. Os eventos são realizados geralmente aos finais de semana e os interessados podem participar e experienciar de forma gratuita. 

 

Os integrantes do grupo auxiliam os participantes com instruções e treinamento. 

 

“Para a gente, quanto mais pessoas quiserem praticar, vamos estar sempre dispostos a ensinar, a dar oportunidade, porque o highline é um esporte muito coletivo”, afirma. 

 

“Assim como um dia alguém me colocou na fita, eu me sinto na obrigação de colocar outras pessoas na fita. Às vezes, de 50 pessoas nenhuma vai ficar [no esporte], mas a oportunidade foi dada. Quem quer, quem se interessa, a gente sempre apoia”, complementa. 

 

Os encontros costumam acontecer a cada 15 dias e são divulgados por meio do Instagram do grupo, “Slacklinemt”. 

 

Festival de Highline 

 

Em abril o grupo organizou, em parceria com a Prefeitura de Tesouro, o primeiro festival de highline de Mato Grosso, o Festival de Highline Tesouro nas Alturas, no distrito de Batovi. 

 

Cerca de 100 atletas do país participaram do evento, interagindo com a comunidade e promovendo o esporte. 

 

O Slackline MT preparou sete highlines para o evento, com uma fita de até 300 metros de distância para os participantes, criando o recorde de comprimento em Mato Grosso. 

 

“O pessoal da comunidade estava lá prestigiando, assistindo. Isso também nunca tinha acontecido em nenhum outro festival. Foi muito impactante. E todo mundo achou incrível, já estão pedindo do ano que vem”, comemora Juliano. 

 

Arquivo pessoal

população treinando highline em festival

 Participantes do Festival de Highline Tesouro nas Alturas

O grupo fez questão de incentivar a prática do Slackline no município para “plantar uma semente”. 

 

“Tanto é que nos primeiros dias a gente deixou as fitas na praça. A gente chegava lá e via todo mundo querendo praticar”. 

 

Expansão 

 

Apesar de chamar atenção e ter uma prática segura, o esporte não consegue apoio o suficiente para uma maior expansão. 

 

“A gente tem vários projetos, mas o pessoal prefere proibir antes de ler, se informar, perguntar do que é realmente e dar oportunidade para a gente fazer o que a gente sabe, que é fazer o esporte seguro”, diz. 

 

O grupo tem interesse em levar o highline para vários locais , assim como ocorre em outros estados, mas não vê abertura do poder público e até mesmo empresas privadas para autorização e patrocínio. “O que falta para a gente é apoio do pessoal, falta acreditar no que a gente faz e liberar. Às vezes, nem é o apoio financeiro, a gente só tem a liberação”. 

 

“E tem pessoas, principalmente por meio das redes sociais, que quando veem o vídeo, a primeira coisa que falam é: "Ah, que maluco, vai morrer. Não tem amor à vida’. Na verdade, a gente tem muito amor à vida. A gente ama viver. Para a gente, viver esses momentos é viver de verdade, é viver o momento presente. A gente faz com muito segurança e ama o que faz”. 

 

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Arquivo pessoal

Highline

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Highline

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Highline

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Highline

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Highline

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Highline

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Highline

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Highline

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