Rosa Ribeiro após alagamento no pedregal
Horas após a chuva de 64 mm/h que atingiu Cuiabá, durante a tarde de terça-feira (8), moradores da Rua Rosário Oeste, no Bairro Pedregal, tentam se reorganizar e contabilizar os prejuízos.

As águas do temporal invadiram diversas residências da região, que é uma das consideradas em situação crítica, junto com os bairros Jardim Leblon, São Mateus, Boa Esperança, Santa Rosa, Dom Aquino e Jardim Tropical.
Com colchões, documentos e tapetes espalhados ao sol, Rosa Ribeiro tenta calcular o prejuízo deixado pela chuva, que atingiu a rua onde mora com o filho e o esposo.
"Veio a chuva e eu falei: ‘Ah, vai passar.’ Coloquei o pano e, de repente, a chuva começou, começou, começou. Ai entrou lá em casa. Foi um desespero", disse ela em conversa com o MidiaNews.
No momento do temporal, Rosa estava em casa com o filho, que, assustado, a ajudou a erguer móveis na tentativa de salvar alguns objetos. Apesar do esforço, a água entrou na residência e molhou colchões, geladeira, fogão e alimentos.
"Dois colchões molhados, colchão de casal, documentos guardados no armário. A geladeira molhou, máquina de lavar também e não sei se vai funcionar", disse.
Com uma estimativa de 100 famílias atingidas em toda a Capital, informações da Defesa Civil apontam que o Pedregal foi o bairro mais afetado pela enchente.
Dados levantados pela Estação Meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Cuiabá registrou 64 mm de chuva durante a última quarta.
Vídeos registrados por moradores mostraram o impacto da chuva que atingiu a região. Nas imagens, é possível ver a altura que a água atingiu.
Inundação rápida
Victor Ostetti/MidiaNews
Móveis de Carla na calçada
Carla Patrícia da Silva, que também mora no Pedregal, disse que não estava em casa no momento da chuva. Ela contou que, após ser avisada das fortes chuvas, chegou à residência e encontrou os móveis completamente perdidos.
"A água foi rápida. Bateu, estourou a porta e levou tudo o que deu", afirmou.
Com micro-ondas, sofá e armários na calçada, Carla agora conta com a ajuda de amigos e familiares para limpar a residência onde mora com a filha.
Ela disse que esta não foi a primeira vez que perdeu tudo devido à água. Em recordou uma enchente registrada no local em 2001. Desesperada, ela tenta juntar forças para reconquistar os móveis e recomeçar.
"Teve uma enchente em 2001, acabou com tudo também. A água foi até o teto. Agora, tudo de novo"
Além de Carla, Yamin Carolina também estava fora de casa e precisou retornar à residência após a madrasta informá-la sobre a altura da água. Quando chegou ao local, se assustou ao ver os móveis boiando pela casa.
"A minha madrasta estava sentada fazendo umas lembrancinhas para a igreja e sentiu a água no pé. Quando foi lá fora e voltou, já estava na cintura. As geladeiras flutuaram"
Com o aumento da água, elas precisaram sair da residência com o apoio do Corpo de Bombeiros. "A gente teve que sair. Os bombeiros estavam aqui pedindo para que a gente saísse."
De acordo com a equipe dos Bombeiros, ao menos três ocorrências de inundação foram registradas no bairro.
“Estou cansada”
Victor Ostetti/MidiaNews
Georgina mostra estragos da chuva em sua cozinha
Moradora do bairro há anos, Georgina de Morais, contou que na última quarta-feira viu a agua subir no quintal de sua casa após a forte chuva.
Para tentar se prevenir de uma possível enchente, ela construiu uma mureta na porta da cozinha. Contudo, o volume de água ultrapassou a barreira e deixou marcas de destruição pela casa.
"Estou cansada desta vida daqui," afirmou Georgina, que relembrou outras enchentes registradas na região.
"Minhas coisas aqui estavam todas cheias de água, as gavetas... Agora nada vai prestar mais. Sou sozinha, só eu e minha filha. Eu vivo de um salário mínimo, sou doente, meu remédio custa R$ 250, mas tenho que tomar. Aí onde vai meu salário? Só tenho um salário mínimo. Vou viver de quê, meu Deus?", disse emocionada.
Com o alto volume de chuvas em sua residência, Georgina mostrou o impacto das aguas em moveis e alimentos.
"Agora a minha cama acabou. A cama da minha filha novinha, molhada na água, murchou tudo também. Agora não tem sol para secar. Eu vou tirar minhas coisas daqui e levar para a casa do meu filho ali em cima. Vou ficar lá, vou fechar a casa", completou.
Veja vídeos e fotos:
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